- - - -- - - - - - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 19 de março de 1998

PAIXÃO (II)
Pimentel volta a montar sua Paixão

por SÉRGIO ROBERTO LIMA

Durante 19 anos, o ator José Pimentel viveu, morreu e ressuscitou o Cristo na montagem de Nova Jerusalém. Quando ele teve a idéia de encenar a Paixão de Cristo no mesmo local onde se desenrola a paixão de multidões, o estádio do Arruda, houve quem não apostasse na sua idéia. Um ano e muitos elogios depois da empreitada, ele sabe que boa parte de seu calvário já foi vencido.

Um público de 70 mil pessoas em 97 e as grandes expectativas para o evento deste ano confirmam que a encenação no estádio do Arruda deu certo. E mostra sinais de que quer crescer. A capacidade de público, por exemplo, aumentou de 15 mil para 25 mil pessoas por noite, graças a um recuo dos palcos. Para emocionar tanta gente, a direção vai lançar mão de um canhão de raio laser multicolorido, muito gelo seco e outros recursos técnicos. O mecanismo mais mirabolante será o que vai deslocar José Pimentel a uma altura de 32 metros na perpendicular durante a cena da ressureição de Cristo.

Os números da Paixão de Cristo recifense impressionam tanto quanto os do espetáculo do semi-árido. Principalmente se levarmos em conta que a montagem está apenas começando. São 600 atores e figurantes - incluindo 200 crianças - (no total, o número de pessoas envolvidas chega a 1 mil), contracenando em nove palcos. Custo total: R$ 1 milhão. Isso mesmo, quantia igual à que se gasta para colocar em ação a cidade cenográfica de Fazenda Nova.

PERNAMBUCANIDADE - Uma das características da Paixão de Cristo do Recife que os produtores fazem questão de destacar, em provocação à atuação de atores da Rede Globo em Fazenda Nova, é a pernambucanidade do elenco principal. "Todos são pernambucanos ou radicados no estado", frisa Pimentel. A modelo Gisele Tigre (Maria Madalena), os atores Geison Wallace (o Bom Ladrão), Reinaldo de Oliveira (Herodes), Geninha da Rosa Borges (Marta), Vanda Phaelante (Maria), Carlos Carvalho (Judas), entre outros, são alguns exemplos que vão estrelar na montagem.

E o rasgo de regionalismo não fica por aí. A cena do bacanal de Herodes vai ter a participação do grupo de dança folclórica Daruê Malungo da comunidade de Chão de Estrelas. Já no famoso clamor de Cristo "Vinde a mim as criancinhas...", 200 crianças carentes do Lar Fabiano de Cristo, todos vestidos com suas próprias roupas, vão entrar em cena.

Toda essa produção já fez com que a Paixão de Cristo do Recife se firmasse no calendário de eventos da Semana Santa no estado. E isso deve durar um bom tempo, a julgar pelo pedaço de papel pendurado no quadro de avisos do escritório de Pimentel, onde se vêem as datas em que vai cair a Semana Santa até o ano 2000.


     

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