- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 22 de abril de 1998
 


PEOPLE NET
Sandra Carvalho

Internautas negros sofrem com divisão racial na rede mundial

Pesquisa feita por estudiosos da Universidade de Vanderbilt, nos Estados Unidos, acaba de trazer à tona a discussão sobre a divisão racial na comunidade cibernética. É cada vez mais fundo o abismo que separa cidadãos internautas negros de brancos.

Os pesquisadores alertam que se os negros têm menos acesso à revolução da informação promovida pela rede, certamente também terão maiores dificuldades de conseguir bons empregos.

PODER - Isto principalmente na terra natal do computador, onde a Internet já está bastante popularizada e mesmo pequenas empresas exigem dos seus candidatos conhecimentos aprofundados sobre o assunto. Que os brancos americanos detêm maior poder aquisitivo que os negros, isto não é novidade.

Mas o mais relevante da pesquisa é quando ela questiona estudantes, de igual nível social. 73% dos estudantes brancos têm um computador em casa, contra 32% dos estudantes negros. Um número considerável de negros já usa a Internet (cerca de 5.2 milhões), mas se comparado ao de brancos, é quase nada: 40 milhões.

INTERESSE - Outro dado interessante é que mesmo quando os brancos não possuem computador, eles são cinco vezes mais interessados em usar a rede que os internautas negros. Eles recorrem às bibliotecas, centros comunitários e mesmo aos cybercafés.

"Alguns especialistas acreditam que a razão está na adaptação mais rápida dos brancos à cultura digital. Mas os pesquisadores rebatem furiosos dizendo que não é uma questão de interesse (claro!), mas de oportunidade. O governo norte-americano, bem como toda a sociedade, segundo eles, devem forçar a baixa de preços nos computadores e o oferecimento mais amplo do acesso à Internet nas comunidades de baixa renda daquele país.

IE X Netscape

Bill Gates deve estar rindo à toa com a nova pesquisa realizada pela companhia Inteco. Ela revelou que o browser Internet Explorer e o preferido na Europa. França, Alemanha e Inglaterra têm mais usuários de IE que do Navigator. Cerca de 60% dos franceses aderiram ao navegador de Gates, seguidos por 54% dos alemães. No ano passado, a porcentagem era de 46% e 51% nestes mesmos países. O presidente da companhia que fez a pesquisa acha que o aumento no número de usuários do Internet Explorer deve-se a maior penetração do Windows NT e 95 no continente e tambem ao aprimoramento do browser. Se cuida Netscape!

Searcher

Quem usa os mecanismos de busca da Web, sabe. Não basta digitar uma palavra para ter nas mãos os endereços certos. Às vezes, o usuário escreve a palavra COPA (querendo informações sobre o campeonato mundial de futebol) e aparece no meio das inúmeras opções, artigos para Copa e cozinha. Uma empresa americana resolveu investir fundo em tecnologia para tornar o searcher mais inteligente e lançou o "The Electronic Monk"". Diferente de todos os serviços de busca, ele funciona como uma espécie de sábio digital. Ao invés de digitar a palavra-chave, o internauta digita uma pergunta (em inglês). Pode ser, por exemplo, "como fazer sopa de cebola?" ou "De que Napoleao morreu?" e, em segundos, voce vai ter uma lista com os sites que deverão responder a sua dúvida. O searcher usa complexa combinação de análise sintática e algoritmos. Ele traduz a pergunta e envia para o Alta Vista, que localiza os sites. O processo e meio complicado, mas o mais importante é saber que os especialistas estão trabalhando na capacidade de respostas cada vez mais específicas por parte dos searches, para felicidade dos internautas. Futuras versões do Eletronic Monk vão ter checagem ortográfica. O site: http://www.eletricmonk.com/

Proteção

O Governo Britânico acaba de declarar que não vai poupar esforços em sua política contra pornografia na rede. Ele pretende plugar mais de 32 mil escolas na Web até o ano 2002, mas já deixou claro que as escolas vão fazer uso de filtros ou outros softwares para evitar o acesso de crianças e adolescentes ao material considerado impróprio, segundo educadores e país.

A fundação francesa Cartier, que promove a arte contemporânea, inaugurou sua primeira instalação na Web. O artista Valery Grancher inovou, usando recursos da rede para fazer o que ele chama de arte dinâmica, interativa e inacabada. A obra, intitulada Alone (sozinho), é uma coletânea de confissões via e-mail de pacientes com AIDS. Centenas de pacientes relataram suas piores experiências com a doença e a reação de pessoas não soro-positivas em relação a eles. Grancher imprimiu cada confissão e solidificou o material com cera, para uma exposição real. A exposição virtual conta com ícones e o visitante pode participar mandando sua mensagem. A obra não para. É uma pena que só está disponível em francês. Mas vale conferir: http://www.imaginet.fr/nomemory/data/alone.htm.

E-mail:sandramega@hotmail.com

 
 

 

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