-- - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 22 de março de 1998

APOSENTADORIA II
Débito trabalhista já está provisionado

Os R$ 200 milhões de débitos trabalhistas do Banco do Estado de Pernambuco (Bandepe) já estão provisionados nos R$ 920 milhões que serão repassados pelo Tesouro Nacional para sanear o banco estatal. Segundo fontes ouvidas pela reportagem do Jornal do Commercio, R$ 35 milhões correspondem a passivos trabalhistas referentes a dois dissídios coletivos (96/97 e 97/98), não pagos pelo Governo do Estado aos funcionários da instituição.

Outros R$ 50 milhões correspondem a débitos de demissões realizadas no então governo de Joaquim Francisco (em torno de 2 mil funcionários, em 1991), além de R$ 65 milhões relativos ao PDV, Programa de Demissão Voluntária. O restante (R$ 50 milhões) são relativos a demissões durante o segundo Governo Arraes (cerca de mil servidores).

Na semana passada, o Governo de Pernambuco tentou negociar parte dos débitos, mas não conseguiu acordo com a categoria bancária. A proposta do governo foi considerada "indecente" pelos dirigentes sindicalistas, que pretendem deflagrar, a partir de amanhã, greve geral nas 52 agências e 22 postos de serviços. "Eles têm que pagar o que devem e o que já poderiam ter pago e não fizeram. A proposta que fizeram é uma brincadeira e não representa nem 20% dos que nos devem", disse Alfredo Drummond, da Asbepe. Segundo ele, os débitos de funcionários na ativa correspondem a R$ 35 milhões.

O Governo de Pernambuco propôs pagar o Programa de Demissão Incentivada (PDI), com meio salário por ano trabalhado, com o mínimo de três e máximo de doze anos, além de um abono geral de R$ 1.500,00 com 5% sobre os ganhos salariais de março. Os servidores querem 15,8% de reajuste, pois os salários estão congelados há três anos.

A extensão da jornada de trabalho seria paga sem correção de juros e somente referentes aos últimos cinco anos, assim como o que restava (50%) da Participação nos Lucros, de 1995, seriam pagos sem correção. "Eles trabalham numa instituição em dificuldades e que será privatizada. Apesar disso, nunca deixaram de receber seus salários", disse o presidente do Banco do Estado de Pernambuco, Wanderley Benjamin.(L.L)


 

 

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