ORIENTE MÉDIO
França
apóia a atitude de Cook em
JerusalémPARIS - A França
manifestou ontem seu apoio à
visita que o chanceler
britânico, Robin Cook, fez na
véspera ao assentamento judaico
de Har Homa, em Jerusalém
Oriental, e reiterou a
necessidade de que Israel ponha
fim à colonização dos
territórios árabes.
"Apoiamos
a decisão de Cook de ir ao local
e lamentamos os incidentes que
ocorreram por causa da
visita", afirmou o porta-voz
da chancelaria francesa, Yves
Doutriaux, referindo-se à
decisão do primeiro-ministro
israelense, Benjamin Netanyahu,
de cancelar um jantar com Cook
por este ter ido a Har Homa ao
lado de um deputado palestino.
"Não
compreendemos a reação nem sua
atitude em relação a
Cook", acrescentou. "É
perfeitamente legítimo que a
União Européia continue a
expressar-se contra os
assentamentos, cujo congelamento
é uma condição necessária
para a retomada do processo de
paz".
O
primeiro-ministro britânico,
Tony Blair, também apoiou
"totalmente" seu
chanceler. Segundo um porta-voz
de Blair, o primeiro-ministro
manteve a decisão de visitar
Israel em abril.
Israel capturou
o setor oriental (árabe) de
Jerusalém em 1967 e considera a
cidade sua "capital eterna e
indivisível". Já os
palestinos querem que Jerusalém
Oriental seja a capital de seu
sonhado Estado. Netanyahu viu o
encontro de Cook com o deputado
palestino Salah al-Tamari como
uma manifestação de apoio à
reivindicação palestina. Um
assessor de Netanyahu, David
Bar-Illan, declarou ontem
encerrada a crise com a
Grã-Bretanha: "Creio que
podemos ir em frente e deixar
para trás o que ocorreu".
Entretanto, um
porta-voz do governo israelense,
Mosche Fogel, indicou que, por
causa do ocorrido, a UE
dificilmente obterá o papel de
mediadora de paz no Oriente
Médio: "Agora será preciso
restabelecer a confiança, se é
que pode haver alguma forma de
participação da UE no processo
de paz".
O processo
está paralisado desde o início
das obras para o assentamento de
Har Homa, ou Jabal Abu Ghneim
para os árabes, há um ano.
Na última
etapa de sua visita ao Oriente
Médio, Cook visitou ontem o
Líbano, onde pediu a retirada
das tropas israelenses que há 20
anos ocupam o sul do país.