GOVERNO
FHC
não negocia escolha de
substituto de MottaMADRI - Mal
desceu do Boeing presidencial
KC-137, em Madri, na Espanha, o
presidente Fernando Henrique fez
questão de mandar um recado para
a sua base de sustentação
política: "Quero deixar bem
claro o seguinte: o ministro das
Comunicações é escolha pessoal
minha. Tem a ver com um processo
importante, técnico, de ordem
econômica, e não está
submetida a nenhuma negociação
de nenhum tipo". O recado
tem o claro objetivo de cortar
especulações, já presentes nos
jornais de ontem, a respeito do
apetite do PFL pelo cargo deixado
vago com a morte de seu titular,
Sérgio Motta.
Mas a mensagem
do presidente parece destinar-se,
igualmente, a evitar o confronto
que se produziu na sua base
política assim que o senador
José Serra (PSDB-SP) foi
designado ministro da Saúde. Os
demais partidos governistas
assanharam-se para abocanhar
cotas de poder, no pressuposto de
que o PSDB ficara fortalecido.
Hoje, o Governo já avalia que o
resultado da reforma foi um
desastre para a sua imagem, ao
explicitar a voracidade dos
aliados. Por isso, FHC quer
evitar que a substituição de
Motta dê origem a outra batalha
interna.
De todo modo, a
substituição de Motta está
razoavelmente definida: haverá
uma espécie de condomínio entre
o presidente do BNDES (Banco
Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social), Luiz Carlos
Mendonça de Barros, e o ministro
interino Juarez Quadros. FHC
indicou essa solução:
"Desde antes da morte do
Sérgio, quem estava
supervisionando (o processo de
privatização das
telecomunicações) era o
Mendonça de Barros, e o interino
que lá está. Ele vai continuar
porque é uma pessoa com muita
afinidade com o programa do
Governo". Ele fez questão
de enfatizar: "A linha da
privatização é minha, é do
Governo".
TRISTEZA -
Durante as dez horas de viagem,
FHC ficou recolhido à área
privada do avião. Pouco antes de
decolar de Recife, onde houve
troca de avião, FHC, com ar
chateado e sombrio, se limitou a
desejar a todos uma boa viagem. A
morte de Motta tomou conta das
primeiras conversas que FHC
manteve ontem com o rei Juan
Carlos I, e o primeiro-ministro
José Maria Aznar.