TRABALHO
Brasileiros
desempregados têm oportunidades
nos EUANOVA YORK - O
Brasil está exportando
desempregados de todas as idades,
profissões, credos, esportes e
gêneros musicais. Eis alguns
personagens localizados em
várias cidades americanas,
recém-chegados, que estão em
busca de melhores oportunidades
de trabalho: Miguel de Belzebu,
64 anos, carioca - Pai-de-santo
do Centro Afro-Brasileiro de
Niterói, no Rio de Janeiro.
Belzebu é autor de várias
previsões para o Programa
Fantástico, da Rede Globo, e
entre elas a da morte de Tim
Maia. Para si, previu bons
negócios em San Francisco
(Califórnia), vendendo um
composto de ervas para afastar os
maus espíritos.
"Senti o
drama do desemprego entre os
freqüentadores do meu terreiro,
ninguém mais tinha dinheiro no
bolso. Cheguei dia 4 e em dez
dias já vendi mil dúzias de
banho-de-cheiro", conta ele
animado. O babalorixá acertou:
nos Estados Unidos, vende o banho
- que custa R$ 3,00 no Brasil -
por US$ 5. D'Lourdes (nome
professional), 52 anos, goiana -
estilista preferida da
"primeira-dama" Sandra
Vilela, ela também faz roupas de
couro para as duplas caipiras
Leandro & Leonardo e
Xitãozinho & Xororó.
"Mesmo
entre clientes de alto nível, os
negócios no Brasil estão caindo
muito. Preferi passar algum tempo
na Califórnia, reciclando,
vendendo meus produtos, do que
esperar as coisas
melhorarem", revela
D'Lourdes.
Marcos Gomes,
28 anos, paulista - é o Marcão,
camisa 5 do Fernadópolis, da
Segunda Divisão. Saiu do Brasil
para jogar em Portugal. Em
seguida, mudou-se com a mulher,
Isabel, para Connecticut. Está
tentando a sorte nos times da
Liga Americana, com vários
treinos já marcados. "Tomei
a decisão de vir para cá, com
minha mulher. Ela também queria
trabalhar e no Brasil estava
impossível. Aqui, ela já
conseguiu. Vamos seguir, bola
para frente e fé em Deus",
confia.
Marconi Macedo,
26 anos, baiano - eclético, ele
tocava blues e rock na banda
Farol, em Ilhéus. Faturava R$
100,00 por semana, até cair da
moto e ficar sem trabalho, meses
atrás. Há duas semanas,
recuperado, desembarcou em Nova
York, uma das cidades dos Estados
Unidos que mais atraem
brasileiros desempregados.
"Vou tentar trabalhar com
música mas, se não der, vou
para o comércio de rua, vender
chapéus, roupas, doces. Aqui,
há oportunidades para
todos", acredita ele.