SAÚDE III
Parceiros
se recusam a realizar o
tratamentoCerca de 31% das
crianças que nasceram com
sífilis, no ano passado, em
Pernambuco, eram filhas de
mulheres jovens: com idade entre
10 e 29 anos. Dessas, um terço
tinha menos de 20 anos e muitas
estavam iniciando a atividade
sexual. Além de se deparar com
uma doença grave na juventude,
elas enfrentam a resistência do
parceiro, que nem sempre aceita
fazer o tratamento.
M.F.L., 26
anos, é uma das vítimas. Está
internada na maternidade do
Instituto Materno Infantil de
Pernambuco (Imip), acompanhando o
seu bebê que nasceu com
sífilis. Ela ficou sabendo que
era portadora do problema durante
o pré-natal. "Ele não quis
fazer o exame, nem iniciar o
tratamento, e a gente se
separou", conta.
A adolescente
F.S.S., de 15 anos, não teve a
chance de alertar o namorado. Ele
a abandonou quando soube da
gravidez. A garota não entende
bem a doença, mas já se
convenceu da importância do
tratamento. "O bebê pode
até ficar surdo se não for
tratado".
Convencer o
casal e principalmente o pai é
um dos maiores desafios dos
médicos. A pediatra Geisy Lima,
chefe da Unidade Neonatal do
Imip, constata isso na prática.
Quando a sífilis é
diagnosticada na mãe e no bebê,
ela chama o pai para uma
conversa.
"Explicamos
os danos que ele pode sofrer e o
risco de reinfecção da
mulher", conta. Segundo ela,
a não-adesão acontece muitas
vezes por ser um tratamento
doloroso, com injeção de
penicilina. Associa-se a isso o
fato de a doença não manifestar
sintomas na fase inicial, o que
dá uma falsa sensação de
saúde perfeita.
Desde a
criação da maternidade, em
1987, o Imip faz o teste de
sífilis em todas as gestantes
admitidas no serviço. Foi criada
também uma enfermaria com oito
leitos onde as mães ficam
internadas no pós-parto se
tratado e aguardando o tratamento
do recém-nascido. Uma forma de
evitar a transmissão da sífilis
nas relações sexuais é usar
preservativo, a camisinha. Ela
também protege contra outras
doenças, como clamídia,
candidíase e aids. Vale lembrar
que a presença de infecções
nos órgãos genitais também
favorece a penetração do HIV,
daí a importância de se manter
saudável.