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NA GRANDE
ÁREA
Armando
Nogueira
A voz
do Chacrinha
Porto Alegre,
meio da semana passada. Olympikus
e Ulbra jogam a terceira da
série "play off" de
vôlei masculino. Por sinal,
vôlei de sonhos. A equipe de
Maurício estava em vantagem:
tinha ganho duas e perdido uma.
Se vence, agora, volta pro Rio
com a taça.
Primeiro set:
dá Ulbra. Segundo set:
Olympikus. Terceiro set:
Olympikus, de novo. No 4º set,
Olympikus, arrasando, chega a
fazer 12 a oito. A equipe da
Ulbra, já nas vascas do
desespero. Faltam três pontinhos
pro Olympikus liquidar a partida.
Agora, do jeito que está a
coisa, é questão de minutos.
A um canto da
quadra, alguém da Confederação
começa a arrumar a mesinha em
cima da qual ia pondo, uma a uma,
as medalhas de campeão. Seriam
entregues aos jogadores do
Olympikus pelo presidente da CBV,
Ari Graça. O Olympikus estava a
um passo do título. Faria 3 a 1
no "play-off" e a conta
estaria fechada.
Eis que chega o
presidente da Federação Gaúcha
de Vôlei: "Que é que há,
amigo? Pra que essa pressa? O
jogo ainda não terminou!"
Mandou o
apressadinho enfiar as medalhas
na sacola e voltou a ver o jogo,
porque muita água ainda haveria
de passar pela ponte...
Mal sentou-se,
o Ulbra já foi virando o placar.
Fecha o set. Agora está tudo
igual, dois a dois. No quinto
set, um "tie-braker" de
arrepiar.
Vitória épica
da Ulbra: três a dois, empate na
série: dois a dois. A decisão,
domingo, consagraria os gaúchos
da Ulbra, campeões brasileiros
com um retumbante 3 a 1, no Rio
de Janeiro.
Por que será
que o homem teima em desafiar os
sortilégios do esporte? Há
sempre alguém, com a cara no
chão porque pretendeu reger a
sina de uma competição.
Quem não se
lembra do Mundial de 50, no
Maracanã? Brasil x Uruguai,
final da Copa. No finalzinho do
jogo, placar de um a um. O empate
dava o título ao Brasil. A
multidão já em delírio,
queimando os fogos da sagração
brasileira. Mais alguns minutos e
estaríamos todos sambando na
avenida Rio Branco.
Lá em cima, na
Tribuna de Honra, a cartolagem
brasileira dá um toque no
presidente da Fifa, o francês
Jules Rimet: "É melhor o
senhor já ir descendo. Demora
até chegar lá embaixo no campo.
Assim, quando o senhor chegar
lá, os jogadores já estarão
esperando..."
"Monsieur"
Jules Rimet pegou a taça, tomou
o elevador, depois, saiu pelos
corredores do Maracanã. No
caminho, perguntou a João Lyra
Filho como era o nome do capitão
brasileiro, a quem pretendia
entregar a taça, dizendo algumas
palavras de exaltação à
conquista histórica.
"O nosso
capitão se chama Augusto",
disse Lyra Filho, dando, ainda de
, três
informações pessoais:
"O
capitão Augusto é branco, tem
um bigode enorme e é
careca!"
Uma vez no
campo, o velhinho Jules Rimet
teve que entregar a taça a um
capitão negro, cabeludo e sem
bigode...
É como vivia
dizendo Chacrinha: "O
programa só acaba quando
termina..."
RÁPIDAS E
RASTEIRAS - Onde chego, há
sempre alguém que me pergunta:
você convocaria o Edmundo?
Respondo como
respondem o Trajano e o Alberto
Helena: sou contra e a favor,
quero e não quero vê-lo na
Seleção. Não tenho dúvidas,
tenho certezas que se alternam:
sim, quando ele faz um belo gol,
não, quando ele apronta uma
arruaça, dentro ou fora do
campo. / / / / / Já em relação
a Júnior Baiano, não tenho
dúvida: jamais o convocaria. O
futebol de Júnior Baiano é mais
encenação que eficiência. Com
a bola nos pés, uma beleza; sem
a bola, tendo que tirá-la do
adversário, no combate direto,
é limitado. Daí a maldição
das tesouras voadoras. Dizem que
Zagalo considera Júnior Baiano
como um filho. Jô Soares sempre
disse: tem pai que é cego... / /
/ / / O charme da Copa do Mundo
saiu na revista Super TV, do JB:
Mônica Waldvogel, com a camisa
da Seleção. Trata-se de uma das
mais brilhantes telejornalistas
que conheço, cujo talento,
certamente, dará maior relevo à
cobertura da Globo na Copa. É
gol de letra, na certa. / / / / /
O leitor Amaro Cortes, que me
escreve via Internet, pergunta,
com uma ponta de ironia, se minha
crítica ao papel do técnico
brasileiro não esconde, em mim,
a frustração de não ser, eu,
um treinador. Ora,
"seu" Amaro. Nunca me
passou pela cabeça semelhante
desejo. A essa altura da vida, o
que eu gostaria de ser mesmo é a
Cássia Eller... / / / / / Não
é por nada, não, mas o vôlei,
feminino e masculino, tal como o
basquete, masculino e feminino,
estão dando um banho no futebol.
São, longe, os melhores
espetáculos esportivos do
momento. Em todos os sentidos:
tecnicamente, táticamente,
éticamente. Como espetáculo,
esses dois esportes estão
deixando o futebol no chinelo.
Bem feito, pro futebol deixar de
ser medíocre, faltoso, viciado,
dentro e fora de campo. / / / / /
Fazer jogo de futebol às 3 e
meia da tarde, quarta-feira, só
mesmo na cabeça da cartolagem
brasileira. Pois assim será no
campeonato nacional. É um jeito
infalível de aumentar ainda mais
o desemprego no País. Neguinho
vai matar o trabalho, uma vez por
semana até ser despedido. / / /
/ / Denílson não é pajé de
Roraima, mas fez chover, domingo,
no jogo São Paulo, 2 x
Palmeiras, 1. / / / / / No Rio, o
medo mais uma vez foi castigado.
Quem manda Joel Santana
aferrolhar o time do Flamengo com
a mediocridade da retranca? O
título da Taça Guanabara está
em boas mãos. O Vasco é, longe,
o melhor time do Rio.
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