- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - - - - - ---Jornal do Commercio - Recife, 22 de abril de 1998

SAÚDE III
Parceiros se recusam a realizar o tratamento

Cerca de 31% das crianças que nasceram com sífilis, no ano passado, em Pernambuco, eram filhas de mulheres jovens: com idade entre 10 e 29 anos. Dessas, um terço tinha menos de 20 anos e muitas estavam iniciando a atividade sexual. Além de se deparar com uma doença grave na juventude, elas enfrentam a resistência do parceiro, que nem sempre aceita fazer o tratamento.

M.F.L., 26 anos, é uma das vítimas. Está internada na maternidade do Instituto Materno Infantil de Pernambuco (Imip), acompanhando o seu bebê que nasceu com sífilis. Ela ficou sabendo que era portadora do problema durante o pré-natal. "Ele não quis fazer o exame, nem iniciar o tratamento, e a gente se separou", conta.

A adolescente F.S.S., de 15 anos, não teve a chance de alertar o namorado. Ele a abandonou quando soube da gravidez. A garota não entende bem a doença, mas já se convenceu da importância do tratamento. "O bebê pode até ficar surdo se não for tratado".

Convencer o casal e principalmente o pai é um dos maiores desafios dos médicos. A pediatra Geisy Lima, chefe da Unidade Neonatal do Imip, constata isso na prática. Quando a sífilis é diagnosticada na mãe e no bebê, ela chama o pai para uma conversa.

"Explicamos os danos que ele pode sofrer e o risco de reinfecção da mulher", conta. Segundo ela, a não-adesão acontece muitas vezes por ser um tratamento doloroso, com injeção de penicilina. Associa-se a isso o fato de a doença não manifestar sintomas na fase inicial, o que dá uma falsa sensação de saúde perfeita.

Desde a criação da maternidade, em 1987, o Imip faz o teste de sífilis em todas as gestantes admitidas no serviço. Foi criada também uma enfermaria com oito leitos onde as mães ficam internadas no pós-parto se tratado e aguardando o tratamento do recém-nascido. Uma forma de evitar a transmissão da sífilis nas relações sexuais é usar preservativo, a camisinha. Ela também protege contra outras doenças, como clamídia, candidíase e aids. Vale lembrar que a presença de infecções nos órgãos genitais também favorece a penetração do HIV, daí a importância de se manter saudável.


     

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