- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 22 de abril de 1998

ESTIAGEM II
Feijão começa a desaparecer da mesa do sertanejo

CEDRO - Além da escassez de água e da falta de oportunidade de trabalho, um dos maiores problemas criados pela seca deste ano no Sertão é a ausência de feijão na mesa do trabalhador. Os prejuízos causados à agricultura tiveram como primeira conseqüência econômica o aumento do preço do feijão macassar - ou de corda - em alguns casos em mais de cem por cento. Na feira livre de Cedro, domingo passado, o produto simplesmente desapareceu e até nas mercearias e mercadinhos sua ausência era sentida.

O agricultor e comerciante Antonio Mariano do Nascimento, disse que colheu apenas vinte sacas este ano e por isso não vai nem tão cedo colocar o feijão à venda no seu ponto comercial. "Foi um milagre colher os vinte sacas, pois no ano passado a roça de vinte tarefas só rendeu 17 sacas, enquanto a safra de 1994 foi recorde, com 117 sacos, contra uma produção zero registrada em 1996", comentou.

ESPERANDO A FRENTE - Já o produtor rural Manoel Primo da Cruz, 60, que se considera "arruinado" por causa da seca, afirmou que em roças plantadas com uma área de mais de dez hectares, colheu apenas três sacas de feijão. "Gastei R$ 950,00 e não sei se o que colhi vale R$ 50,00", disse Cruz. "Estou esperando a emergência para conseguir algum dinheiro, do contrário, não tenho como sobreviver", confessou. (M.F.)


     

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