ARTES CÊNICAS
Curitiba
confere hoje a peça Preciosas
Ridículaspor JOÃO LUIZ
VIEIRA
Enviado Especial
CURITIBA
- O único representante
pernambucano convidado pra o VII
Festival de Teatro de Curitiba
vai se apresentar, hoje e
amanhã, às 17 e 24h,
respectivamente, no Teatro José
Maria Santos. As Preciosas
Ridículas, uma produção que
saiu das salas de aulas da UFPE,
é uma adaptação da homônima
obra do comediógrafo francês
Moliére, foi dirigida por
Marcondes Lima, cumpriu temporada
na cidade e e em outros festivais
pelo Brasil.
O espetáculo
faz parte do Fringe, mostra
paralela do evento, referência
direta ao Festival Internacional
de Teatro de Edimburgo
(Escócia), o mais importante do
mundo, que definiu assim sua
programação não-oficial. Na
sexta-feira passada, estreou a
primeira das montagens para essa
distribuição, Killer Disney.
O espetáculo
foi apresentado no Teatro
Guairinha, um dos três espaços
cênicos do complexo Guaira, à
meia-noite. O texto, de um humor
ácido repelente, fala da
degradação física e psíquica
de dois irmãos gêmeos
confinados num apartamento caindo
aos pedaços. Presley e Halley,
que vive dopada, compartilham
traumas, delírios e a mesma
fixação por chocolates. Halley
não tem acesso á rua, até o
dia em que seu irmão permite a
entrada de um estranho e a
estrutura familiar começa a
ruir. A peça do explosivo autor
inglês Philip Ridley tem
direção de Marcelo Marchioro e
traz no elenco a nova geração
do teatro paranaense. Ótima
indicação para o festival do
Recife.
Na mesma sexta,
o público ficou extasiado com a
precisa, eficiente e impactante
utilização de recursos de
multimídia na montagem de
Needles and Opium, que promete
ser a grande contribuição
estética do evento. A peça,
escrita e dirigida pelo também
cineasta italiano Robert Lepage,
narra a angústia existencial -
por desilusões amorosas - do
escritor e cienasta Jean Cocteau,
do trumpetista norte-americano
Miles Davis e do alter-ego do
diretor.
O título -
Agulhas e Ópio, em bom
português - faz alusão direta
ao ópio e à heroína utilizada
pelos personagens para se livrar
do vazio. Lepage toma partido de
diversos recursos tecnológicos e
de técnicas do teatro de
animação para contar a
história, que, rigorosamente
falando, é superficial. O
interesse da obra reside na boa
equação dos elementos
técnicos.
O espaço da
ação, por exemplo, é definido
por legendas eletrônicas: o
hotel, a cidade, o número do
quarto onde Miles fica em Paris
ou Cocteau em Nova York, nos anos
40. Na cena do encontro entre
Miles e sua amante num
restaurante vê-se, em projeção
a partir da manipulação de uma
mesa de luz, dois cafés, dois
cinzeiros e dos cigarros, ouve-se
uma boa música e risadas. Há
indicações, apenas. O
protagonista, Nestor Saied,
sai-se bem como Cocteau, mas não
é vigoroso como Miles Davis.
Impressiona sua preparação
corporal - fica suspenso no ar em
diversas cenas, de cabeça para
baixo, inclusive.
Para a noite de
hoje, a estréia de Dama da
Noite, texto do escritor e
jornalista gaúcho Caio Fernando
Abreu baseado no conto d'Os
Dragões Não Conhecem o
Paraíso, publicado em 1988.
Transformado em conto, o texto
estreou como Belle de Nuit em
1996, na França, passou pelo
Rio, Porto Alegre, Salvador,
Brasília e Londres até chegar a
Curitiba. Fala da vida solitária
de um travesti - Dana Avalon -
que, sentada em um bar, discorre
a falar sobre sexo, desejo, amor,
solidão, morte e vida.
O repórter
viajou a convite da organização
do evento