TRAGÉDIA
Incêndio
se alastra em Roraima e provoca a
primeira vítima fatalBOA VISTA
- O incêndio em Roraima, que
estava centralizado no Centro e
Norte do Estado, está se
espalhando e já atingiu duas
reservas florestais, sendo uma
delas na Região Sul, nas
proximidades do Amazonas. Ontem,
mais cem bombeiros da Venezuela
integraram o grupo de 350
soldados brasileiros e argentinos
que estão combatendo o fogo.
Amanhã, devem chegar a Roraima
52 bombeiros de Minas Gerais que
atuarão principalmente em
Apiaú, a região mais atingida
pelo incêndio. Uma criança de
três meses morreu com problemas
respiratórios, na madrugada
passada, em Boa Vista.
Diante do
avanço do fogo, a comissão que
coordena as ações dos bombeiros
de Brasília, Roraima, Argentina
e Venezuela resolveu utilizar
dois helicópteros para jogar
água em cima dos focos mais
intensos nas florestas, onde o
acesso é quase impossível por
via terrestre. "Os trabalhos
realizados até agora eram feitos
manualmente, mas com a
participação dos helicópteros
o combate ao fogo será
melhor", afirma o general
Luiz Edmundo Maia de Carvalho,
coordenador da comissão formada
por representantes das Forças
Armadas, Governo do Estado e
Defesa Civil.
O trabalho dos
350 bombeiros do Distrito
Federal, Roraima e da 7ª Brigada
de Infantaria de Selva (BIS)
será reforçado, hoje, com a
chegada de 30 soldados do Comando
Militar da Amazônia e mais 52
bombeiros de Minas Gerais. Os cem
bombeiros da Venezuela estão
trabalhando na Serra de
Pacaraima, ao Norte do Estado,
onde o fogo avança em sentido a
Santa Elena, cidade venezuelana
na fronteira com o Brasil. O fogo
também aumentou na localidade de
Boqueirão, onde está localizada
uma das maiores malocas dos
índios wapixana.
RESERVAS
- Ontem, o fogo chegou ao Sul do
Estado, onde não havia nenhum
foco registrado até o fim da
semana. O incêndio está
acontecendo na Reserva Florestal
Niquiá, e foi causado por
queimadas em fazendas próximas
à cidade de Caracaraí. Segundo
o Exército, por causa do
difícil acesso à área, serão
necessários entre 150 a 300
bombeiros para apagar um dos
três focos existentes na
reserva. Para se chegar lá,
será necessária a utilização
de helicópteros, já que o Rio
Branco está seco e não há
estradas.
O fogo também
atingiu a Reserva Ecológica de
Maracá, de 1,1 mil hectares, a
140 quilômetros de Boa Vista, e
onde estão concentradas quase
todas as espécies florestais e
animais (principalmente macacos,
boto, onça pintada e
tamanduá-bandeira) da Amazônia,
e um sítio arqueológico ainda
inexplorado. O incêndio está
próximo a um hotel ecológico e
a causa, segundo o Governo, foi
uma queimada feita pelo caseiro e
guia de turismo do hotel,
conhecido por Manoel Boró.
MORTE
- O Hospital Infantil Nossa
Senhora de Nazaré registrou a
primeira morte causada pelo
excesso de fumaça. A menina
Tamires Tomé, de três meses,
estava com coqueluche e seu
estado piorou por causa de
problemas respiratórios. "A
doença se agravou por causa da
fumaça e o clima seco",
informou o médico pediatra
Renato Oliveira de Lima. Todos os
30 leitos do hospital estão
ocupados e os médicos já estão
utilizando macas e bancos para
abrigar doentes. O número de
atendimento de crianças aumentou
quase 100%.
"Atendíamos
entre 100 e 120 crianças por
dia, mas depois deste incêndio,
subiu para 200 casos
diariamente", diz Renato de
Lima. "A tendência é
piorar ainda mais". Ontem
manhã, os índios ianomamis da
Aldeia Demini conseguiram evitar
um incêndio na sua área. Eles
haviam colocado fogo em uma
roça, que se alastrou
rapidamente pela floresta, mas o
incêndio foi controlado meia
hora depois pelos próprios
ianomamis. Segundo o chefe da
tribo, Davi Yanomami, em sua
região não há normalmente
problemas com incêndios. No
entanto, os índios estão
atualmente preocupados que o fogo
se alastre por outras aldeias
próximas.