ÍNDIOS
V
Jovem
índia prefere freqüentar a
escola a sonhar com um maridoPara as crianças e
adolescentes fulni-ô, a passagem
para a quinta série representa
bem mais do que uma etapa escolar
vencida. Como a escola da aldeia
ensina apenas até a quarta
série, os alunos - aqueles que
têm a sorte de continuar
estudando - são obrigados a se
matricular no centro de Águas
Belas, um local visto com
reservas pelos índios. O
primeiro contato social
"oficial" com os
brancos gera apreensão. Os
fulni-ô temem enfrentar
preconceitos.
A adolescente
Thyniá, 18 anos, cursa a oitava
série de um dos maiores
colégios do município. Segundo
ela, as índias são motivo de
riso entre as meninas de sua
faixa etária, que as vêem como
pessoas sujas pelo fato de
morarem numa aldeia. "No
começo, ficava quieta e não
fazia nada quando elas mexiam
comigo. Hoje, pergunto se está
acontecendo algo errado".
Betânia, 13
anos, filha de Txiá, termina a
quarta série este ano, e diz
sentir um misto de medo e
curiosidade em relação à sua
mudança de escola. "Acho
que eles não vão mexer com a
gente, afinal moramos ao lado
deles", diz. Outro fato de
apreensão e orgulho para as
meninas fulni-ô são os ritos
cerimôniais por que passam
durante a adolescência.
"Antes de menstruar, ficamos
num grupo, pois só a partir da
primeira menstruação somos
consideradas mulheres. As virgens
também ficam separadas daquelas
que já tiveram relação
sexual", explica Thyniá.
Para ela, as
índias que preferem namorar
brancos não valorizam os
costumes dos fulni-ô.
"Namorei um garoto branco e
ele logo ficou com outra menina,
também branca. Até hoje tenho
mágoa dele". Tanto ela
quanto suas amigas não pensam em
casar, e sim continuar estudando,
"para arrumar emprego".
A gravidez precoce, que é
constante na tribo, também é
temida por Thyniá. (F.M.)