- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - - - - - -- --Jornal do Commercio - Recife, 22 de março de 1998

COMBATE À DENGUE
Pernambuco importará produto que mata larva do Aedes aegypti

por LUIZ HERRISON
Da Editoria de Economia

Os pernambucanos poderão contar, em breve, com uma nova arma no combate à dengue. Trata-se do Bactivec, biolarvicida fabricado pelos Laboratórios Biológicos e Farmacêuticos (Labiofam), de Cuba, e que será testado pelos pesquisadores da Empresa Pernambucana de Pesquisas Agropecuárias (IPA). "Caso os testes sejam positivos, temos interesse em adquirir a tecnologia de produção e fabricar o larvicida no Estado", afirma o secretário de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente do Estado, Sergio Rezende, que participou de uma viagem à ilha caribenha no mês passado.

Segundo o presidente do IPA, Hélio Burity, a principal vantagem do Bactivec é ser um produto biológico, não agredindo homens, animais e plantas - ao contrário do fumacê, inseticida à base de produtos químicos. Outro ponto positivo do biolarvicida cubano, acrescenta Burity, é seu rápido poder de ação. "Ele apresenta alta mortalidade entre 24h e 48h depois da aplicação", informa.

Burity declara que as semelhanças climáticas entre Brasil e Cuba também favorecem a eficácia do medicamento no Estado. "As altas temperaturas implicam numa maior atividade metabólica das larvas e numa resposta mais rápida do Bactivec", comenta.

O Bactivec atua sobre as larvas dos mosquitos do Aedes aegypti, mediante ação da bactéria Bacillus thuringiensis. "Ela chega ao organismo do Aedes por meio da ingestão e, num prazo de 20h a 48h, provoca a paralisação da parede intestinal das larvas", conta.

APLICAÇÃO - O biolarvicida é aplicado por aspersão na superfície dos criatórios. A dosagem aplicada depende da superfície da água a ser tratada e não da profundidade do local. "As doses devem conter entre 5 e 10 mililitros por metro quadrado", recomenda. Ele acrescenta que isso dependerá do estado das larvas, da quantidade de mosquitos e da qualidade da água. "As larvas mais novas são mais susceptíveis que as mais avançadas", diz.

De acordo com a epidemiologista Mônica Lucena, da Secretaria de Saúde, a bactéria Bacillus thuringiensis já é utilizada em alguns Estados brasileiros e seus efeitos são positivos. "O biolarvicida é, com certeza, um grande colaborador no combate à dengue, principalmente por não ser tóxico".

Ela explica, no entanto, que o uso do biolarvicida não significará a eliminação da aplicação do fumacê. "O Bactivec ataca apenas as larvas, enquanto o fumacê age somente contra a população adulta dos insetos. Eles são complementares", ensina.

No ano passado, a Secretaria de Saúde de Pernambuco notificou 40.790 casos de dengue. Desse total, foram confirmados 28.926 do tipo clássico, e 12 do tipo hemorrágico. Em 98, já foram registrados no Estado 661 casos e mais de duas mil suspeitas.

Segundo Mônica Lucena, fevereiro e março são os meses que apresentam o maior número de casos.


     

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