- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 22 de abril de 1998

GOVERNO/ CONGRESSO VII
Em um espaço de 48 horas FHC perdeu dois aliados

BRASÍLIA - Num espaço de apenas 48 horas, o presidente Fernando Henrique perdeu seus braços políticos direito e esquerdo. Com as mortes de Sérgio Motta e de Luís Eduardo Magalhães, o Governo fica sem seus dois principais operadores políticos.

Motta, o trator, operava a relação do Governo com o Congresso, o atendimento dos pleitos dos parlamentares. Assumia a cobrança mais enérgica das responsabilidades do Legislativo. Já Luís Eduardo ditava o ritmo no Congresso, acertando o momento exato de levar à votação as matérias de interesse do Governo e fazendo acordos com os partidos da base governista e com a oposição. Como líder, jamais perdeu uma votação.

A dupla sempre atuou junta e conseguiu aprovar boa parte das reformas constitucionais e a emenda da reeleição. Com a perda dos dois, o Governo dificilmente conseguirá concluir a votação da reforma da Previdência até maio, como estava previsto.

O líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG), não consegue imaginar o que será do Governo e das reformas agora. Ontem, Aécio lembrava que, no meio do velório do ex-ministro das Comunicações Sérgio Motta ontem, Luís Eduardo o puxou pelo braço e levou-o para um canto do Salão Nobre da Assembléia Legislativa de São Paulo. Luís Eduardo estava emocionado com a perda do amigo ministro, mas ao mesmo tempo sabia que aquilo era motivo para que agora trabalhasse ainda mais.

Ignorando as formalidades, começou a tratar com Aécio da pauta para a votação da reforma da Previdência na próxima semana. "Precisamos acertar uma estratégia para a votação dos destaques da reforma da Previdência na semana que vem. Se antes já tínhamos dificuldades, agora teremos ainda mais", disse Luís Eduardo para Aécio. Ontem à noite, Aécio ainda custava a acreditar que toda aquela energia demonstrada algumas horas antes havia se acabado. "As reformas ficaram órfãs, sem Motta e sem Luís Eduardo. Vamos ter que esperar agora passar toda essa perplexidade para ver, com a cabeça fria, o que se poderá fazer", avaliou Aécio.

Nos últimos dias, Luís Eduardo já vinha reclamando com seus amigos no Congresso das imensas dificuldades que tinha para manter o ritmo de votação das reformas. Aprovada a reforma da Previdência em primeiro turno, já era comum se ouvir no Congresso que a disposição dos parlamentares era deixar o restante para ser aprovado somente depois das eleições de outubro. Conciliando a tarefa de líder com o início da sua campanha para governador da Bahia, Luís Eduardo irritava-se em ser às vezes o único líder governista presente em sessões na segunda-feira. Criticava a letargia e a falta de entusiasmo dos seus companheiros.

O deputado Humberto Costa (PT-PE), destacado pelas oposições para negociar a votação da Previdência, reconhece a perda que será para o Governo a morte de Luís Eduardo. "Luís Eduardo sempre procurou honrar os acordos que fazia com a oposição", admite. O deputado Gilney Viana (PT-PA) foi o primeiro deputado de oposição a chegar ao Hospital Santa Lúcia para visitar Luís Eduardo. Gilney faz coro com Humberto Costa. "Com Luís Eduardo, sempre houve respeito pelo PT", disse.

O líder do Governo no Congresso, José Roberto Arruda (PSDB-DF) não conseguia ainda imaginar como o Governo retomará a votação das reformas.

 
     

Índice | Editorial | Política | Brasil | Internacional | Cidades | Ciência/Meio Ambiente | Esportes | Economia |
Caderno C | Informática | Turismo | Charge | Colunas | Regional | Veículos | Família | Especiais

Últimas Notícias | JC Debate | Roteiro | Weekend | Bate-papo | Tábua de Marés
Fale com o JC | Links | Classificados | Rádio Jornal| Edições Anteriores | Assinantes