GOVERNO/ CONGRESSO III
Luís
Eduardo estava muito abalado com
a morte de Sérgio MottaBRASÍLIA - Luís
Eduardo Magalhães estava muito
abalado com a morte recente do
ministro Sérgio Motta. Já em
Brasília, durante o jantar de
segunda-feira, ele repetia, a
todo instante, que ninguém
acreditava que Serjão fosse
morrer. "O presidente chorou
comigo. Ou melhor, eu é que
chorei com ele", dizia.
Sem que
ninguém lhe cobrasse, ao
aconselhar um amigo a cuidar
melhor da saúde, reconheceu.
"Tá bom, eu sei. O cigarro
faz mal", concordou. A todo
momento mudava de assunto, mas
voltava ao tema: a morte de
Serjão. Parecia ter comparecido
ao velório e ao enterro como um
observador. Registrou, por
exemplo, a dor do ministro da
Saúde José Serra e de outros
amigos de Serjão. E revelou:
"Eu não dormi de domingo
para segunda, quando soube que
Serjão tinha morrido." Na
despedida, um pito no amigo:
"Não quero saber se a
pressão está baixa ou alta. Eu
me interno com você num spa,
desde que tome vergonha na
cara."
Combinou um
reencontro com amigos na
residência oficial da
presidência do Senado, onde
almoçaria com o pai, o senador
Antônio Carlos Magalhães, e o
amigo e empresário João Carlos
Di Gênio. Avisou, porém, que
só iria depois da caminhada:
"Eu não vou andar com meu
pai e o "professor"
(como ele se referia a Di Gênio)
porque os dois andam muito
devagar."
Por volta da
uma da tarde, o senador, devido
ao forte calor, resolveu entrar
na piscina. Quinze minutos após,
ainda dentro dela, recebeu um
telefonema do filho. Fez a
saudação carinhosa de sempre,
mas franziu a testa e disse:
"Estou indo para lá."
Luís Eduardo
dissera-lhe que estava se
preparando para ir ao seu
encontro, mas começou a
sentir-se mal. Já preocupado,
Antônio Carlos Magalhães disse:
"Para ele me ligar e dizer
que não está bem, é porque
não está bem." Luís
Eduardo informara que estava se
deslocando para o serviço
médico da Câmara. O pai pedira
para ir direto ao Hospital Santa
Lúcia. A curta distância entre
sua casa e o Congresso deve ter
sido uma das viagens mais longas
de sua vida. Ele pedia para o
motorista buscar atalhos. No
serviço médico da Câmara,
antes de qualquer diagnóstico
dos médicos de plantão,
Antônio Carlos, já aos prantos,
balbuciava: "Meu filho está
tendo um enfarte. Estou sentindo
isso. Os sintomas são todos
nesse sentido."