.......................................................................... Jornal do Commercio, Recife, 15 de março de 1998
  COMPORTAMENTO (III)
A primeira vez, a gente não esquece

Passar por um vexame em um motel já é algo constrangedor, imagine quando a história acontece durante a primeira ida de um casal ao lugar. Toda a vergonha multiplica-se por três, exatamente no momento em que o homem quer demonstrar toda a sua potencialidade de macho e a mulher explorar toda a sua desenvoltura de sensualidade.

O estudante Charles Gomes e sua então namorada Sheila Cavalcanti (nomes fictícios) quando foram pela primeira vez a um motel, passaram por um certo embaraço. Fazia pouco tempo que o rapaz possuía a carteira de motorista. Nervoso, ansioso, quase histérico, Charles bateu com o seu fusquinha na portaria do lugar. O problema foi que o automóvel ficou com o pára-choque preso, e o porteiro e ele por pouco não arrancaram a peça.

Em outra ocasião, ainda com a mesma namorada (agora ex), Charles passou por mais um sufoco com o fusca. Desta vez o automóvel pifou bem no portão da frente. "A vergonha foi maior porque os carros começaram a chegar. Atrás havia um Opala cheio de gente", relata. Mas nada se compara a ter que descer e empurrar a "máquina", que finalmente pegou.

Assim como a história de Charles, a primeira vez também foi complicada para o casal Mônica Abreu e Eduardo Santos. Quando estavam no começinho do namoro eles resolveram ir pela primeira vez a um motel. "A gente tava com muita fome e resolveu pedir um sanduíche. Quando tocaram na campainha, Eduardo abriu a porta e não tinha ninguém. Tocaram pela segunda vez e ele abriu novamente. Já irritado com a brincadeira, Eduardo gritou "Quem é, hein?"", conta Mônica. Por fim, a camareira teve de gritar do outro lado da porta que o sanduíche estava esfriando na janela de comunicação.

Vergonha mesmo passou o estudante de direito Gilberto França. O rapaz tanto fez que terminou levando a (ex) namorada ao motel. Depois do "rala e rola" chegou a hora da conta e do drama. Ele não tinha dinheiro suficiente para completar a quantia e a solução foi apelar para os vales transportes. "A camareira ainda tentou vender os passes com os funcionários, mas o gerente aceitou assim mesmo".

Talvez por pirraça do hotel, na saída Gilberto e a então namorada ainda ficaram esperando durante um bom tempo que o portão fosse aberto. "Eu, morto de vergonha, não tinha moral nem para buzinar". A partir desse dia, segundo o estudante, toda vez que ele vai tomar um copo d'agua num motel olha pra a carteira.

A primeira experiência da designer Verônica Castro com motéis também foi inesquecível. "Meu ex-namorado não tinha dinheiro para nada, nem eu. Mas mesmo assim decidimos ir porque eu estava louca para conhecer todas as coisas que falavam sobre motéis, espelhos no teto, cama redonda", conta. A decepção não pode ser maior quando Verônica entrou num motel de décima categoria: "As paredes tinham uma tinta rosa caindo, a cama era de cimento e quadrada, o banheiro era fechado por uma cortina de plástico florida e, para completar, havia um ventilador, que não passava da velocidade um. Foi tragicômico! E ainda não rolou nada".

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