GOVERNO/ CONGRESSO V
FHC
perde grande aliado no CongressoBRASÍLIA - Luís
Eduardo Magalhães era o
pefelista mais querido e
respeitado pelo presidente
Fernando Henrique Cardoso. Por
extensão, transformou-se no mais
importante articulador do Governo
dentro da Câmara dos Deputados.
Sua morte deve inviabilizar a
votação da emenda da
Previdência, a última reforma
importante que o Governo esperava
aprovar neste ano.
Luís Eduardo
deu todo o apoio que pôde. Não
admitiu sair do seu posto sem
antes entregar para o presidente
a emenda da reeleição aprovada,
em 28 de janeiro de 97. Ganhou
confiança total do presidente,
por quem era atendido no momento
que desejasse. Os outros
parlamentares enxergavam poder
nessa proximidade.
Acordos
fechados entre o Executivo e o
Legislativo antes de uma
votação importante só tinham
relevância se Luís Eduardo
fosse um dos fiadores. Sua
ausência deve prejudicar os
planos do Planalto de aprovar a
emenda da Previdência Social e
qualquer outro projeto relevante.
O Governo corre contra o tempo.
Neste ano, dois eventos
impedirão o pleno funcionamento
do Congresso no segundo semestre:
a Copa do Mundo da França e a
eleição de 4 de outubro. A
idéia do Planalto era retomar a
votação da emenda da
Previdência na semana que vem.
HERDEIRO -
Luís Eduardo era visto por
alguns governistas como o
substituto natural de Sérgio
Motta, morto no domingo à noite,
nas negociações com a Câmara.
"Ele é o Sérgio Motta
"light", moderado. Não
tem o mesmo contato com o
presidente, mas tem
prestígio", disse, ontem à
tarde, o líder do PFL na
Câmara, deputado Inocêncio
Oliveira (PE), quando Luís
Eduardo ainda estava internado na
UTI.
Para o líder
do PTB na Câmara, Paulo
Heslander (MG), o Governo se
fiava, principalmente, em duas
pessoas para obter sucesso nas
votações na Câmara: Luís
Eduardo e Sérgio Motta. Antes da
notícia da enfermidade e morte
de Luís Eduardo, o líder do PTB
declarou o seguinte: "Agora,
sem o Sérgio Motta, o Governo
ficará perneta na Câmara. Vai
parecer um saci-pererê só com o
Luís Eduardo".
O presidente
FHC enxergava em Luís Eduardo um
dos principais representantes da
ala mais moderna do PFL. Apesar
de ser filho do presidente do
Senado, Antonio Carlos Magalhães
(PFL-BA), o deputado não
carregava, como o pai, até por
causa de sua idade (43 anos), a
pecha de ter sido um dos
sustentáculos do regime militar.
Além disso,
Luís Eduardo se revelou desde
cedo um fiel receptor de
informações do Planalto. Era
raro que uma notícia
confidencial fosse vazada por
intermédio do deputado. Esse
comportamento comedido agradava a
FHC. Luís Eduardo completou 43
anos no último dia 16 de março.
Começou cedo na política, pelas
mãos de seu pai. Com 24 anos, em
79, foi deputado estadual pela
Arena (Aliança Renovadora
Nacional, partido de
sustentação do regime militar)
na Bahia. Formou-se em direito
apenas em 1981, pela Universidade
Federal da Bahia. Até 87, foi
deputado estadual.
Desde então,
esteve sempre na Câmara em
Brasília. Estava no seu terceiro
mandato. A reação de seu pai
ontem, tentando negar a gravidade
da enfermidade, se devia ao fato
de Luís Eduardo ter pela frente
duas campanhas políticas
importantes: uma neste ano e
outra em 2002. ACM praticamente
obrigou Luís Eduardo a disputar
o Gverno da Bahia na eleição de
outubro próximo. O filho
preferiria ficar em Brasília,
seja como deputado ou como
senador. Mas ACM considerava
vital a passagem do filho por uma
função executiva, como forma de
ganhar experiência para 2002.
Nesse ano, o sonho do PFL da
Bahia era eleger Luís Eduardo
presidente da República.