MÚSICA
Be
Here Now, o novo show do Oasis
agrada em cheiopor FLÁVIA DE
GUSMÃO
Enviada especial
Os Irmãos
Gallagher - Noel e Liam -, corpo
e alma da banda inglesa Oasis,
não surpreendem: são chatinhos,
entediados, desaforados, mal
comportados. Por outro lado, pelo
que se pôde ver na última
sexta-feira, no Metropolitan, Rio
de Janeiro, Be Here Now, a mais
nova turnê da banda, não
combina muito com essa imagem que
eles se esforçam tanto em
divulgar. Tudo bem que eles não
são nenhum Bono Vox no item
"relações públicas",
mas o show consegue levar a
platéia, num crescendo de
melodias fáceis, letras exatas e
um certo virtuosismo de Noel.
Nem Noel, nem
Liam se esforçaram para agradar
as 9 mil pessoas que lotaram o
local com palavras açucaradas
para a cidade maravilhosa, muito
menos em português
recalcitrante. Eles preferiam se
garantir num show correto (mas
pouco entusiasmado) e até certo
ponto franciscano na sua pobreza
cênica: apenas um painel de
plástico a título de cenário e
uma iluminação correta. Noel
não se dignou nem a trocar de
camisa - usou a mesma em estilo
"cheguei aos trópicos"
que trazia durante a coletiva
concedida às 14 horas.
A ligação
declarada que a Oasis tem com os
ícones dos anos 60 e 70 ficou
explícita quando explodiu a
música Rock'n Roll, do Led
Zeppelin, a título de
introdução, nas caixas de som.
Foi o suficiente para que a
multidão que se comprimia em
frente ao palco demonstrasse
claramente que aquele não era
absolutamente difícil de
agradar. A galera queria
exatamente aquilo que a Oasis
tinha para dar: carisma e hits.
O que se seguiu
foi uma prova de que o disco Be
Here Now caiu na boca do povo. A
platéia fez coro com Stand By Me
e vibrou com canção que dá
nome à turnê. Teve até vez
para banquinho e violão, com
Noel tocando Don't Go Away, Some
Might Say e Fade In-Out e, claro,
recordar os velhos tempos de 15
milhões de cópias vendidas com
Morning Glory, com Don't Look
Back in Anger e Wonderwall.