MANIFESTAÇÃO
Comunidade
luta contra privatização de
parqueMoradores do município
do Cabo de Santo Agostinho,
distante 30 quilômetros do
Recife, reiniciaram uma nova
batalha em defesa do Parque
Metropolitano da cidade, cedido
pela Empresa Suape ao grupo
controlador do Hotel Caesar Park,
por um período de 99 anos. Ontem
pela manhã, eles realizaram um
ato público na PE-60, criticando
a colocação de guarita na
estrada de acesso às praias de
Suape, Calhetas e Paraíso, além
da vila de Nazaré, dentro do
parque. "É um absurdo, é a
privatização de uma área
pública", afirma o
coordenador da Associação
Ecológica de Cooperação Social
(Ecos), Maurício Laxe.
Amanhã haverá
outro protesto na Câmara dos
Vereadores do Cabo. Segundo
Maurício Laxe, os visitantes
terão de pagar R$ 2,00 para
ultrapassar a guarita e ter
acesso ao Parque Armando Holanda
Cavalcanti. A imprensa não teve
autorização para entrar no
hotel. O projeto turístico do
Caesar Park compreende uma área
de 156 hectares, dos quais, 117
(58%) pertencem ao Estado. 25%
dos 117 hectares é tombado como
patrimônio histórico. Além do
hotel de luxo, os empreendedores
pretendem construir três
restaurantes, um parque
aquático, um clube náutico e um
condomínio de casas
residenciais.
Importante
área de preservação ambiental,
o parque é constituído de
manguezais, 200 espécies de
fauna e por uma parte da
história do Brasil.
Historiadores defendem que o
navegador espanhol Vincent Yañes
Pinzón esteve por lá três
meses antes de Pedro Álvares
Cabral aportar na Bahia e
"descobrir" o Brasil.
"É o primeiro parque
ecológico estadual, criado em
1979 pelo decreto 5554", diz
Maurício Laxe. A área foi
tombada pelo decreto estadual
17.070/93. Para o ambientalista,
a cessão do parque, através de
contrato assinado em dezembro de
1989, é irregular.
DOSSIÊ -
"O Estado deveria assumir o
papel de preservar o patrimônio
histórico, ambiental e cultural
do Cabo de Santo Agostinho".
Uma carta aberta e um dossiê
foram entregues aos deputados
estaduais, denunciando a
privatização do parque. As
comissões de Meio Ambiente e de
Cidadania da Assembléia
Legislativa estão convocando
audiência pública para discutir
o assunto, no início de maio.
"Nem a Prefeitura do Cabo,
nem a Assembléia Legislativa
foram consultadas sobre o
contrato de cessão", diz
Laxe.
Pelo contrato,
a empresa Prefasa
(Empreendimentos e Construções
Ltda), que controla o Caesar
Park, tem prioridade para comprar
o imóvel cedido por Suape. Na
época, o valor foi estipulado em
0,84 BTN (Bônus do Tesouro
Nacional) por metro quadrado, ou
o novo referencial de
atualização monetária que
substituir o BTN. No parque, onde
aconteceram batalhas contra
holandeses, existem sete
fortificações e ruínas de
igreja. "Queremos a
permanência das famílias na
área", diz Maria de Jesus
Alves, da Associação dos
Moradores de Nazaré. "Essa
guarita é um absurdo",
completa a moradora Odete Gomes.