- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - - - - - ---Jornal do Commercio - Recife, 22 de abril de 1998

MANIFESTAÇÃO

Comunidade luta contra privatização de parque

Moradores do município do Cabo de Santo Agostinho, distante 30 quilômetros do Recife, reiniciaram uma nova batalha em defesa do Parque Metropolitano da cidade, cedido pela Empresa Suape ao grupo controlador do Hotel Caesar Park, por um período de 99 anos. Ontem pela manhã, eles realizaram um ato público na PE-60, criticando a colocação de guarita na estrada de acesso às praias de Suape, Calhetas e Paraíso, além da vila de Nazaré, dentro do parque. "É um absurdo, é a privatização de uma área pública", afirma o coordenador da Associação Ecológica de Cooperação Social (Ecos), Maurício Laxe.

Amanhã haverá outro protesto na Câmara dos Vereadores do Cabo. Segundo Maurício Laxe, os visitantes terão de pagar R$ 2,00 para ultrapassar a guarita e ter acesso ao Parque Armando Holanda Cavalcanti. A imprensa não teve autorização para entrar no hotel. O projeto turístico do Caesar Park compreende uma área de 156 hectares, dos quais, 117 (58%) pertencem ao Estado. 25% dos 117 hectares é tombado como patrimônio histórico. Além do hotel de luxo, os empreendedores pretendem construir três restaurantes, um parque aquático, um clube náutico e um condomínio de casas residenciais.

Importante área de preservação ambiental, o parque é constituído de manguezais, 200 espécies de fauna e por uma parte da história do Brasil. Historiadores defendem que o navegador espanhol Vincent Yañes Pinzón esteve por lá três meses antes de Pedro Álvares Cabral aportar na Bahia e "descobrir" o Brasil. "É o primeiro parque ecológico estadual, criado em 1979 pelo decreto 5554", diz Maurício Laxe. A área foi tombada pelo decreto estadual 17.070/93. Para o ambientalista, a cessão do parque, através de contrato assinado em dezembro de 1989, é irregular.

DOSSIÊ - "O Estado deveria assumir o papel de preservar o patrimônio histórico, ambiental e cultural do Cabo de Santo Agostinho". Uma carta aberta e um dossiê foram entregues aos deputados estaduais, denunciando a privatização do parque. As comissões de Meio Ambiente e de Cidadania da Assembléia Legislativa estão convocando audiência pública para discutir o assunto, no início de maio. "Nem a Prefeitura do Cabo, nem a Assembléia Legislativa foram consultadas sobre o contrato de cessão", diz Laxe.

Pelo contrato, a empresa Prefasa (Empreendimentos e Construções Ltda), que controla o Caesar Park, tem prioridade para comprar o imóvel cedido por Suape. Na época, o valor foi estipulado em 0,84 BTN (Bônus do Tesouro Nacional) por metro quadrado, ou o novo referencial de atualização monetária que substituir o BTN. No parque, onde aconteceram batalhas contra holandeses, existem sete fortificações e ruínas de igreja. "Queremos a permanência das famílias na área", diz Maria de Jesus Alves, da Associação dos Moradores de Nazaré. "Essa guarita é um absurdo", completa a moradora Odete Gomes.


     

Índice | Editorial | Política | Brasil | Internacional | Cidades | Ciência/Meio Ambiente | Esportes | Economia |
Caderno C | Informática | Turismo | Charge | Colunas | Regional | Veículos | Família | Especiais

Últimas Notícias | JC Debate | Roteiro | Weekend | Bate-papo | Tábua de Marés
Fale com o JC | Links | Classificados | Rádio Jornal| Edições Anteriores | Assinantes