FOME
Exército
vetará saques de alimentosBRASÍLIA -
Soldados do Exército serão
convocados para vigiar os
armazéns da Companhia Nacional
de Abastecimento (Conab) no
Nordeste, numa tentativa de
evitar saques de alimentos pelos
flagelados da seca, a pior dos
últimos anos. Esses alimentos
são para as cestas básicas,
distribuídas pelo Programa
Comunidade Solidária. Os
armazéns começaram a ser
saqueados na semana passada por
causa da estiagem e do
desemprego.
Uma reunião
entre dirigentes do Comando do
Exército no Nordeste e
superintendentes estaduais da
Conab deverá definir, esta
semana, como será a atuação
dos soldados. Além da guarda dos
armazéns, o Exército deverá
escoltar o transporte das cestas
básicas dos pólos regionais de
distribuição (PRD) da Conab
até os municípios contemplados
pelo Programa. Ainda nesta
semana, a Defesa Civil deverá
indicar para a Comunidade
Solidária a relação dos
municípios em estado de
calamidade pública, para que
haja uma distribuição
emergencial de alimentos.
Técnicos da
Conab informam que o Exército
foi acionado na semana passada,
após a invasão de uma armazém
em Afogados da Ingazeira, em
Pernambuco, de onde foram levadas
17,5 toneladas de alimentos, e
houve até tiros. Os técnicos
afirmam que a situação de fome
é crítica e a Conab, o braço
operacional do Programa
Comunidade Solidária, só
aguarda a relação dos
municípios para começar a
distribuição emergencial de
cestas.
O
gerente-substituto do
Departamento de Apoio Técnico da
diretoria de programas
institucionais e sociais da
Conab, Ivan Moreira da Silva,
disse que muitos municípios
estão pedindo antecipação da
distribuição de alimentos para
evitar saques ao comércios. Ele
garante que a Conab tem
condições de atender essa
situação de emergência
utilizando os estoques,
suficientes para duas ou três
etapas de distribuição do
Prodea (programa de
distribuição emergencial de
alimentos).
Dados da Conab
indicam que há hoje cerca de 70
mil toneladas de alimentos
estocados para a distribuição
de cestas básicas, formadas por
cinco produtos: arroz, feijão,
flocos de milho, farinha de
mandioca e mandioca. Cerca de 1,7
milhão de famílias são
atendidas por mês, em 1.352
municípios. No ano passado, o
programa atendeu 903 acampamentos
de sem-terra e 386 aldeias
indígenas.
SAFRA -
Na Bahia, a safra de feijão
está praticamente perdida por
causa da seca que castiga os
municípios do semi-árido do
Estado há dez meses. O local
mais afetado pela quebra é a
microrregião de Irecê, a 468
quilômetros da capital baiana,
conhecida, antes das sucessivas
secas, como o maior produtor de
feijão do Nordeste. A região é
responsável por 70% da
produção do Estado. Este ano,
os 40 mil produtores da região
esperavam colher 120 mil sacas de
feijão. Se conseguissem vender a
saca por R$ 60,00, faturariam R$
7,2 milhões. A falta de chuvas
atingiu este ano os vinte
municípios que formam a
microrregião de Irecê,
destruindo além do feijão,
plantações de mamona, milho,
sorgo e algodão.
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