COMBATE
À DENGUE
Pernambuco
importará produto que mata larva
do Aedes aegyptipor LUIZ HERRISON
Da Editoria de Economia
Os
pernambucanos poderão contar, em
breve, com uma nova arma no
combate à dengue. Trata-se do
Bactivec, biolarvicida fabricado
pelos Laboratórios Biológicos e
Farmacêuticos (Labiofam), de
Cuba, e que será testado pelos
pesquisadores da Empresa
Pernambucana de Pesquisas
Agropecuárias (IPA). "Caso
os testes sejam positivos, temos
interesse em adquirir a
tecnologia de produção e
fabricar o larvicida no
Estado", afirma o
secretário de Ciência,
Tecnologia e Meio Ambiente do
Estado, Sergio Rezende, que
participou de uma viagem à ilha
caribenha no mês passado.
Segundo o
presidente do IPA, Hélio Burity,
a principal vantagem do Bactivec
é ser um produto biológico,
não agredindo homens, animais e
plantas - ao contrário do
fumacê, inseticida à base de
produtos químicos. Outro ponto
positivo do biolarvicida cubano,
acrescenta Burity, é seu rápido
poder de ação. "Ele
apresenta alta mortalidade entre
24h e 48h depois da
aplicação", informa.
Burity declara
que as semelhanças climáticas
entre Brasil e Cuba também
favorecem a eficácia do
medicamento no Estado. "As
altas temperaturas implicam numa
maior atividade metabólica das
larvas e numa resposta mais
rápida do Bactivec",
comenta.
O Bactivec atua
sobre as larvas dos mosquitos do
Aedes aegypti, mediante ação da
bactéria Bacillus thuringiensis.
"Ela chega ao organismo do
Aedes por meio da ingestão e,
num prazo de 20h a 48h, provoca a
paralisação da parede
intestinal das larvas",
conta.
APLICAÇÃO
- O biolarvicida é
aplicado por aspersão na
superfície dos criatórios. A
dosagem aplicada depende da
superfície da água a ser
tratada e não da profundidade do
local. "As doses devem
conter entre 5 e 10 mililitros
por metro quadrado",
recomenda. Ele acrescenta que
isso dependerá do estado das
larvas, da quantidade de
mosquitos e da qualidade da
água. "As larvas mais novas
são mais susceptíveis que as
mais avançadas", diz.
De acordo com a
epidemiologista Mônica Lucena,
da Secretaria de Saúde, a
bactéria Bacillus thuringiensis
já é utilizada em alguns
Estados brasileiros e seus
efeitos são positivos. "O
biolarvicida é, com certeza, um
grande colaborador no combate à
dengue, principalmente por não
ser tóxico".
Ela explica, no
entanto, que o uso do
biolarvicida não significará a
eliminação da aplicação do
fumacê. "O Bactivec ataca
apenas as larvas, enquanto o
fumacê age somente contra a
população adulta dos insetos.
Eles são complementares",
ensina.
No ano passado,
a Secretaria de Saúde de
Pernambuco notificou 40.790 casos
de dengue. Desse total, foram
confirmados 28.926 do tipo
clássico, e 12 do tipo
hemorrágico. Em 98, já foram
registrados no Estado 661 casos e
mais de duas mil suspeitas.
Segundo Mônica
Lucena, fevereiro e março são
os meses que apresentam o maior
número de casos.