-- - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 22 de março de 1998

EMPREGO
Saiba como se tornar o profissional ideal

por TAIZA BRITO

Na realidade atual do mercado de trabalho brasileiro, ameaçado pelo fantasma do desemprego, o trabalhador que está empregado ou o profissional liberal não pode se dar ao luxo de achar que está com o futuro garantido. Tanto quanto aqueles que almejam entrar na cadeia produtiva, os que já desempenham algum tipo de atividade têm que estar aptos a desenvolver múltiplas tarefas e, assim, minimizar os riscos de corte e desenvolver habilidades que o tornem atrativo na área profissional que atua. Para isso, ensina a consultora em Recursos Humanos, Célia Amblard, do Núcleo de Assistência Terapêutica Empresarial - Nate, o profissional (autônomo ou ligado a uma empresa) deve sempre investir em si mesmo.

"O profissional de hoje deve estar mais informado e ser mais competitivo para obter resultados mais satisfatórios no seu trabalho", ressalta a consultora, especializada no recrutamento e seleção de executivos. Segundo Amblard, o mercado passou a dar preferência àqueles profissionais generalistas, ou seja, capazes de atuar em diferentes áreas dentro de uma empresa ou na terceirização de serviços. "Aqueles chamados especialistas, antes bastante procurados, estão perdendo espaço".

Para não perder a "sintonia" com a área onde atua, diz, o profissional deve buscar sempre a aprimoração de sua formação, seja através de cursos de pós-graduação, bem como de conhecimentos gerais, informática e de, pelo menos, duas línguas. A pesquisa e a informação também é apontada como caminho para ampliação dos conhecimentos, o que significa, que a leitura de jornais, revistas e livros é indispensável, sem falar na utilização da Internet.

CUSTOS - Qualquer que seja a área de atuação de um profissional liberal, para que ele realize um curso de pós-graduação no local onde mora, por exemplo, a mensalidade varia de R$ 250 a R$ 500. O estudo de uma outra língua, como o espanhol ou o inglês, custa em média de R$ 100 a 150 por mês. Já para os interessados em entrar no mundo da informática, os cursos existentes no mercado podem variar de R$ 150 a R$ 180, mensalmente. Quem usa a rede mundial de computadores, pelo menos duas horas por dia, gasta em torno de R$ 30 a R$ 60 a cada mês, a depender do provedor. A leitura de, no mínimo, duas revistas de circulação em todo País, dois jornais locais e um nacional, custa em torno de R$ 1,700 anuais. A aquisição de dois livros a cada mês demanda cerca de R$ 70 ao mês.

A consultora diz que não é necessário demandar todos estes gastos de uma única vez, e que muitos destes recursos são oferecidos pelas próprias empresas. No caso de quem trabalha por conta própria, o que se pode fazer para diminuir custos e manter-se reciclado é investir no que o profissional considerar mais urgente para utilização na área em que trabalha.

Além disso, recomenda Amblard, aqueles que estão atuando no mercado de trabalho devem estar abertos às novas propostas que são apresentadas e discutidas em cada área. "Se o profissional tiver consciência deste processo, com certeza garantirá o padrão de trabalho nos níveis internacionais de qualidade", diz.

Pesquisa realizada pela Coopers & Lybrand entre executivos de 200 grandes e médias empresas nacionais e multinacionais (ver quadro) aponta que "a capacidade de assumir riscos" e a "ética em primeiro plano" são os pontos considerados de maior valor em um profissional.


     

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