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JOELMIR
BETTING
O risco
é menor
A crise da
Indonésia, bola da vez, ainda
não passou. Reeleito para o
sétimo mandato consecutivo de
seis anos, o presidente Suharto
xinga a mãe do FMI pela
televisão e abre mão de um
crédito de pai para filho de US$
40 bilhões. O chanceler da
Austrália desembarcou ontem em
Washington para tentar uma
intervenção dos Estados Unidos
no confronto Suharto-FMI. A um
passo do abismo, a Indonésia tem
massa crítica para colocar todos
os países emergentes, mais uma
vez, de joelhos. Brasil no meio.
Ah! Se o regime
corrupto da Indonésia ficar sob
o guarda-chuva do Tio Sam,
"capo dei capi", aí a
crise da Lei de Murphy escala o
costado da Ásia, dá uma
beliscada no Japão e na Coréia
e desemboca na Rússia,
igualmente na marca de pênalti
do colapso cambial. Rescaldo do
Império Vermelho, a Rússia
está reclassificada com crachá
de emergente.
E o Brasil?
Escapamos ilesos da quebra do
México na travessia de 1995 e da
quebradeira asiática na
travessia de 1997. Nosso déficit
externo em conta corrente, porta
de entrada da crise importada,
virou o ano em 4,4% do PIB, na
direção de 6,5%, segundo os
cenaristas da catástrofe -
Jeffrey Sachs, entre eles. Pois a
reversão já se deu. Devemos
fechar o primeiro trimestre, o da
derrocada verde-amarela, com
déficit externo de 4%, a caminho
de 3,5%. E com as reservas do
Banco Central cravando o maior
volume de todos os tempos: US$ 64
bilhões contra US$ 61 bilhões
em setembro, antes da lambança
asiática, prato quente da mídia
coisa-preta.
O problema é
que as classificadoras
internacionais de riscos -
negócio que mais prospera na
garupa da turbulência financeira
sem bandeira - continuam dando ao
Brasil a etiqueta BB, equivalente
a uma nota 4,5 na escala 0/10. Um
país só é confiável para o
investidor forasteiro, segundo
essas agências de
"rating", quando
desfila nota mínima de 5,5.
Pelo sim, pelo
não, fundos e bancos
estrangeiros deram de apostar no
Brasil 98. Os indicadores
econômicos permanecem nos eixos
da estabilização. A política
cambial deixa a banda passar. Os
juros "defensivos"
(para fora) e
"punitivos" (para
dentro) estão em queda. A
inflação continua em declínio
(abaixo de 4% ao ano pela
Fipe-USP). As privatizações
alcançam os grandes ativos da
energia elétrica e das
telecomunicações. O Congresso
vai sancionando as reformas
fatiadas da Previdência e da
Administração. E, fechando a
roda, o presidente Fernando
Henrique Cardoso está com a mão
direita na taça da reeleição.
Agência de
"rating" esperta
poderia dar ao Brasil de abril a
graduação 6,0. Bancos e fundos
já fazem isso.
Alerta
Na assembléia
anual do BID, em Cartagena, o
ministro Antonio Kandir propôs
um sistema de alerta geral para
prevenir ataques especulativos
contra países no contrapé
cambial. O problema é que o
alerta assusta tanto quanto (ou
até mais) que o rombo ou o
tombo.
Defesa
O ideal seria
um sistema de defesa global, com
direito a um tripé pactuado: 1)
ajuda em bloco ao país em
apuros; 2) quarentena para o
capital volátil em todos os 178
países do FMI; 3) ajuste interno
severo do país assistido.
Pão de
ontem
Relatório do
BID, distribuído em Cartagena,
aponta para o PIB brasileiro um
crescimento de 1% em 1998. Ou um
produto per capita negativo,
rascunho do mapa do inferno. O
prognóstico foi montado em
novembro, sob a chiadeira do
pacote fiscal.
Chutometria
Já que chutar
não paga imposto, a coluna
sustenta (desde 7 de dezembro)
que o PIB brasileiro cravará
2,5% no primeiro semestre e 4,5%
no segundo. No ano, 3,5%. Que é
a média anual do Plano Real.
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