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ARTIGO
Cúpula
das Américas
por JOÃO
CARLOS PAES MENDONÇA*
Chega a ser
ambicioso o Plano de Ação
celebrado em Santiago do Chile
pelos líderes de 34 nações
americanas (faltou Cuba),
reunidos na II Cúpula das
Américas. De um lado, há o
aporte de nada desprezível cifra
de 45,6 milhões de dólares, que
representa o volume de recursos
disponíveis em agências
multilaterais de desenvolvimento,
como BIRD, BID e USAID, à
disposição dos países da
Latino-América, a parte pobre do
continente, para projetos em
áreas específicas, de forma a
melhorar as suas condições
sociais e prepará-los para, em
2005, começarem a se unir aos
Estados Unidos e Canadá para
compor a Área de Livre Comércio
das Américas. A ALCA deverá ser
o principal bloco econômico no
início do próximo milênio, com
800 milhões de habitantes, PIB
de 10 trilhões de dólares, e um
fantástico potencial de
produção de alimentos.
Do outro lado,
há a imensa tarefa a ser feita
par que este objetivo possa ser
concretizado, considerando-se as
diferenças de capacidade
econômica versus necessidades
sociais que separam os futuros
membros da ALCA.
As maiores
preocupações e, por
conseqüência, a maior soma de
recursos ora disponibilizados,
estão nos campos da
infra-estrutura, especialmente
transportes e telecomunicações;
de promoção social das
populações pobres, incluindo os
projetos de combate à fome e
desnutrição, apoio às pequenas
e médias empresas e a área de
saúde; e da educação, onde se
objetiva que, até 2010, todas as
crianças e três quartos dos
adolescentes do continente
estejam nas escolas.
Não é pouco o
que se tem que fazer e os
recursos são certamente
insuficientes. Entretanto,
obviamente ninguém espera que
nesses poucos anos os países
latino-americanos, cada um dos
quais com grandes problemas a
equacionar, possam ter um
crescimento milagroso a ponto de
se nivelarem com os padrões de
bem-estar material que os Estados
Unidos e o Canadá já atingiram.
O que se pretende é diminuir os
óbices sociais e preparar as
economias nacionais para
conviverem e se beneficiarem do
livre comércio com o gigante
americano.
Certamente que
a ALCA interessa aos Estados
Unidos. Hoje, a América Latina
já absorve 40% das suas
exportações e as vantagens de
um mercado regional integrado
são óbvias. Para os
latino-americanos e,
particularmente para o Nordeste
do Brasil, muitas oportunidades
podem surgir a partir do momento
em que existam condições
privilegiadas e liberdade no
comércio com um mercado
extraordinariamente grande e
diversificado. Mas, para que se
possa tornar possível essa
idéia, será preciso afastar o
medo que temos todos nós
latinos, economias relativamente
pequenas e periféricas, de
estarmos apenas colocando nossa
cabeça no cepo do carrasco.
A ALCA só pode
se justificar como um instrumento
de desenvolvimento econômico e
bem-estar social para as
populações de todos os países
das Américas. Isto tem que estar
bem claro para os futuros
membros, inclusive para o maior
deles. Portanto, é bom que tenha
prevalecido a posição
brasileira de que a integração
dos mercados comece a acontecer a
partir de 2005, em vez de até
2005 como queriam os americanos.
Assim, haverá maior tempo de
preparação interna de cada um
dos futuros membros, governos e
empresas, e de polimento das
arestas. É o tempo necessário
para que sejam aperfeiçoados os
instrumentos da integração e
para que se afaste não só os
medos de países e pessoas ainda
não acostumadas à liberdade de
mercado, mas os riscos de que a
integração venha a se confundir
com "entregação".
*João
Carlos Paes Mendonça é
Presidente do Grupo Bompreço e
do Sistema Jornal do Commercio de
Comunicação
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