GOVERNO/ CONGRESSO II
ACM,
abalado, afirma que perdeu a vidaBRASÍLIA - O
presidente do Congresso, Antônio
Carlos Magalhães (PFL-BA), ficou
desesperado ao saber da morte do
filho, Luís Eduardo Magalhães.
"Perdi a minha vida. Por que
não fui eu? Por que o meu
filho?", disse ACM,
chorando, segundo o relato do
senador Francelino Pereira
(PFL-MG). O desabafo foi feito
quando ACM abraçava Francelino,
ainda segundo o senador mineiro,
que saiu do Hospital Santa Lúcia
por volta das 21h.
O
vice-presidente do Supremo
Tribunal Federal, Carlos Velloso,
que deixou o hospital logo
depois, afirmou que ACM havia
sido medicado para controlar o
nervosismo. Segundo Velloso, o
senador estava "em
prantos".
Por volta das
17h15, ACM deu uma entrevista
coletiva e procurou minimizar a
gravidade do enfarte sofrido por
Luís Eduardo. Ele chegou a
desautorizar as declarações do
chefe do Serviço Médico da
Câmara, José Luiz Veloso, o
primeiro a anunciar o enfarte.
"Esse chefe não deve
entender nada de cardiologia. Ele
não tem autoridade para isso,
porque não viu o doente",
disse o senador.
Tentando
amenizar o problema, o senador
ainda fez uma afirmação
contraditória durante a
entrevista: "Não acredito
que tenha sido enfarte. Isso
ainda pode acontecer. Se foi, foi
pequeno". ACM é médico,
formado em 1952 pela Universidade
Federal da Bahia. Antes de ACM, o
porta-voz da presidência do
Senado, Fernando César Mesquita,
havia transmitido a versão da
família, omitindo o enfarte.
"Houve efetivamente um
problema circulatório. A
informação é que a situação
está sob controle e que ele
(Luís Eduardo) está fora de
perigo", disse Mesquita,
pouco depois das 17h.
O próprio
Mesquita, cerca de três horas
depois, anunciou a morte de Luís
Eduardo. Ele se aproximou dos
jornalistas e fez um sinal de
negativo, com o polegar voltado
para baixo.
MOVIMENTAÇÃO
- O anúncio da morte ampliou
a movimentação de políticos no
hospital. O líder do Governo no
Congresso, senador José Roberto
Arruda (PSDB-DF), foi o primeiro
a chegar depois do anúncio.
"Quando eu saí, estava tudo
bem", disse Arruda, pouco
depois das 20h, demonstrando
surpresa. Ele havia estado no
hospital durante a tarde.
"ACM não
tem como se refazer
emocionalmente desta perda. Ele
nunca mais será o mesmo. Todo
pai tem um projeto para o filho e
ACM trabalhou muito para preparar
o projeto político do
filho", disse o senador
Epitácio Cafeteira (PPB-MA).
Cafeteira se referiu ao projeto
de ACM de eleger o filho
governador da Bahia, na próxima
eleição, e presidente da
República, em 2002.
O
vice-presidente Marco Maciel
esteve no hospital mas saiu
minutos antes do anúncio da
morte. Cercado pelos jornalistas,
ele disse apenas que esperava que
tudo acabasse bem. O senador
Íris Rezende (PMDB-GO,
ex-ministro da Justiça, disse
que foi "uma perda
irreparável". "Era um
deputado que prometia muito. É
inconcebível essa perda."