- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 22 de abril de 1998

ENSINO

Aulas de informática reforçam currículo de Medicina na UFPE

por FABÍOLA VIRGINIA
fabiolav@yahoo.com

Numa pequena sala do Hospital das Clínicas, mais exatamente no terceiro andar do prédio, funciona um laboratório de informática. Nada de anormal, se o local não fosse, na verdade, uma sala de aula, onde é ministrada a disciplina Informática na Saúde. Criada oficialmente em 1997, a matéria é oferecida aos alunos do 3º e 7º períodos de medicina da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). "A área de saúde tem um volume muito grande de informações, tanto para serem sistematizadas como para serem descobertas. Essa cadeira quer, além de mostrar para os alunos o potencial da informática, despertar o interesse pelas pesquisas", declara Magdala Novaes, professora titular da matéria.

O programa da disciplina aborda desde conceitos básicos de informática até a utilização da Internet como fonte de pesquisas. Além disso, os alunos aprendem a elaborar prontuários eletrônicos e participam de simulações clínicas, onde são apresentados os comportamentos que devem ser assumidos pelo médico diante de um determinado quadro. "A informática vai ser mais um instrumento de trabalho para nós, futuros médicos. Sua prática vai facilitar e muito as nossas atividades", acredita Eduardo de Queiroz, aluno do 3º período.

Outra vantagem apontada pelos estudantes é a possibilidade de troca de informações entre acadêmicos e profissionais da área. Segundo Débora Bunzen, também do 3º período, "discutir com outros colegas o quadro clínico que você está analisando é muito importante, pois pode te ajudar na escolha da melhor solução. A Internet agiliza essa comunicação".

AMPLIAÇÃO - Antes da inclusão da disciplina na grade curricular de medicina, ela já era oferecida desde 1995 como curso de extensão. "Foi necessário operar uma mudança de cultura nos professores, já que eles estavam adaptados a um esquema estabelecido. Discutimos muito com os departamentos e diretorias para poder implantar a matéria, mas hoje a aceitação é grande", afirma a professora.

No laboratório, funcionam dez computadores 486, ligados em rede e conectados com a Internet. "Ainda é muito pouco. Trabalhamos com 18 alunos por turma, no maior sufoco. Os planos de ampliação já existem, mas é preciso obter recursos, principalmente humanos", ressalta. A UFPE abriu concurso para contratar um professor assistente. "Queremos montar uma equipe multidisciplinar, o que vai enriquecer ainda mais a matéria", explica Magdala.

A utilidade da disciplina pode ser comprovada na prática diária dos alunos. "Muitos dos conhecimentos que adquiri nesta cadeira eu aplico em outras. Com as informações que a professora nos passa, vamos pesquisar sobre cardiologia, por exemplo, no caminho certo", diz Amanda Morais, aluna do 3º período. Amanda afirma também que diminuíram as distâncias. "Hoje, posso consultar revistas científicas estrangeiras, que antes eram inacessíveis para mim", revela. O intercâmbio é outro resultado apresentado pela disciplina. "Além de usar softwares desenvolvidos pelos alunos, trocamos alguns programas com o Núcleo de Informática e Biomédicas da Universidade de Campinas", completa Magdala Novaes.


 

 

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