RELIGIOSIDADE
Santo
renova esperança de agricultores
Da
Sucursal
CARUARU -
Os agricultores do Agreste
passarão o dia de hoje com os
olhos voltados para o céu à
espera de chuva. O gesto é
repetido todos os anos no dia 19
de março, dedicado a São José.
De acordo com a tradição, caso
as chuvas aconteçam, o inverno
será satisfatório. Nem mesmo a
possibilidade de uma longa
estiagem, que já assusta vários
municípios no Agreste, faz com
que o agricultor fique
desanimado. Agarrado à crença,
ele renova a fé através de
procissões e rezas para que o
santo mande a esperada chuva.
Na zona rural
de Caruaru, os barreiros ainda
guardam um pouco d'água,
acumulada com as últimas chuvas
ocorridas em fevereiro deste ano.
Apesar dos riachos secos, os
agricultores não deixam de lado
a tradição. "Hoje é dia
de plantar milho para colher no
São João", afirma José
Heleno Moraes, 74 anos, morador
do Sítio Capim, distante 10
quilômetros da cidade. Em sua
comunidade está programado um
terço na pequena capela que leva
o nome de santo, além da queima
de uma fogueira, que será acesa
às 18h, como manda a tradição.
As cerimônias
religiosas não se resumem apenas
à zona rural. Na igreja de São
José, no bairro Petrópolis,
desde o início da semana
acontece uma novena em homenagem
a São José. No domingo está
programada uma procissão para as
16h, percorrendo as ruas do
bairro. Consciente de que a chuva
é um fenômeno meteorológico, e
não concessão do santo, como
muitos acreditam, o frei Nunes,
da Ordem Franciscana Menor
Capuchinho, espera que a ciência
se engane sobre o "El
Niño". "Tomara que as
graças de Deus ultrapassem a
ciência", torce o
religioso.
Os índices
pluviométricos registrados nos
últimos nove anos pela Emater,
no entanto, contestam a
tradição. Nesse período,
apenas no ano de 1990, choveu em
Caruaru durante o Dia de São
José, e, para desespero dos
agricultores, neste mesmo ano
choveu apenas 335 mm, índice
abaixo da média anual de chuvas
registradas no Agreste, que chega
a 600 mm. Apesar de não terem
tido chuva, os anos de 89, 92, 94
e 97 registram índices acima da
média pluviométrica da região.
"Pelo levantamento que
temos, não existe nenhuma base
científica que comprove essa
crença, mas a fé do nordestino
é sempre mas forte",
reconhece Fábio César,
agrônomo da Emater.