- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 23 de março de 1998

ARTES CÊNICAS

Curitiba confere hoje a peça Preciosas Ridículas

por JOÃO LUIZ VIEIRA
Enviado Especial

CURITIBA - O único representante pernambucano convidado pra o VII Festival de Teatro de Curitiba vai se apresentar, hoje e amanhã, às 17 e 24h, respectivamente, no Teatro José Maria Santos. As Preciosas Ridículas, uma produção que saiu das salas de aulas da UFPE, é uma adaptação da homônima obra do comediógrafo francês Moliére, foi dirigida por Marcondes Lima, cumpriu temporada na cidade e e em outros festivais pelo Brasil.

O espetáculo faz parte do Fringe, mostra paralela do evento, referência direta ao Festival Internacional de Teatro de Edimburgo (Escócia), o mais importante do mundo, que definiu assim sua programação não-oficial. Na sexta-feira passada, estreou a primeira das montagens para essa distribuição, Killer Disney.

O espetáculo foi apresentado no Teatro Guairinha, um dos três espaços cênicos do complexo Guaira, à meia-noite. O texto, de um humor ácido repelente, fala da degradação física e psíquica de dois irmãos gêmeos confinados num apartamento caindo aos pedaços. Presley e Halley, que vive dopada, compartilham traumas, delírios e a mesma fixação por chocolates. Halley não tem acesso á rua, até o dia em que seu irmão permite a entrada de um estranho e a estrutura familiar começa a ruir. A peça do explosivo autor inglês Philip Ridley tem direção de Marcelo Marchioro e traz no elenco a nova geração do teatro paranaense. Ótima indicação para o festival do Recife.

Na mesma sexta, o público ficou extasiado com a precisa, eficiente e impactante utilização de recursos de multimídia na montagem de Needles and Opium, que promete ser a grande contribuição estética do evento. A peça, escrita e dirigida pelo também cineasta italiano Robert Lepage, narra a angústia existencial - por desilusões amorosas - do escritor e cienasta Jean Cocteau, do trumpetista norte-americano Miles Davis e do alter-ego do diretor.

O título - Agulhas e Ópio, em bom português - faz alusão direta ao ópio e à heroína utilizada pelos personagens para se livrar do vazio. Lepage toma partido de diversos recursos tecnológicos e de técnicas do teatro de animação para contar a história, que, rigorosamente falando, é superficial. O interesse da obra reside na boa equação dos elementos técnicos.

O espaço da ação, por exemplo, é definido por legendas eletrônicas: o hotel, a cidade, o número do quarto onde Miles fica em Paris ou Cocteau em Nova York, nos anos 40. Na cena do encontro entre Miles e sua amante num restaurante vê-se, em projeção a partir da manipulação de uma mesa de luz, dois cafés, dois cinzeiros e dos cigarros, ouve-se uma boa música e risadas. Há indicações, apenas. O protagonista, Nestor Saied, sai-se bem como Cocteau, mas não é vigoroso como Miles Davis. Impressiona sua preparação corporal - fica suspenso no ar em diversas cenas, de cabeça para baixo, inclusive.

Para a noite de hoje, a estréia de Dama da Noite, texto do escritor e jornalista gaúcho Caio Fernando Abreu baseado no conto d'Os Dragões Não Conhecem o Paraíso, publicado em 1988. Transformado em conto, o texto estreou como Belle de Nuit em 1996, na França, passou pelo Rio, Porto Alegre, Salvador, Brasília e Londres até chegar a Curitiba. Fala da vida solitária de um travesti - Dana Avalon - que, sentada em um bar, discorre a falar sobre sexo, desejo, amor, solidão, morte e vida.

O repórter viajou a convite da organização do evento


     

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