CAMPANHA
Panfletos
contam história do marketing
políticoPassada a eleição, o
material de propaganda iria
simplesmente para o lixo, se não
fosse a dedicação de
colecionadores como o escritor
Liêdo Maranhão. Liêdo tem
guardado documentos históricos
de cunho político-eleitoral, que
representam uma página da
história do marketing político
no País. É o caso da cédula de
mil cruzeiros, distribuída em
forma de panfleto e utilizada
para divulgar a campanha do
general Lott à Presidência da
República, em 1960, quando foi
derrotado por Jânio Quadros.
"Antes, as
campanhas eram mais modestas.
Hoje, há todo um interesse
econômico por trás dos
candidatos", afirma Liêdo
Maranhão, que contabiliza cerca
de 200 panfletos em sua
coleção. O mais antigo é de
1935. É uma propaganda de José
Alexandre de Barros Corrêa,
candidato a prefeito de Vitória
de Santo Antão. No panfleto,
José Alexandre gaba-se de ser o
único candidato oficial do PSD,
partido do governador Carlos de
Lima Cavalcanti, que passou sete
anos à frente do governo.
Os panfletos ou
volantes, como diz Liêdo, sempre
foram recursos utilizados pelos
candidatos. "Houve a época
das flâmulas, que as pessoas
penduravam nos quartos e,
também, a dos pratos de parede
para colocar nas salas". Em
sua coleção, Liêdo guarda
flâmulas de Aderbal Jurema e
pratinhos da campanha de Jânio
Quadros à Presidência, em 1960.
De campanhas
mais recentes, Liêdo tem
preciosidades como um panfleto do
comitê previdenciário, sob a
liderança do candidato a
deputado Maurílio Ferreira Lima,
em 1986. "Você ainda lembra
o nome deles?", questionava
o panfleto, numa referência a
pefelistas como Marco Maciel e
Roberto Magalhães, que, segundo
a propaganda, "apoiaram a
ditadura até a última
hora". O panfleto tem um
slogan, impensável hoje:
"Arraes neles!". Hoje,
Maurílio é aliado do PFL e
arquiinimigo do governador Miguel
Arraes (PSB).