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COMPORTAMENTO
(III)
A
primeira vez, a gente não
esquecePassar
por um vexame em um motel já é
algo constrangedor, imagine
quando a história acontece
durante a primeira ida de um
casal ao lugar. Toda a vergonha
multiplica-se por três,
exatamente no momento em que o
homem quer demonstrar toda a sua
potencialidade de macho e a
mulher explorar toda a sua
desenvoltura de sensualidade.
O estudante Charles Gomes e
sua então namorada Sheila
Cavalcanti (nomes fictícios)
quando foram pela primeira vez a
um motel, passaram por um certo
embaraço. Fazia pouco tempo que
o rapaz possuía a carteira de
motorista. Nervoso, ansioso,
quase histérico, Charles bateu
com o seu fusquinha na portaria
do lugar. O problema foi que o
automóvel ficou com o
pára-choque preso, e o porteiro
e ele por pouco não arrancaram a
peça.
Em outra ocasião, ainda com a
mesma namorada (agora ex),
Charles passou por mais um sufoco
com o fusca. Desta vez o
automóvel pifou bem no portão
da frente. "A vergonha foi
maior porque os carros começaram
a chegar. Atrás havia um Opala
cheio de gente", relata. Mas
nada se compara a ter que descer
e empurrar a
"máquina", que
finalmente pegou.
Assim como a história de
Charles, a primeira vez também
foi complicada para o casal
Mônica Abreu e Eduardo Santos.
Quando estavam no começinho do
namoro eles resolveram ir pela
primeira vez a um motel. "A
gente tava com muita fome e
resolveu pedir um sanduíche.
Quando tocaram na campainha,
Eduardo abriu a porta e não
tinha ninguém. Tocaram pela
segunda vez e ele abriu
novamente. Já irritado com a
brincadeira, Eduardo gritou
"Quem é, hein?"",
conta Mônica. Por fim, a
camareira teve de gritar do outro
lado da porta que o sanduíche
estava esfriando na janela de
comunicação.
Vergonha mesmo passou o
estudante de direito Gilberto
França. O rapaz tanto fez que
terminou levando a (ex) namorada
ao motel. Depois do "rala e
rola" chegou a hora da conta
e do drama. Ele não tinha
dinheiro suficiente para
completar a quantia e a solução
foi apelar para os vales
transportes. "A camareira
ainda tentou vender os passes com
os funcionários, mas o gerente
aceitou assim mesmo".
Talvez por pirraça do hotel,
na saída Gilberto e a então
namorada ainda ficaram esperando
durante um bom tempo que o
portão fosse aberto. "Eu,
morto de vergonha, não tinha
moral nem para buzinar". A
partir desse dia, segundo o
estudante, toda vez que ele vai
tomar um copo d'agua num motel
olha pra a carteira.
A primeira experiência da
designer Verônica Castro com
motéis também foi
inesquecível. "Meu
ex-namorado não tinha dinheiro
para nada, nem eu. Mas mesmo
assim decidimos ir porque eu
estava louca para conhecer todas
as coisas que falavam sobre
motéis, espelhos no teto, cama
redonda", conta. A
decepção não pode ser maior
quando Verônica entrou num motel
de décima categoria: "As
paredes tinham uma tinta rosa
caindo, a cama era de cimento e
quadrada, o banheiro era fechado
por uma cortina de plástico
florida e, para completar, havia
um ventilador, que não passava
da velocidade um. Foi
tragicômico! E ainda não rolou
nada".
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