ESTIAGEM II
Feijão
começa a desaparecer da mesa do
sertanejoCEDRO - Além da
escassez de água e da falta de
oportunidade de trabalho, um dos
maiores problemas criados pela
seca deste ano no Sertão é a
ausência de feijão na mesa do
trabalhador. Os prejuízos
causados à agricultura tiveram
como primeira conseqüência
econômica o aumento do preço do
feijão macassar - ou de corda -
em alguns casos em mais de cem
por cento. Na feira livre de
Cedro, domingo passado, o produto
simplesmente desapareceu e até
nas mercearias e mercadinhos sua
ausência era sentida.
O agricultor e
comerciante Antonio Mariano do
Nascimento, disse que colheu
apenas vinte sacas este ano e por
isso não vai nem tão cedo
colocar o feijão à venda no seu
ponto comercial. "Foi um
milagre colher os vinte sacas,
pois no ano passado a roça de
vinte tarefas só rendeu 17
sacas, enquanto a safra de 1994
foi recorde, com 117 sacos,
contra uma produção zero
registrada em 1996",
comentou.
ESPERANDO A
FRENTE - Já o produtor rural
Manoel Primo da Cruz, 60, que se
considera "arruinado"
por causa da seca, afirmou que em
roças plantadas com uma área de
mais de dez hectares, colheu
apenas três sacas de feijão.
"Gastei R$ 950,00 e não sei
se o que colhi vale R$
50,00", disse Cruz.
"Estou esperando a
emergência para conseguir algum
dinheiro, do contrário, não
tenho como sobreviver",
confessou. (M.F.)