- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - - - - - ---Jornal do Commercio - Recife, 23 de março de 1998

EDUCAÇÃO

Greve deixará sem aulas um milhão estudantes

Um milhão de alunos das escolas públicas estaduais podem ficar sem aulas, a partir de hoje, com a greve decretada pelos trabalhadores em educação. Se a adesão for de 100% entre os 45 mil profissionais - 35 mil professores e outros sete mil servidores -, mais de mil escolas ficarão sem funcionar pelo menos até quarta-feira, quando está programada uma assembléia da classe. Eles lutam pelo Plano de Cargos e Carreira (PCC), que, segundo promessa do Governo do Estado, deveria ter sido implantado este mês.

Nesta segunda-feira, os grevistas realizarão plenárias para avaliar discussões com pais e alunos. Segundo Tereza Leitão, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sintepe), o principal evento está marcado para a tarde de amanhã. Às 15h darão um abraço no Rio Capibaribe e, em seguida, haverá uma vigília pública na Assembléia Legislativa. Os professores foram orientados a levar lanternas para iluminar a vigília que deve se estender até as 21h. Semana passada eles pararam por um dia para realizar a assembléia que decidiu a greve.

UNIVERSIDADE - A greve por tempo indeterminado também pode chegar, na próxima semana, às universidades federais. O Sindicato Nacional dos Docentes de Ensino Superior (Andes) aprovou uma proposta de paralisação para o próximo dia 31. Sexta-feira (27), às 9h, os professores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) realizam assembléia para decidir se aderem ao movimento. Os profissionais, que estavam insatisfeitos com o congelamento dos salários e um programa de bolsas que só beneficia parte dos docentes, ficaram irritados com o anúncio do aumento das gratificações para reitores e outros cargos de chefia.

Enquanto isso, a União Nacional dos Estudantes pretende reunir, amanhã, representantes de DCEs de todas as universidades e escolas de ensino superior de Pernambuco. O encontro está marcado para as 14h, no auditório da Faculdade de Filosofia do Recife (Fafire). O vice-presidente regional da UNE, Luiz Henrique Lira, explica que serão discutidas formas de mobilização contra as ações do Governo Federal: corte de verbas para as instituições públicas, achatamento do salário dos professores federais e corte do crédito educativo.

 
     

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