-- - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 22 de março de 1998

TRABALHO
Brasileiros desempregados têm oportunidades nos EUA

NOVA YORK - O Brasil está exportando desempregados de todas as idades, profissões, credos, esportes e gêneros musicais. Eis alguns personagens localizados em várias cidades americanas, recém-chegados, que estão em busca de melhores oportunidades de trabalho: Miguel de Belzebu, 64 anos, carioca - Pai-de-santo do Centro Afro-Brasileiro de Niterói, no Rio de Janeiro. Belzebu é autor de várias previsões para o Programa Fantástico, da Rede Globo, e entre elas a da morte de Tim Maia. Para si, previu bons negócios em San Francisco (Califórnia), vendendo um composto de ervas para afastar os maus espíritos.

"Senti o drama do desemprego entre os freqüentadores do meu terreiro, ninguém mais tinha dinheiro no bolso. Cheguei dia 4 e em dez dias já vendi mil dúzias de banho-de-cheiro", conta ele animado. O babalorixá acertou: nos Estados Unidos, vende o banho - que custa R$ 3,00 no Brasil - por US$ 5. D'Lourdes (nome professional), 52 anos, goiana - estilista preferida da "primeira-dama" Sandra Vilela, ela também faz roupas de couro para as duplas caipiras Leandro & Leonardo e Xitãozinho & Xororó.

"Mesmo entre clientes de alto nível, os negócios no Brasil estão caindo muito. Preferi passar algum tempo na Califórnia, reciclando, vendendo meus produtos, do que esperar as coisas melhorarem", revela D'Lourdes.

Marcos Gomes, 28 anos, paulista - é o Marcão, camisa 5 do Fernadópolis, da Segunda Divisão. Saiu do Brasil para jogar em Portugal. Em seguida, mudou-se com a mulher, Isabel, para Connecticut. Está tentando a sorte nos times da Liga Americana, com vários treinos já marcados. "Tomei a decisão de vir para cá, com minha mulher. Ela também queria trabalhar e no Brasil estava impossível. Aqui, ela já conseguiu. Vamos seguir, bola para frente e fé em Deus", confia.

Marconi Macedo, 26 anos, baiano - eclético, ele tocava blues e rock na banda Farol, em Ilhéus. Faturava R$ 100,00 por semana, até cair da moto e ficar sem trabalho, meses atrás. Há duas semanas, recuperado, desembarcou em Nova York, uma das cidades dos Estados Unidos que mais atraem brasileiros desempregados. "Vou tentar trabalhar com música mas, se não der, vou para o comércio de rua, vender chapéus, roupas, doces. Aqui, há oportunidades para todos", acredita ele.


 

 

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