- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 19 de março de 1998

SUCESSÃO (II)
André de Paula recorre ao TRE contra Arraes e Eurico Andrade

Pela freqüência com que os confrontos entre as bancadas do Governo e da oposição têm ocorrido na Assembléia, qualquer desavisado juraria que a campanha já começou. Ontem à tarde, o deputado André de Paula (presidente regional do PFL) anunciou que ingressara, na Justiça Eleitoral, com uma representação contra o governador Miguel Arraes (PSB) e o diretor de Apoio à Comunicação do Estado, jornalista Eurico Andrade. Ele acusa ambos de "abuso de autoridade". Segundo André, o Governo assumiu o papel de partido político ao contratar uma pesquisa eleitoral ao instituto Vox Populi, cuja veiculação em jornais de circulação local e nacional, também teria sido paga com verbas públicas.

Na representação, ele anexa um recorte do jornal Correio Braziliense, do dia 15 de fevereiro, onde o próprio jornal destaca que as pesquisas (no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco e Rio Grande do Sul) "foram encomendadas pelos governos dos Estados". André também acusa o Governo de difundir, camuflado em sua propaganda institucional, o slogan de uma futura campanha de Arraes à reeleição, amparado em declarações de Eurico Andrade a O Estado de São Paulo, no domingo (15), nas quais admite ser "inevitável que os anúncios este ano tenham a ver com a campanha eleitoral". Os gastos com propaganda, segundo André, vão atingir o "astronômico" valor de R$ 29,5 milhões. Por isso, pede a suspensão liminar da propaganda institucional, e se a denuncia for julgada procedente, que a aplicação da lei das inelegibilidades.

Na opinião do líder do Governo, Pedro Eurico (PSB), tudo não passa de "discurso eleitoreiro", pois, a propaganda institucional "está dentro dos limites da lei", que permite gastar até 10% dos recursos orçamentários. "Estamos bem abaixo disso", ressalta. Com relação à pesquisa, afirma que "o ônus da prova, cabe a quem acusa", e de sua parte, não ter informações sobre quem pagou a enquete. Mesmo afirmando que seu objetivo é evitar prejuízos aos cofres públicos, o presidente do PFL termina admitindo que seu gesto "tem rebate eleitoral porque se trata de ações entre partidos".


     

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