GOVERNO/ CONGRESSO IV
Morte
de Luiz Eduardo muda rumo da
sucessão na BahiaSALVADOR - O
lançamento da candidatura de
Luís Eduardo Magalhães ao
Governo da Bahia desarticulou a
oposição no Estado. Duas
semanas após ter seu nome
lançado oficialmente para
disputar o Governo, o deputado
começou a "desmontar"
os partidos que fazem oposição
ao PFL na Bahia. O primeiro
impacto causado pela candidatura
do deputado foi a desistência do
pré-candidato do PT ao Governo,
Waldir Pires. Em nota oficial, o
ex-governador e maior adversário
político do senador Antônio
Carlos Magalhães na política
baiana disse que não conseguiu
unir os partidos oposicionistas.
O mesmo argumento foi usado pelo
prefeito de Irecê, Beto Lelis
(PSB), que também era
pré-candidato ao Governo.
Agora, a
sucessão no Estado ganha novos
rumos. Políticos baianos ligados
a ACM disseram que o
ex-governador Paulo Souto (PFL)
tem agora mais possibilidades de
ser o candidato do partido ao
Governo pela segunda vez. Souto
deixou o Governo para se
candidatar ao Senado. A menos de
seis meses para a eleição,
Luís Eduardo Magalhães contava
com o apoio de 389 (93,7%) das
415 prefeituras do Estado,
segundo levantamento realizado
esta semana por partidos que dão
apoio ao Governo.
A intenção de
ACM era a de que seu filho
adquirisse mais experiência
administrativa para participar da
disputa presidencial em 2002. O
lançamento oficial da
candidatura de Luís Eduardo
Magalhães ao governo baiano
aconteceu há pouco mais de um
mês, no Palácio de Ondina
(residência oficial do governo
baiano). Em seu rápido discurso,
Luís Eduardo prometeu dar
continuidade à administração
do ex-governador Paulo Souto
(PFL). "Minha
responsabilidade é muito grande,
pois sou filho do maior e melhor
político brasileiro", disse
o deputado.
HERDEIRO -
"Antônio Carlos Magalhães
perdeu o seu herdeiro
natural", disse o deputado
estadual Paulo Jackson (PT).
"Luís Eduardo Magalhães
era o favorito para ganhar a
eleição e certamente iria
trabalhar para fazer uma
excelente administração",
disse o deputado. Segundo
Jackson, Luís Eduardo somente
teria chances de disputar a
sucessão presidencial se
conseguisse reverter os problemas
sociais do Estado. "A Bahia
é campeã nacional do
desemprego, fome e
analfabetismo."
O deputado
João Henrique Carneiro (PDT)
classificou como uma
"tragédia" a morte de
Luís Eduardo. "O Brasil
perde um grande político. Luís
Eduardo tinha um futuro promissor
e poderia se tornar o primeiro
baiano a ocupar a Presidência da
República." João Henrique
Carneiro é filho do
ex-governador João Durval
Carneiro, adversário político
do senador ACM. Na época em que
governou a Bahia (1983/1987),
João Durval contou com o apoio
de ACM.