SUCROALCOOLEIRO
Canavieiro
quer recursos do PromataOs conselheiros do
Tribunal de Contas do Estado
(TCE) recebem, hoje às 11h,
representantes do setor
sucroalcooleiro, que vão pedir a
diminuição das exigências do
Banco do Estado de Pernambuco
(Bandepe) para concessão de
créditos. De acordo com o
Promata (Programa de
desenvolvimento sustentável para
a Zona da Mata), há pelo menos
R$ 10 milhões no Bandepe para
ajudar os plantadores de cana.
Segundo Gérson
Carneiro Leão, presidente do
Sindicato dos Cultivadores de
Cana de Pernambuco, o TCE exigiu
do Bandepe que não liberasse
crédito para os inadimplentes.
Essa decisão trouxe um problema
para os plantadores, já que
quase todos estão endividados em
algum banco público, seja no
Banco do Brasil ou até mesmo no
Bandepe.
"Dos
empréstimos feitos ano passado
pelo Bandepe, 30% dos
beneficiados não puderam pagar
em dia. No Banco do Brasil há
dívidas antigas, algumas em
protesto. Este ano já tivemos
novo prejuízo por conta do El
Niño, que aumentou o período de
seca. Os fornecedores não
recebem e não pagam aos
trabalhadores, que não consomem
nas cidades, sacrificando o
comércio dos municípios",
explica Gerson Carneiro Leão,
mostrando o efeito-dominó que
atinge a economia da Zona da
Mata.
PROTESTO -
Mas a tentativa de alcançar os
créditos via TCE é apenas o
começo de uma movimentação
conjunta entre prefeitos e
vereadores da Zona da Mata Sul,
sindicatos, clubes de serviços,
empresários e sociedade em
geral. Eles prometem juntar dez
mil pessoas no Ginásio
Portelão, em Palmares, na
próxima sexta-feira, a partir
das 20h. A convocação está
sendo feita pelos jornais,
rádios e TV, numa tentativa de
mobilizar todo dependente da
economia canavieira para forçar
novas soluções, além do Pró
Mata.
Segundo Gerson
Carneiro Leão, os articuladores
do movimento pretendem votar
propostas de fechamento do
comércio nas cidades da Mata
Sul, de interrupção de rodovias
da região e formas de pressionar
a bancada pernambucana no
Congresso Nacional.
"O exemplo
de comportamento ideal foi a
situação de três anos atrás
do cacau na Bahia, que foi
resolvida após a intervenção
do senador Antônio Carlos
Magalhães, que conseguiu R$ 300
milhões em créditos a fundo
perdido e salvou o setor",
reclama Carneiro Leão.
"Não precisamos de tanto
nem pedimos subsídios, apenas um
atendimento rápido, porque a
situação econômica está
complicando a questão social na
região", ressalta.
Na Região
Nordeste, desde a supersafra de
87, já foram cortados cerca de
100 mil empregos diretos no
setor, segundo estudo do
Sindicato dos Cultivadores de
Cana do Estado. Vinte e um
milhões de toneladas deixaram de
ser produzidas anualmente, num
prejuízo de R$ 500 milhões a
cada safra.