- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 23 de março de 1998

MÚSICA (II)

Mundo Livre levantou os paulistas

por MARCELO PEREIRA
Enviado Especial

SÃO PAULO - Do lado de fora, fãs barrados e gritos de protesto. Do lado de dentro, uma celebração. Show do Oasis? Que nada! Para as mais de mil pessoas que viraram as costas para os boçais irmãos Gallagher, o melhor programa de sábado era mesmo ir ao Sesc Pompéia conferir Dona Margarida Pereira, Eddie e, principalmente, Mundo Livre S/A, no terceiro dia do Mangue em Movimento. A noite teve ainda desfile de Eduardo Ferreira, Beto Normal e Andréa Monteiro e exibição de vídeos pernambucanos.

"Ninguém precisa de um clone musical", disparou, corrosivo, Fred 04, referindo-se ao Oasis, no início do show. Foi uma apresentação histórica, catártica. A banda está cada vez mais consistente e madura. Fred 04 está mais solto no palco, se comunicando melhor com o público, que cantou com eles os "grandes hits" - Livre Iniciativa e Manguebit - e ainda aprovou músicas novas (Alice Williams, e O Ariano e o Africano).

O entusiasmo de Fred era tão grande para este show, que chegou a selecionar nada menos do que seis músicas para o bis. A pedidos da direção do Sesc Pompéia, a banda encerrou na terceira canção, deixando um gostinho de quero mais na platéia. "São coisas que só acontecem com a Mundo Livre S/A", disse Fred 04.

A noite de sábado começou com um show impecável da DMP. Assim como aconteceu no segundo dia, a passarela do Sesc Pompéia ficou pequena para o público dançar "música pra pular brasileira". Eddie pegou o público já quente. Com Animal substituindo Berna na bateria, heroicamente à altura, atacou também com seus hits: Videogames Songs, Pedra, Festejem, etc. O show marcou a despedida da percussionista Karina Buhr, o que contribuiu para que a banda fizesse um show um pouco irregular, mas com bons momentos e um final para cima, cantando um cover de Chorava Todo Mundo, de Jorge Ben Jor.

24 HORAS ANTES... - A noite da sexta-feira não foi diferente em empolgação. A Querosene Jacaré fez um show inspiradíssimo. A grande novidade foi a versão para Tô Doidão, de Reginaldo Rossi. Na sua estréia em São Paulo, Ortinho e suas "mugangas", conquistaram fãs com Meu Corpo e Pra Ficar Chic.

Faces do Subúrbio foi a segunda da noite. A banda fez um show num crescendo, dividido em duas fases. Na primeira, KSB fazendo as bases sozinhos. A explosão veio na segunda parte, com a entrada em cena de Garnizé (bateria), Marcelo Massacre (baixo) e Ody (guitarra). E tome protesto.

Devotos do Ódio também fez um show instigante, em altíssima voltagem, passando a limpo o repertório de Agora Tá Valendo. E o melhor ficou para o final: o pout-porri em homenagem a Chico Science. Para fechar com chave de ouro, Canibal atacou de El Salvador, da Inocentes. Clemente apareceu no palco para um dueto histórico. Cantando Punk Rock Hard Core, a galera deixou o teatro e caiu na farra, feliz. O festival terminou ontem com um show extra de Selma do Coco.

O repórter viajou a convite do Governo do Estado e da produção do evento


     

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