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COMPORTAMENTO
Histórias
de sexo, prazer e
"micos" dentro dos
quartos de motéispor DÉBORA
NASCIMENTO
A palavra é escrita com h,
mas na "hora H" todos
chamam mesmo é de motel. Esse
subterfúgio de não colocar o m
tenta maquiar o preconceito em
torno desses estabelecimentos.
Para conhecer as histórias
secretas que cercam esses
ambientes, o caderno Família
procurou depoimentos de pessoas
que foram ou vão aos
"hotéis" e têm
revelações mais interessantes
que o "foi bom pra mim
também". Nos ditos lugares,
o sexo muitas vezes torna-se um
mero figurante, diante de tantos
elementos luxuosos cercados por
desconcertantes
"micos".
Freqüentadora assídua de
motéis durante três anos
seguidos, a psicoterapeuta
Claúdia Araújo (nome fictício)
considera ridículo o preconceito
que as pessoas têm com relação
ao lugar. "É ótimo para
sair da rotina. Mesmo depois de
casada, eu já fui com meu marido
algumas vezes". Ela e o
profissional liberal Edson
Araújo (nome fictício)
namoraram às escondidas em
motéis, porque ele estava em
processo de separação e a
família dela não iria tolerar o
relacionamento.
Durante esse período o casal
visitava os lugares pelo menos
duas ou três vezes por semana.
Pode-se dizer que são quase
especialistas no assunto: a prova
material disto está nos objetos
que Cláudia costumava trazer
desses locais. São desde
pequenos frascos de xampus até
um nada sutil roupão de banho.
Mas, claro, a larga experiência
foi o que eles mais adquiriram,
no bom e no mau sentido.
Elas são variadas, e vão
desde um desesperado aceno no
corredor do motel para um carro
particular - eles acharam que era
o táxi que haviam pedido - até
a falta de dinheiro para pagar a
conta. "Nós pensamos que
íamos terminar lavando os
lençóis. Mas o gerente disse
que só precisava deixar como
garantia algum objeto de
valor", conta Edson,
acrescentando que depois voltou
ao local e pagou a conta.
Esse procedimento geralmente
é utilizado nos
estabelecimentos. A gerente do
Hotel Rhodes, Laura Nascimento,
disse que há pessoas que gastam
muito para depois não pagar.
"Além do objeto de valor,
que às vezes não tem tanto
valor assim, pedimos um documento
de identificação para podermos
ter a certeza que a pessoa vai
voltar para pagar", conta
Laura, acrescendo que certos
documentos, como cartões de
banco, são geralmente deixados
pelos clientes, que não voltam
mesmo. Mas um celular, por
exemplo, é três vezes mais
comprometedor. "Uma vez, um
cliente deixou o seu aqui, e
quase implorou para que ninguém
ligasse o aparelho", lembra.
Se uns sentem a falta do
dinheiro, outros sentem mesmo é
falta de tesão. Há algum tempo,
quando não era casado, o
estudante de direito Gilberto
França saiu com um amigo para
azarar por aí. Na noitada,
depois de muitas tentativas, os
dois "descolaram" duas
meninas e as levaram para um
motel. "Eu já estava
praticamente no "rala e
rola", quando meu amigo
bateu na porta do quarto, dizendo
que a menina era virgem e não
queria nada. Ele me pediu para
falar com ela".
Segundo o estudante, os
quartos eram um de frente para o
outro e os funcionários do motel
olhavam perplexos o troca-troca.
Zero a zero: nem Gilberto
conseguiu mudar a opinião da
menina, nem o amigo dele, que já
tentava salvar a noite com a
acompanhante de Gilberto. Os dois
estavam sem sorte.
CLIENTE VOYEUR
- Mas os "micos" não
ficam situados só no portão de
entrada ou nos quartos. Um
funcionário do Eros Hotel conta
que na filial de Afogados
aconteceu uma história
memorável. No local, as
principais suítes com teto solar
ficam nas extremidades, formando
um quadrado. Um cliente, que
estava em uma delas, aproveitou
que sua companheira estava
dormindo e subiu até ao telhado.
Para seu azar, quando estava
curvando-se para
"brechar", o casal, que
estava com o teto-solar aberto, o
viu e ligou para a
administração reclamando do
"tarado". Os
seguranças subiram e cercaram o
voyeur, que estava nu, gritando
"Calma, eu sou
cliente!". Resultado: além
de pagar o "mico",
também pagou a conta do casal.
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