- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - - - - - -_-Jornal do Commercio - Recife, 22 de abril de 1998

FOME
Exército vetará saques de alimentos

BRASÍLIA - Soldados do Exército serão convocados para vigiar os armazéns da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no Nordeste, numa tentativa de evitar saques de alimentos pelos flagelados da seca, a pior dos últimos anos. Esses alimentos são para as cestas básicas, distribuídas pelo Programa Comunidade Solidária. Os armazéns começaram a ser saqueados na semana passada por causa da estiagem e do desemprego.

Uma reunião entre dirigentes do Comando do Exército no Nordeste e superintendentes estaduais da Conab deverá definir, esta semana, como será a atuação dos soldados. Além da guarda dos armazéns, o Exército deverá escoltar o transporte das cestas básicas dos pólos regionais de distribuição (PRD) da Conab até os municípios contemplados pelo Programa. Ainda nesta semana, a Defesa Civil deverá indicar para a Comunidade Solidária a relação dos municípios em estado de calamidade pública, para que haja uma distribuição emergencial de alimentos.

Técnicos da Conab informam que o Exército foi acionado na semana passada, após a invasão de uma armazém em Afogados da Ingazeira, em Pernambuco, de onde foram levadas 17,5 toneladas de alimentos, e houve até tiros. Os técnicos afirmam que a situação de fome é crítica e a Conab, o braço operacional do Programa Comunidade Solidária, só aguarda a relação dos municípios para começar a distribuição emergencial de cestas.

O gerente-substituto do Departamento de Apoio Técnico da diretoria de programas institucionais e sociais da Conab, Ivan Moreira da Silva, disse que muitos municípios estão pedindo antecipação da distribuição de alimentos para evitar saques ao comércios. Ele garante que a Conab tem condições de atender essa situação de emergência utilizando os estoques, suficientes para duas ou três etapas de distribuição do Prodea (programa de distribuição emergencial de alimentos).

Dados da Conab indicam que há hoje cerca de 70 mil toneladas de alimentos estocados para a distribuição de cestas básicas, formadas por cinco produtos: arroz, feijão, flocos de milho, farinha de mandioca e mandioca. Cerca de 1,7 milhão de famílias são atendidas por mês, em 1.352 municípios. No ano passado, o programa atendeu 903 acampamentos de sem-terra e 386 aldeias indígenas.

SAFRA - Na Bahia, a safra de feijão está praticamente perdida por causa da seca que castiga os municípios do semi-árido do Estado há dez meses. O local mais afetado pela quebra é a microrregião de Irecê, a 468 quilômetros da capital baiana, conhecida, antes das sucessivas secas, como o maior produtor de feijão do Nordeste. A região é responsável por 70% da produção do Estado. Este ano, os 40 mil produtores da região esperavam colher 120 mil sacas de feijão. Se conseguissem vender a saca por R$ 60,00, faturariam R$ 7,2 milhões. A falta de chuvas atingiu este ano os vinte municípios que formam a microrregião de Irecê, destruindo além do feijão, plantações de mamona, milho, sorgo e algodão.

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