PAIXÃO (II)
Pimentel
volta a montar sua Paixãopor SÉRGIO ROBERTO
LIMA
Durante 19
anos, o ator José Pimentel
viveu, morreu e ressuscitou o
Cristo na montagem de Nova
Jerusalém. Quando ele teve a
idéia de encenar a Paixão de
Cristo no mesmo local onde se
desenrola a paixão de
multidões, o estádio do Arruda,
houve quem não apostasse na sua
idéia. Um ano e muitos elogios
depois da empreitada, ele sabe
que boa parte de seu calvário
já foi vencido.
Um público de
70 mil pessoas em 97 e as grandes
expectativas para o evento deste
ano confirmam que a encenação
no estádio do Arruda deu certo.
E mostra sinais de que quer
crescer. A capacidade de
público, por exemplo, aumentou
de 15 mil para 25 mil pessoas por
noite, graças a um recuo dos
palcos. Para emocionar tanta
gente, a direção vai lançar
mão de um canhão de raio laser
multicolorido, muito gelo seco e
outros recursos técnicos. O
mecanismo mais mirabolante será
o que vai deslocar José Pimentel
a uma altura de 32 metros na
perpendicular durante a cena da
ressureição de Cristo.
Os números da
Paixão de Cristo recifense
impressionam tanto quanto os do
espetáculo do semi-árido.
Principalmente se levarmos em
conta que a montagem está apenas
começando. São 600 atores e
figurantes - incluindo 200
crianças - (no total, o número
de pessoas envolvidas chega a 1
mil), contracenando em nove
palcos. Custo total: R$ 1
milhão. Isso mesmo, quantia
igual à que se gasta para
colocar em ação a cidade
cenográfica de Fazenda Nova.
PERNAMBUCANIDADE
- Uma das características da
Paixão de Cristo do Recife que
os produtores fazem questão de
destacar, em provocação à
atuação de atores da Rede Globo
em Fazenda Nova, é a
pernambucanidade do elenco
principal. "Todos são
pernambucanos ou radicados no
estado", frisa Pimentel. A
modelo Gisele Tigre (Maria
Madalena), os atores Geison
Wallace (o Bom Ladrão), Reinaldo
de Oliveira (Herodes), Geninha da
Rosa Borges (Marta), Vanda
Phaelante (Maria), Carlos
Carvalho (Judas), entre outros,
são alguns exemplos que vão
estrelar na montagem.
E o rasgo de
regionalismo não fica por aí. A
cena do bacanal de Herodes vai
ter a participação do grupo de
dança folclórica Daruê Malungo
da comunidade de Chão de
Estrelas. Já no famoso clamor de
Cristo "Vinde a mim as
criancinhas...", 200
crianças carentes do Lar Fabiano
de Cristo, todos vestidos com
suas próprias roupas, vão
entrar em cena.
Toda essa
produção já fez com que a
Paixão de Cristo do Recife se
firmasse no calendário de
eventos da Semana Santa no
estado. E isso deve durar um bom
tempo, a julgar pelo pedaço de
papel pendurado no quadro de
avisos do escritório de
Pimentel, onde se vêem as datas
em que vai cair a Semana Santa
até o ano 2000.