PREVIDÊNCIA
Governo
arma estratégia para garantir
reformaBRASÍLIA - A
pressão dos deputados da base
aliada ao Governo deu resultado:
a Caixa Econômica Federal (CEF)
vai liberar R$ 600 milhões nos
meses de março e abril para
repassar às prefeituras
beneficiadas pelas emendas
parlamentares do Orçamento de
1997. O valor foi anunciado pelo
presidente da Caixa, Sérgio
Cutolo, logo depois de participar
de reunião da tropa de choque do
Governo na residência do
ministro das Comunicações,
Sérgio Motta. Cutolo prometeu
empenho para sanar as
reclamações da base
parlamentar, o que vem emperrando
a votação da reforma da
Previdência na Câmara.
"Vamos
procurar resolver esses
problemas, em alguns casos há
exageros técnicos", afirmou
o presidente da Caixa. Segundo
ele, a Caixa poderá fazer um
desembolso maior de recursos
nestes dois meses, porque o
cronograma de repasse aos
convênios estava atrasado.
"Os projetos do Orçamento
de 1997 só foram aprovados no
final de 97 e começamos a
liberar os recursos este ano;
além disso, não posso atropelar
o cronograma dos projetos",
justificou ele. Cutolo disse que
a primeira cota foi de R$ 37
milhões. Até o fim de março,
estão previstos R$ 300 milhões
e em abril, mais R$ 300 milhões.
A Caixa
tornou-se a vilã da reforma
previdenciária desde que o
líder do PTB, Paulo Heslander
(MG), resolver divulgar as
dificuldades que enfrentava em
sua bancada para convencer os
parlamentares a votar com o
Governo na reforma. Cerca de R$
10 milhões que atenderiam às
emendas do PTB estavam presos na
Caixa. "Está difícil votar
essa reforma porque o PTB não
teve nenhuma emenda
liberada", afirmou
Heslander, na reunião da casa de
Motta. Cutolo quis saber o nome
dos deputados que reclamavam.
"Todos", respondeu
Heslander. A reclamação não
ficou restrita ao PTB. Todos
expuseram as dificuldades em suas
bancadas. Estavam presentes
representantes do PFL, do PSDB,
PPB, PMDB, o relator da reforma,
Arnaldo Madeira (PSDB-SP), e o
ministro da Previdência,
Reinhold Stephanes.
CONSTITUINTE
- A proposta de instalação
da constituinte restrita em 1999
foi aprovada ontem na comissão
especial da Câmara dos
Deputados, criada para discutir o
projeto. Foram 20 votos a favor e
três contra. O projeto ainda
será submetido a duas votações
no plenário, antes de ser
enviado ao Senado. Se aprovada na
duas Casas, a proposta ainda
será submetida a consulta
popular (plebiscito) em outubro.
Se os eleitores não aprovarem a
proposta, a constituinte restrita
não será instalada.
O projeto é do
deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) e
tem o apoio do Governo. Pela
proposta, os deputados e
senadores eleitos em outubro
(além dos 54 senadores eleitos
em 1994) se reunirão
unicameralmente de 1º de
fevereiro a 31 de dezembro de
1999 para revisar pontos
específicos da Constituição,
como reforma tributária e
fiscal, do pacto federativo e da
reforma político-partidária.