MÚSICA (II)
Mundo
Livre levantou os paulistaspor MARCELO PEREIRA
Enviado Especial
SÃO
PAULO - Do lado de fora,
fãs barrados e gritos de
protesto. Do lado de dentro, uma
celebração. Show do Oasis? Que
nada! Para as mais de mil pessoas
que viraram as costas para os
boçais irmãos Gallagher, o
melhor programa de sábado era
mesmo ir ao Sesc Pompéia
conferir Dona Margarida Pereira,
Eddie e, principalmente, Mundo
Livre S/A, no terceiro dia do
Mangue em Movimento. A noite teve
ainda desfile de Eduardo
Ferreira, Beto Normal e Andréa
Monteiro e exibição de vídeos
pernambucanos.
"Ninguém
precisa de um clone
musical", disparou,
corrosivo, Fred 04, referindo-se
ao Oasis, no início do show. Foi
uma apresentação histórica,
catártica. A banda está cada
vez mais consistente e madura.
Fred 04 está mais solto no
palco, se comunicando melhor com
o público, que cantou com eles
os "grandes hits" -
Livre Iniciativa e Manguebit - e
ainda aprovou músicas novas
(Alice Williams, e O Ariano e o
Africano).
O entusiasmo de
Fred era tão grande para este
show, que chegou a selecionar
nada menos do que seis músicas
para o bis. A pedidos da
direção do Sesc Pompéia, a
banda encerrou na terceira
canção, deixando um gostinho de
quero mais na platéia.
"São coisas que só
acontecem com a Mundo Livre
S/A", disse Fred 04.
A noite de
sábado começou com um show
impecável da DMP. Assim como
aconteceu no segundo dia, a
passarela do Sesc Pompéia ficou
pequena para o público dançar
"música pra pular
brasileira". Eddie pegou o
público já quente. Com Animal
substituindo Berna na bateria,
heroicamente à altura, atacou
também com seus hits: Videogames
Songs, Pedra, Festejem, etc. O
show marcou a despedida da
percussionista Karina Buhr, o que
contribuiu para que a banda
fizesse um show um pouco
irregular, mas com bons momentos
e um final para cima, cantando um
cover de Chorava Todo Mundo, de
Jorge Ben Jor.
24
HORAS ANTES... - A noite
da sexta-feira não foi diferente
em empolgação. A Querosene
Jacaré fez um show
inspiradíssimo. A grande
novidade foi a versão para Tô
Doidão, de Reginaldo Rossi. Na
sua estréia em São Paulo,
Ortinho e suas
"mugangas",
conquistaram fãs com Meu Corpo e
Pra Ficar Chic.
Faces do
Subúrbio foi a segunda da noite.
A banda fez um show num
crescendo, dividido em duas
fases. Na primeira, KSB fazendo
as bases sozinhos. A explosão
veio na segunda parte, com a
entrada em cena de Garnizé
(bateria), Marcelo Massacre
(baixo) e Ody (guitarra). E tome
protesto.
Devotos do
Ódio também fez um show
instigante, em altíssima
voltagem, passando a limpo o
repertório de Agora Tá Valendo.
E o melhor ficou para o final: o
pout-porri em homenagem a Chico
Science. Para fechar com chave de
ouro, Canibal atacou de El
Salvador, da Inocentes. Clemente
apareceu no palco para um dueto
histórico. Cantando Punk Rock
Hard Core, a galera deixou o
teatro e caiu na farra, feliz. O
festival terminou ontem com um
show extra de Selma do Coco.
O repórter
viajou a convite do Governo do
Estado e da produção do evento