TIMBAÚBA
Muniz
denuncia
"perseguição"Quinze dias depois de se
ver diante de um pedido de
licença parlamentar para ser
processado por crime de
responsabilidade pelo Tribunal de
Justiça, e depois de uma
intimação para devolução de
R$ 1 milhão aos cofres do
município de Timbaúba, o
deputado Gilson Muniz (PSB)
finalmente resolveu falar. Muniz
ocupou, ontem, a tribuna da
Assembléia para se defender,
diante de seus colegas, num
discurso de oito páginas. De
acordo com o deputado, as
acusações que pesam contra ele
são nada mais que
"perseguição
política", promovida por
seus inimigos.
As provas de
sua inocência, segundo disse,
já estão nas mãos de seus
advogados. "Todos os
documentos estão com eles e em
poder da Justiça", afirmou.
Muniz disse que quando se elegeu
prefeito de Timbaúba em 1989,
quebrando "50 anos de
hegemonia da família Ferreira
Lima", sofreu "toda
sorte de perseguição
política". No discurso, o
deputado não se referiu
diretamente às denúncias feitas
contra ele, como o desvio de
dinheiro público para a
construção do Hospital Geral e
Maternidade - de sua propriedade
- ou o superfaturamento desta
obra e de pavimentações de ruas
da cidade.
Segundo Muniz,
o hospital não tem nada a ver
com ele. "Hoje eu nem sei
quem são seus diretores".
Para o parlamentar, as
acusações fazem parte de uma
"armação" do
ex-prefeito de Timbaúba Alfredo
Campos, seu pai e "alguns
desafetos". "Eles
iniciaram uma perseguição
política de natureza
administrativa junto ao TCE.
Utilizaram-se de verba pública
na produção de provas contra
minha pessoa e, ainda, impediram
acesso às provas subtraindo
documentos que comprovariam a
correção dos meus atos".
O deputado
aposta no corporativismo dos
deputados, dizendo que está
certo que seus colegas vão
rejeitar o pedido de
autorização para processá-lo.
"Pois todas a denúncias com
ações criminais e de
ressarcimento são oriundas de um
mesmo processo referente às
contas do período de 1989 a 92,
que não transitou em
julgado".