- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - - - - - -- --Jornal do Commercio - Recife, 22 de abril de 1998

CLIMA
Nordeste terá pior seca do século

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS, SP - O Nordeste vai enfrentar uma das piores secas do século. A previsão é do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPtec), órgão do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A estação chuvosa, que deveria continuar até o final de maio, terminou dois meses antes. De acordo com o diretor do CPtec, Carlos Nobre, "esse quadro de déficit hídrico é dos mais severos do século".

As informações estão em relatório enviado pelo Inpe ao governo federal. Os meteorologistas têm acompanhado o desenvolvimento do quadro climático e da estiagem na região. A direção do instituto apresentou a avaliação preliminar para o Nordeste em 17 de dezembro de 97. Na ocasião, reuniram-se em Brasília os ministérios da Ciência e Tecnologia, do Meio Ambiente, e as secretarias de Assuntos Estratégicos e de Políticas Regionais.

O período entre fevereiro e maio é o mais chuvoso do Nordeste. Nestes quatro meses, as médias de precipitação são de 400 a 500 milímetros, mais de 70% da média pluviométrica anual, estimada em 700 milímetros. Pelos cálculos do CPtec, a estação chuvosa terminou antes e até o momento os índices médios não alcançaram os 200 milímetros. "Com certeza será uma das cinco maiores estiagens dos últimos cem anos", comentou Nobre.

A grande estiagem é provocada por um efeito combinado entre o El Niño e o Oceano Atlântico. A falta de chuvas nesta região é determinada, principalmente, pelas condições da superfície do Atlântico. Para permitir a formação de nuvens de chuva no norte do Nordeste, o oceano precisaria estar frio em sua porção norte e quente, no sul. No entanto, as águas nos dois hemisférios estão com suas temperaturas acima do normal.

De acordo com Nobre, esse quadro climático favorece o predomínio dos efeitos do El Niño. A anomalia impede que o bolsão de nuvens situados na faixa equatorial do Atlântico desça até o trópico e provoque as chuvas. As precipitações que ainda estão ocorrendo são muito irregulares e mal distribuídas. Isto colabora para o agravamento do quadro de seca.


     

Índice | Editorial | Política | Brasil | Internacional | Cidades | Ciência/Meio Ambiente | Esportes | Economia |
Caderno C | Informática | Turismo | Charge | Colunas | Regional | Veículos | Família | Especiais

Últimas Notícias | JC Debate | Roteiro | Weekend | Bate-papo | Tábua de Marés
Fale com o JC | Links | Classificados | Rádio Jornal| Edições Anteriores | Assinantes