-- - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 22 de março de 1998

EMPREGO II
Vagas em informática vão crescer 79%

por JOSUÉ NOGUEIRA

Outrora considerada responsável pelo altos índices de desemprego em todo o mundo, quando substituiu uma imensa massa de mão-de-obra por máquinas computadorizadas, principalmente na indústria, a informática é apontada hoje pelos especialistas como o segmento da economia com maiores possibilidades de gerar postos de trabalho.

Segundo o Centro Norte-Americano de Estatísticas do Trabalho, a partir de 1990 e até o ano 2005, o mercado para analistas de sistemas e cientistas da computação deve crescer nada menos que 79%, enquanto as vagas para empregos administrativos (em escritórios) e no comércio, por exemplo, aumentarão apenas 24% e 19%, respectivamente.

"A informática foi extremamente estigmatizada, mas o fato é que atualmente o setor, além de empregar muita gente e viabilizar o aparecimento de novas profissões, requer investimentos bem menores em relação aos exigidos pela indústria, por exemplo", analisa o diretor do Softex (centro de tecnologia de software para exportação do Recife), Claudio Marinho.

Diante desta realidade, ele alerta para a necessidade de se apostar e investir no setor. "A economia pernambucana precisa fazer o réquiem da indústria da cana-de-açúcar, que a cada ano demonstra estar com o fôlego mais curto, e atentar para a tecnologia de informação. A janela de oportunidade para se inserir no contexto mundial está aí e há no estado uma confluência de fatores que podem viabilizar esta realidade".

Ele aponta, entre outros aspectos positivos, a boa qualidade das faculdades de informática, engenharia, administração e economia da Universidade Federal. "No departamento de ciência da computação, por exemplo, há estudantes investindo em empreendimentos próprios com o apoio da própria instituição".

A idéia, segundo ele, é que, ao concluírem o curso, os estudantes possam tocar sua empresa, contribuir para a economia e gerar empregos. "Só assim eles poderão resistir às tentadoras propostas que partem dos grandes grupos dos Estados Unidos onde o déficit de mão-de-obra na área é de 330 mil vagas". Atualmente existem na faculdade de informática da UFPE 15 empresas incubadas.

Na opinião de Marinho, se as empresas locais de informática - tanto as prestadoras de serviços, quanto as fabricantes de softwares - receberem o apoio financeiro devido, pode-se assegurar a manutenção de profissionais especializados no mercado e a economia pode registrar um fenômeno multiplicador de renda. "A informática tende a se horizontalizar cada vez mais, tornando-se imprescindível para negócios de quaisquer áreas".


 

 

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