ÁSIA
Novo
governo da Índia formará
arsenal nuclearNOVA DÉLHI - A
coalizão liderada pelo hindu
Partido Bharatiya Janata (BJP)
divulgou ontem seu programa de
governo, prometendo uma posição
mais agressiva na política de
defesa nuclear e um giro em
direção ao nacionalismo
econômico.
O
primeiro-ministro designado, Atal
Behari Vajpayee, que será
empossado hoje como chefe de um
governo minoritário, afirmou
numa entrevista coletiva que a
Índia irá manter aberta a
opção de desenvolver armas
nucleares. "Iremos exercer
todas as opções incluindo
opções nucleares para proteger
a segurança e soberania. Não
existe um prazo definido, estamos
mantendo a opção em aberto. Se
necessário, esta opção será
exercida", disse ele.
Ele também deu
um tom nacionalista em sua
política econômica. "A
política econômica irá girar
em torno de uma Índia
construída por indianos",
afirmou Vajpayee depois de
apresentar o documento político
elaborado pelo BJP e 12 outros
partidos da aliança.
Mas várias
políticas radicais contidas no
manifesto de campanha do BJP para
as recentes eleições foram
abandonadas no documento
estratégico conjunto.
Notavelmente, não houve menção
a demandas de zelosos hindus de
se construir um templo no local
de uma mesquida em Ayodhya no
estado nortista de Uttar Pradesh.
A mesquita foi
destruída por partidários do
BJP em 1992, provocando
confrontos nacionais entre hindus
e muçulmanos nos quais três mil
pessoas foram mortas. Hindus
acreditam que Ayodhya é o local
de nascimento do deus Rama.
Também não houve referência ao
rechaço do Artigo 370 concedendo
status autônomo especial ao
estado majoritariamente
muçulmano de Jammu e Cachemira,
que tem sido devastado por oito
anos de lutas separatistas nas
quais cerca de 25 mil pessoas
morreram.
Potências
estrangeiras estarão mais
preocupadas com a política
adotada na defesa nuclear pela
aliança "açafrão" -
numa referência à cor laranja
do partido hindu. A Índia, que
conduziu com sucesso um teste
nuclear subterrâneo em 1974, tem
dito que pretende usar a energia
atômica apenas para fins
pacíficos, mas especialistas
ocidentais afirmam que o país
já tem armas nucleares ou pode
produzi-las rapidamente.