- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - - - - - ---Jornal do Commercio - Recife, 22 de abril de 1998

SAÚDE

Sífilis aumenta óbitos entre crianças

por VERONICA ALMEIDA

Pelo menos 53 crianças morreram em Pernambuco, nos últimos três anos, vítimas da sífilis que herdaram de suas mães. Antiga doença infecciosa - há notícia de casos até mesmo na época das expedições de Cristóvão Colombo pelas Américas -, a sífilis se dissemina nas relações sexuais sem preservativo e contamina os bebês durante a gestação, com 40% de chance de matá-los. O risco da perpetuação do mal cresce, na atualidade, na medida em que existem subnotificação de casos e retardo do tratamento.

O assunto estará em debate, a partir das 19h de hoje, no Memorial de Medicina de Pernambuco, durante o Seminário Estadual de Sífilis Congênita, que deve reunir 150 médicos e enfermeiros. O encontro é promovido pela Secretaria de Saúde do Estado. "Queremos sensibilizar os profissionais para a importância do diagnóstico precoce e atualizá-los sobre as formas de tratamento", explica o coordenador do Programa Estadual de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids, sanitarista François Figueiroa. Segundo ele, é injustificável estar às vésperas de um novo milênio com a incidência alta de uma doença que pode ser tratada e evitada.

Pernambuco e o resto do Brasil desconhecem a incidência precisa da sífilis por falta de notificação. Em 1996, o Ministério da Saúde determinou uma maior vigilância, uma busca dos casos da forma congênita nos serviços de atendimento materno-infantil. Em Pernambuco, o teste da sífilis (VDRL) é feito em nove hospitais e maternidades públicas, geralmente em mulheres admitidas para pré-natal, parto ou por causa de aborto. Depois dessas medidas, a notificação de casos aumentou e caiu o registro de mortes. Em 95, por exemplo, havia 11 casos e 33 mortes. No ano seguinte foram 20 óbitos e 33 doentes. Em 97, houve 111 notificações.

Segundo estimativas do Ministério da Saúde, de cada mil crianças que nascem vivas no Brasil, 24 têm sífilis congênita. A meta é reduzir, nos próximos dois anos, a incidência para menos de um caso por cada mil bebês nascidos.

Relatórios parciais de seis grupos de investigação apontam que de 20 mil gestantes submetidas ao teste, em Pernambuco, o índice de resultado positivo variou de 2,29% a 4,85%. A pediatra Geisy Lima, chefe da Unidade Neonatal do Instituto Materno-Infantil de Pernambuco (Imip), constata uma incidência de 4,5% a 5% entre as 500 mulheres que dão entrada, por mês, no Imip, para ter neném. Mas, segundo ela, a Organização Mundial de Saúde estima ser de 10% a 15% o percentual de mulheres grávidas com sífilis em países em desenvolvimento. Estudos também apontam que 85% dos filhos de mães com sífilis vão desenvolver a doença.

Para fazer o controle, a Secretaria de Saúde do Estado quer ampliar a vigilância para todas as maternidades.


     

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