.......................................................................... Jornal do Commercio, Recife, 15 de março de 1998
  COMPORTAMENTO
Histórias de sexo, prazer e "micos" dentro dos quartos de motéis

por DÉBORA NASCIMENTO

A palavra é escrita com h, mas na "hora H" todos chamam mesmo é de motel. Esse subterfúgio de não colocar o m tenta maquiar o preconceito em torno desses estabelecimentos. Para conhecer as histórias secretas que cercam esses ambientes, o caderno Família procurou depoimentos de pessoas que foram ou vão aos "hotéis" e têm revelações mais interessantes que o "foi bom pra mim também". Nos ditos lugares, o sexo muitas vezes torna-se um mero figurante, diante de tantos elementos luxuosos cercados por desconcertantes "micos".

Freqüentadora assídua de motéis durante três anos seguidos, a psicoterapeuta Claúdia Araújo (nome fictício) considera ridículo o preconceito que as pessoas têm com relação ao lugar. "É ótimo para sair da rotina. Mesmo depois de casada, eu já fui com meu marido algumas vezes". Ela e o profissional liberal Edson Araújo (nome fictício) namoraram às escondidas em motéis, porque ele estava em processo de separação e a família dela não iria tolerar o relacionamento.

Durante esse período o casal visitava os lugares pelo menos duas ou três vezes por semana. Pode-se dizer que são quase especialistas no assunto: a prova material disto está nos objetos que Cláudia costumava trazer desses locais. São desde pequenos frascos de xampus até um nada sutil roupão de banho. Mas, claro, a larga experiência foi o que eles mais adquiriram, no bom e no mau sentido.

Elas são variadas, e vão desde um desesperado aceno no corredor do motel para um carro particular - eles acharam que era o táxi que haviam pedido - até a falta de dinheiro para pagar a conta. "Nós pensamos que íamos terminar lavando os lençóis. Mas o gerente disse que só precisava deixar como garantia algum objeto de valor", conta Edson, acrescentando que depois voltou ao local e pagou a conta.

Esse procedimento geralmente é utilizado nos estabelecimentos. A gerente do Hotel Rhodes, Laura Nascimento, disse que há pessoas que gastam muito para depois não pagar. "Além do objeto de valor, que às vezes não tem tanto valor assim, pedimos um documento de identificação para podermos ter a certeza que a pessoa vai voltar para pagar", conta Laura, acrescendo que certos documentos, como cartões de banco, são geralmente deixados pelos clientes, que não voltam mesmo. Mas um celular, por exemplo, é três vezes mais comprometedor. "Uma vez, um cliente deixou o seu aqui, e quase implorou para que ninguém ligasse o aparelho", lembra.

Se uns sentem a falta do dinheiro, outros sentem mesmo é falta de tesão. Há algum tempo, quando não era casado, o estudante de direito Gilberto França saiu com um amigo para azarar por aí. Na noitada, depois de muitas tentativas, os dois "descolaram" duas meninas e as levaram para um motel. "Eu já estava praticamente no "rala e rola", quando meu amigo bateu na porta do quarto, dizendo que a menina era virgem e não queria nada. Ele me pediu para falar com ela".

Segundo o estudante, os quartos eram um de frente para o outro e os funcionários do motel olhavam perplexos o troca-troca. Zero a zero: nem Gilberto conseguiu mudar a opinião da menina, nem o amigo dele, que já tentava salvar a noite com a acompanhante de Gilberto. Os dois estavam sem sorte.

CLIENTE VOYEUR - Mas os "micos" não ficam situados só no portão de entrada ou nos quartos. Um funcionário do Eros Hotel conta que na filial de Afogados aconteceu uma história memorável. No local, as principais suítes com teto solar ficam nas extremidades, formando um quadrado. Um cliente, que estava em uma delas, aproveitou que sua companheira estava dormindo e subiu até ao telhado.

Para seu azar, quando estava curvando-se para "brechar", o casal, que estava com o teto-solar aberto, o viu e ligou para a administração reclamando do "tarado". Os seguranças subiram e cercaram o voyeur, que estava nu, gritando "Calma, eu sou cliente!". Resultado: além de pagar o "mico", também pagou a conta do casal.

-----------------------------------------



     

Índice | Editorial | Política | Brasil | Internacional | Cidades | Ciência/Meio Ambiente | Esportes | Economia |
Caderno C | Informática | Turismo | Charge | Colunas | Regional | Veículos | Família | Especiais

Últimas Notícias | Imagens do Dia |JC Debate | Roteiro | Weekend |
Bate-papo | Fale com o JC | Links | Busca | Classificados