- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 22 de abril de 1998

GOVERNO/ CONGRESSO III
Luís Eduardo estava muito abalado com a morte de Sérgio Motta

BRASÍLIA - Luís Eduardo Magalhães estava muito abalado com a morte recente do ministro Sérgio Motta. Já em Brasília, durante o jantar de segunda-feira, ele repetia, a todo instante, que ninguém acreditava que Serjão fosse morrer. "O presidente chorou comigo. Ou melhor, eu é que chorei com ele", dizia.

Sem que ninguém lhe cobrasse, ao aconselhar um amigo a cuidar melhor da saúde, reconheceu. "Tá bom, eu sei. O cigarro faz mal", concordou. A todo momento mudava de assunto, mas voltava ao tema: a morte de Serjão. Parecia ter comparecido ao velório e ao enterro como um observador. Registrou, por exemplo, a dor do ministro da Saúde José Serra e de outros amigos de Serjão. E revelou: "Eu não dormi de domingo para segunda, quando soube que Serjão tinha morrido." Na despedida, um pito no amigo: "Não quero saber se a pressão está baixa ou alta. Eu me interno com você num spa, desde que tome vergonha na cara."

Combinou um reencontro com amigos na residência oficial da presidência do Senado, onde almoçaria com o pai, o senador Antônio Carlos Magalhães, e o amigo e empresário João Carlos Di Gênio. Avisou, porém, que só iria depois da caminhada: "Eu não vou andar com meu pai e o "professor" (como ele se referia a Di Gênio) porque os dois andam muito devagar."

Por volta da uma da tarde, o senador, devido ao forte calor, resolveu entrar na piscina. Quinze minutos após, ainda dentro dela, recebeu um telefonema do filho. Fez a saudação carinhosa de sempre, mas franziu a testa e disse: "Estou indo para lá."

Luís Eduardo dissera-lhe que estava se preparando para ir ao seu encontro, mas começou a sentir-se mal. Já preocupado, Antônio Carlos Magalhães disse: "Para ele me ligar e dizer que não está bem, é porque não está bem." Luís Eduardo informara que estava se deslocando para o serviço médico da Câmara. O pai pedira para ir direto ao Hospital Santa Lúcia. A curta distância entre sua casa e o Congresso deve ter sido uma das viagens mais longas de sua vida. Ele pedia para o motorista buscar atalhos. No serviço médico da Câmara, antes de qualquer diagnóstico dos médicos de plantão, Antônio Carlos, já aos prantos, balbuciava: "Meu filho está tendo um enfarte. Estou sentindo isso. Os sintomas são todos nesse sentido."


     

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