-- - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 22 de março de 1998

ECONOMIA
Crise econômica afeta a cidade de Buda, na Índia

BODH GAYA - Bodh Gaya é apenas uma pequena cidade incrustrada no canto mais pobre da Índia. Mas ela foi duramente atingida por uma crise que desestabilizou nações. Por muitos anos, milhões de pessoas fizeram peregrinações pela estrada que liga a capital do Estado de Bihar até a cidade de Bodh Gaya, onde Buda se tornou um iluminado. Mas com a agonia do leste e sudeste asiáticos em sua pior crise econômica de todos os tempos, o fluxo de peregrinos se reduziu drasticamente.

Devotos de Buda provenientes de Taiwan, Tailândia, Coréia, Japão, Sri Lanka, Vietnã e Mianmar normalmente "invadem" Bodh Gaya aos milhares nos meses de dezembro e janeiro para prestar suas homenagens no templo de Mahabodhi e outros templos menores. Os devotos também fazem o Circuito Budista, que inclui Sarnath, onde Buda fez seu primeiro sermão; Kushinagar, onde ele morreu; e Lumbini, no Nepal, cidade onde Buda nasceu.

Este ano, a crise econômica na Ásia afastou os devotos. O movimento foi reduzido a menos da metade em relação à média. A renda dos moradores da cidade caiu assustadoramente. Grande parte dos residentes de Bodh Gaya utiliza o turismo para tentar aumentar a renda familiar nesta região da Índia marcada pela violência de castas e pela pobreza.

Na virada de ano, Bodh Gaya normalmente recebe cerca de 50 mil peregrinos estrangeiros. Estes visitantes mantêm hotéis, agências de turismo, lojas de presentes, motoristas de ônibus e carros, além de, muitas vezes, sustentarem a economia da cidade. "A maioria dos moradores recebe salário apenas durante dois meses no ano, quando os peregrinos visitam a cidade em dezembro e janeiro. No resto do ano, eles vivem desempregados", disse Suresh Singh, presidente do Fórum de Desenvolvimento de Cidadãos, órgão que representa muitos estabelecimentos comerciais da cidade.

O Hotel Ashok, dirigido por uma empresa estatal, normalmente, fica lotado até fevereiro com grupos de turistas japoneses, tailandeses e coreanos. Mas isto não se repetiu este ano. "Não hospedamos muitas pessoas este ano. Estamos praticamente sem rendimento", disse Lallan Singh, chefe de um dos departamentos do hotel. "O movimento diminuiu muito", queixa-se.

Com poucas esperanças, os moradores de Bodh Gaya esperam agora uma intervenção divina do Dalai Lama para mudar as coisas para melhor. O Dalai Lama, líder espiritual do Tibete, visitou Bodh Gaya no ano passado. Mais de 100 mil pessoas o seguiram em sua passagem pela cidade. Por enquanto, a saúde econômica desta pequena cidade no Estado mais pobre da Índia dependerá do futuro das economias dos Tigres Asiáticos.


 

 

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