- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 22 de abril de 1998

SUCROALCOOLEIRO
Canavieiro quer recursos do Promata

Os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE) recebem, hoje às 11h, representantes do setor sucroalcooleiro, que vão pedir a diminuição das exigências do Banco do Estado de Pernambuco (Bandepe) para concessão de créditos. De acordo com o Promata (Programa de desenvolvimento sustentável para a Zona da Mata), há pelo menos R$ 10 milhões no Bandepe para ajudar os plantadores de cana.

Segundo Gérson Carneiro Leão, presidente do Sindicato dos Cultivadores de Cana de Pernambuco, o TCE exigiu do Bandepe que não liberasse crédito para os inadimplentes. Essa decisão trouxe um problema para os plantadores, já que quase todos estão endividados em algum banco público, seja no Banco do Brasil ou até mesmo no Bandepe.

"Dos empréstimos feitos ano passado pelo Bandepe, 30% dos beneficiados não puderam pagar em dia. No Banco do Brasil há dívidas antigas, algumas em protesto. Este ano já tivemos novo prejuízo por conta do El Niño, que aumentou o período de seca. Os fornecedores não recebem e não pagam aos trabalhadores, que não consomem nas cidades, sacrificando o comércio dos municípios", explica Gerson Carneiro Leão, mostrando o efeito-dominó que atinge a economia da Zona da Mata.

PROTESTO - Mas a tentativa de alcançar os créditos via TCE é apenas o começo de uma movimentação conjunta entre prefeitos e vereadores da Zona da Mata Sul, sindicatos, clubes de serviços, empresários e sociedade em geral. Eles prometem juntar dez mil pessoas no Ginásio Portelão, em Palmares, na próxima sexta-feira, a partir das 20h. A convocação está sendo feita pelos jornais, rádios e TV, numa tentativa de mobilizar todo dependente da economia canavieira para forçar novas soluções, além do Pró Mata.

Segundo Gerson Carneiro Leão, os articuladores do movimento pretendem votar propostas de fechamento do comércio nas cidades da Mata Sul, de interrupção de rodovias da região e formas de pressionar a bancada pernambucana no Congresso Nacional.

"O exemplo de comportamento ideal foi a situação de três anos atrás do cacau na Bahia, que foi resolvida após a intervenção do senador Antônio Carlos Magalhães, que conseguiu R$ 300 milhões em créditos a fundo perdido e salvou o setor", reclama Carneiro Leão. "Não precisamos de tanto nem pedimos subsídios, apenas um atendimento rápido, porque a situação econômica está complicando a questão social na região", ressalta.

Na Região Nordeste, desde a supersafra de 87, já foram cortados cerca de 100 mil empregos diretos no setor, segundo estudo do Sindicato dos Cultivadores de Cana do Estado. Vinte e um milhões de toneladas deixaram de ser produzidas anualmente, num prejuízo de R$ 500 milhões a cada safra.


     

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