GOVERNO/ CONGRESSO
Enfarte
mata Luís Eduardo MagalhãesBRASÍLIA - O
líder do Governo na Câmara,
deputado Luís Eduardo Magalhães
(PFL-BA), 43 anos, morreu ontem,
por volta das 20h, cerca de sete
horas depois de sofrer um enfarte
do miocárdio. No início da
tarde, ele foi internado no
Hospital Santa Lúcia, em
Brasília. Antes de morrer - no
mesmo dia que faleceu o
ex-presidente Tancredo Neves, há
13 anos - o deputado foi
submetido a uma angioplastia
(microcirurgia para
desobstrução das artérias do
coração). O procedimento
cirúrgico de emergência estava
sendo coordenado pelo
cardiologista Bernardino
Tranchesi Jr., o mesmo que cuidou
do ministro Sérgio Motta
(Comunicações) até sua morte,
no domingo à noite.
Luís Eduardo
era candidato ao Governo da Bahia
nas eleições de outubro
próximo. Além disso, era
apontado dentro do PFL como o
principal pretendente do partido
à Presidência da República na
eleição de 2002. A morte de
Luís Eduardo foi anunciada pelo
porta-voz do Senado, Fernando
César Mesquita. Ao se aproximar
dos jornalistas, que estavam de
plantão no hospital, ele fez um
sinal de negativo, com o polegar
para baixo. Logo depois, diante
das perguntas dos jornalistas,
confirmou a morte.
O presidente do
Senado, Antônio Carlos
Magalhães (PFL-BA), pai de Luís
Eduardo, disse que ele caminhou
11 quilômetros entre 11h30 e
12h30, mais do que os seis ou
oito quilômetros habituais.
"Hoje, ele achou que estava
mais gordo. Ele tem o hábito de
andar para manter a forma, o que
acho exagerado", disse ACM
à tarde, depois da internação.
O senador
contou que Luís Eduardo começou
a se sentir mal depois que chegou
da caminhada. "Ele tomou
café com leite, como sempre,
sentiu suores e incômodo no
corpo. Telefonou-me e eu percebi
que a voz dele estava diferente.
Ele falou que estava indo para a
Câmara. Eu preferia que ele
viesse para o Santa Lúcia",
disse o senador. ACM afirmou que
o filho ficou muito emocionado
com a morte do ex-ministro
Sérgio Motta, enterrado
anteontem. "Todos nós
sentimos (a morte de Motta), mas
ele sofreu mais porque tinha uma
relação maior do que nós
tínhamos", disse.
Luís Eduardo
fumava dois maços do cigarro
Charm por dia. Era hipertenso e
já havia passado mal quando era
presidente da Câmara (95 a 97),
ocasião em que médicos
detectaram alta taxa de
colesterol. Por recomendação
médica, aos poucos ele vinha
tentando administrar o uso da
bebida. Trocou o uísque por
vinho branco. Passou depois para
vodca sueca e, ultimamente,
contentava-se em tomar champanhe.
O deputado e médico Agnelo
Queiroz (PCdoB-DF), que esteve no
hospital à tarde, afirmou que o
enfarte de Luís Eduardo foi na
área do coração voltada para o
diafragma, segundo lhe relataram
os médicos.
A informação
sobre o enfarte sofrido pelo
líder do Governo, dada pelo
médico José Luiz Veloso, chefe
do Serviço Médico da Câmara,
chegou a ser desmentida por
Antonio Carlos Magalhães. Às
18h, Luís Eduardo já estava
sendo atendido pelo médico
Bernardino Tranchesi Jr., médico
da família, que foi chamado em
São Paulo por ACM.