CLIMA
Nordeste
terá pior seca do séculoSÃO JOSÉ DOS
CAMPOS, SP - O Nordeste vai
enfrentar uma das piores secas do
século. A previsão é do Centro
de Previsão do Tempo e Estudos
Climáticos (CPtec), órgão do
Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais (Inpe). A estação
chuvosa, que deveria continuar
até o final de maio, terminou
dois meses antes. De acordo com o
diretor do CPtec, Carlos Nobre,
"esse quadro de déficit
hídrico é dos mais severos do
século".
As
informações estão em
relatório enviado pelo Inpe ao
governo federal. Os
meteorologistas têm acompanhado
o desenvolvimento do quadro
climático e da estiagem na
região. A direção do instituto
apresentou a avaliação
preliminar para o Nordeste em 17
de dezembro de 97. Na ocasião,
reuniram-se em Brasília os
ministérios da Ciência e
Tecnologia, do Meio Ambiente, e
as secretarias de Assuntos
Estratégicos e de Políticas
Regionais.
O período
entre fevereiro e maio é o mais
chuvoso do Nordeste. Nestes
quatro meses, as médias de
precipitação são de 400 a 500
milímetros, mais de 70% da
média pluviométrica anual,
estimada em 700 milímetros.
Pelos cálculos do CPtec, a
estação chuvosa terminou antes
e até o momento os índices
médios não alcançaram os 200
milímetros. "Com certeza
será uma das cinco maiores
estiagens dos últimos cem
anos", comentou Nobre.
A grande
estiagem é provocada por um
efeito combinado entre o El Niño
e o Oceano Atlântico. A falta de
chuvas nesta região é
determinada, principalmente,
pelas condições da superfície
do Atlântico. Para permitir a
formação de nuvens de chuva no
norte do Nordeste, o oceano
precisaria estar frio em sua
porção norte e quente, no sul.
No entanto, as águas nos dois
hemisférios estão com suas
temperaturas acima do normal.
De acordo com
Nobre, esse quadro climático
favorece o predomínio dos
efeitos do El Niño. A anomalia
impede que o bolsão de nuvens
situados na faixa equatorial do
Atlântico desça até o trópico
e provoque as chuvas. As
precipitações que ainda estão
ocorrendo são muito irregulares
e mal distribuídas. Isto
colabora para o agravamento do
quadro de seca.