SAÚDE
Sífilis
aumenta óbitos entre criançaspor VERONICA ALMEIDA
Pelo menos 53
crianças morreram em Pernambuco,
nos últimos três anos, vítimas
da sífilis que herdaram de suas
mães. Antiga doença infecciosa
- há notícia de casos até
mesmo na época das expedições
de Cristóvão Colombo pelas
Américas -, a sífilis se
dissemina nas relações sexuais
sem preservativo e contamina os
bebês durante a gestação, com
40% de chance de matá-los. O
risco da perpetuação do mal
cresce, na atualidade, na medida
em que existem subnotificação
de casos e retardo do tratamento.
O assunto
estará em debate, a partir das
19h de hoje, no Memorial de
Medicina de Pernambuco, durante o
Seminário Estadual de Sífilis
Congênita, que deve reunir 150
médicos e enfermeiros. O
encontro é promovido pela
Secretaria de Saúde do Estado.
"Queremos sensibilizar os
profissionais para a importância
do diagnóstico precoce e
atualizá-los sobre as formas de
tratamento", explica o
coordenador do Programa Estadual
de Doenças Sexualmente
Transmissíveis e Aids,
sanitarista François Figueiroa.
Segundo ele, é injustificável
estar às vésperas de um novo
milênio com a incidência alta
de uma doença que pode ser
tratada e evitada.
Pernambuco e o
resto do Brasil desconhecem a
incidência precisa da sífilis
por falta de notificação. Em
1996, o Ministério da Saúde
determinou uma maior vigilância,
uma busca dos casos da forma
congênita nos serviços de
atendimento materno-infantil. Em
Pernambuco, o teste da sífilis
(VDRL) é feito em nove hospitais
e maternidades públicas,
geralmente em mulheres admitidas
para pré-natal, parto ou por
causa de aborto. Depois dessas
medidas, a notificação de casos
aumentou e caiu o registro de
mortes. Em 95, por exemplo, havia
11 casos e 33 mortes. No ano
seguinte foram 20 óbitos e 33
doentes. Em 97, houve 111
notificações.
Segundo
estimativas do Ministério da
Saúde, de cada mil crianças que
nascem vivas no Brasil, 24 têm
sífilis congênita. A meta é
reduzir, nos próximos dois anos,
a incidência para menos de um
caso por cada mil bebês
nascidos.
Relatórios
parciais de seis grupos de
investigação apontam que de 20
mil gestantes submetidas ao
teste, em Pernambuco, o índice
de resultado positivo variou de
2,29% a 4,85%. A pediatra Geisy
Lima, chefe da Unidade Neonatal
do Instituto Materno-Infantil de
Pernambuco (Imip), constata uma
incidência de 4,5% a 5% entre as
500 mulheres que dão entrada,
por mês, no Imip, para ter
neném. Mas, segundo ela, a
Organização Mundial de Saúde
estima ser de 10% a 15% o
percentual de mulheres grávidas
com sífilis em países em
desenvolvimento. Estudos também
apontam que 85% dos filhos de
mães com sífilis vão
desenvolver a doença.
Para fazer o
controle, a Secretaria de Saúde
do Estado quer ampliar a
vigilância para todas as
maternidades.