ENSINO
Aulas de informática reforçam
currículo de Medicina na UFPEpor FABÍOLA VIRGINIA
fabiolav@yahoo.com
Numa pequena
sala do Hospital das Clínicas,
mais exatamente no terceiro andar
do prédio, funciona um
laboratório de informática.
Nada de anormal, se o local não
fosse, na verdade, uma sala de
aula, onde é ministrada a
disciplina Informática na
Saúde. Criada oficialmente em
1997, a matéria é oferecida aos
alunos do 3º e 7º períodos de
medicina da Universidade Federal
de Pernambuco (UFPE). "A
área de saúde tem um volume
muito grande de informações,
tanto para serem sistematizadas
como para serem descobertas. Essa
cadeira quer, além de mostrar
para os alunos o potencial da
informática, despertar o
interesse pelas pesquisas",
declara Magdala Novaes,
professora titular da matéria.
O programa da
disciplina aborda desde conceitos
básicos de informática até a
utilização da Internet como
fonte de pesquisas. Além disso,
os alunos aprendem a elaborar
prontuários eletrônicos e
participam de simulações
clínicas, onde são apresentados
os comportamentos que devem ser
assumidos pelo médico diante de
um determinado quadro. "A
informática vai ser mais um
instrumento de trabalho para
nós, futuros médicos. Sua
prática vai facilitar e muito as
nossas atividades", acredita
Eduardo de Queiroz, aluno do 3º
período.
Outra vantagem
apontada pelos estudantes é a
possibilidade de troca de
informações entre acadêmicos e
profissionais da área. Segundo
Débora Bunzen, também do 3º
período, "discutir com
outros colegas o quadro clínico
que você está analisando é
muito importante, pois pode te
ajudar na escolha da melhor
solução. A Internet agiliza
essa comunicação".
AMPLIAÇÃO -
Antes da inclusão da disciplina
na grade curricular de medicina,
ela já era oferecida desde 1995
como curso de extensão.
"Foi necessário operar uma
mudança de cultura nos
professores, já que eles estavam
adaptados a um esquema
estabelecido. Discutimos muito
com os departamentos e diretorias
para poder implantar a matéria,
mas hoje a aceitação é
grande", afirma a
professora.
No
laboratório, funcionam dez
computadores 486, ligados em rede
e conectados com a Internet.
"Ainda é muito pouco.
Trabalhamos com 18 alunos por
turma, no maior sufoco. Os planos
de ampliação já existem, mas
é preciso obter recursos,
principalmente humanos",
ressalta. A UFPE abriu concurso
para contratar um professor
assistente. "Queremos montar
uma equipe multidisciplinar, o
que vai enriquecer ainda mais a
matéria", explica Magdala.
A utilidade da
disciplina pode ser comprovada na
prática diária dos alunos.
"Muitos dos conhecimentos
que adquiri nesta cadeira eu
aplico em outras. Com as
informações que a professora
nos passa, vamos pesquisar sobre
cardiologia, por exemplo, no
caminho certo", diz Amanda
Morais, aluna do 3º período.
Amanda afirma também que
diminuíram as distâncias.
"Hoje, posso consultar
revistas científicas
estrangeiras, que antes eram
inacessíveis para mim",
revela. O intercâmbio é outro
resultado apresentado pela
disciplina. "Além de usar
softwares desenvolvidos pelos
alunos, trocamos alguns programas
com o Núcleo de Informática e
Biomédicas da Universidade de
Campinas", completa Magdala
Novaes.