- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - - - - - ---Jornal do Commercio - Recife, 22 de abril de 1998

SAÚDE IV
Doença herdada dos pais mata em 40% dos casos

Silenciosa nos adultos, a sífilis é extremamente agressiva nas crianças. Enquanto os pais podem passar até 15 anos sem danos graves visíveis, os filhos que herdaram o mal podem morrer em 40% dos casos, desenvolver uma complicação séria no início da vida ou ficar com seqüelas.

Na sua tese de mestrado, a pediatra Geisy Lima, do Instituto Materno-Infantil Materno Infantil de Pernambuco, concluiu que a grande maioria das crianças manifestam os sintomas no fim do primeiro ou segundo mês após o nascimento. Esses primeiros sinais podem ser anemia, icterícia e inchaço no corpo que denuncia problema renal.

A criança também pode ter inflamação no coração e pulmão, chegando à morte. Também há casos de cegueira, surdez e retardo mental provocado pela doença. A surdez, no entanto, acontece mais tardiamente. Pode aparecer até 20 anos depois.

"Quanto antes o diagnóstico, melhor", alerta Geisy Lima. Os bebês filhos de mães com sífilis que nascem com a bactéria são tratados durante dez dias com penicilina. O tratamento tem que ser feito no hospital. O ideal, no entanto, é impedir a contaminação da criança, tratando a infecção da mãe e do pai.

Geisy lembra que uma mulher grávida com sífilis é suscetível ao aborto. Também há chance de o bebê nascer morto ou prematuro, antes do tempo previsto. Nos adultos, a primeira manifestação da doença só é visível no homem, com surgimento de feridas no pênis. Na mulher, essa lesão aparece internamente na vagina ou no útero.


     

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