COMBUSTÍVEIS
Adição
de álcool à gasolina sai dia 25BRASÍLIA - O
aumento da mistura do álcool
anidro na gasolina dos atuais 22%
para 24% deverá ser aprovado na
primeira reunião do Conselho
Interministerial do Álcool
(Cima), marcada para o próximo
dia 25. O Cima, integrado por
nove ministros e criado no ano
passado para revitalizar o
Programa Nacional do Álcool
(Proálcool), deverá analisar
também medidas de estímulo para
a renovação da frota de carros
a álcool com mais de dez anos de
uso e definir o que será feito
com o excedente da produção de
álcool.
O principal
desafio, no entanto, na
avaliação do presidente da
Frente Parlamentar
Sucroalcooleira, deputado Hélio
Rosas (PMDB-SP), é conseguir
restaurar a confiança no
Proálcool. "Para retomar a
produção, é preciso ter
procura", disse Rosas. Os
representantes do setor privado
que integram o conselho do Cima
consideram mais urgente uma
solução para o excedente de 1,8
bilhão de litros de álcool da
atual safra recorde.
E reivindicam
ainda o cumprimento da "lei
do estoque estratégico",
que poderia aliviar as usinas,
desde que o governo se dispusesse
a bancar a estocagem estimada
entre R$ 500 milhões e R$ 900
milhões. O presidente da
Associação Brasileira das
Indústrias de Álcool, Gustavo
Maranhão, afirmou que o pedido
é justo. "O setor produziu
exatamente o plano de safra
previsto pelo Ministério da
Indústria, Comércio e Turismo,
mas o consumo previsto é que
caiu", argumentou.
Maranhão disse
que há consciência no governo
da necessidade de revitalização
do Proálcool, não apenas para a
manutenção dos empregos criados
pelo programa mas também pela
balança comercial e por
questões ambientais. "O
governo deverá sinalizar regras
claras para que o setor possa ser
competitivo".
Já o consultor
do setor sucroalcooleiro Pedro
Robério observou que a
indefinição sobre o que fazer
com a sobra de álcool no País
começa a afetar a
comercialização de açúcar no
mercado internacional. "O
mundo inteiro está entendendo
que essa sobra de álcool hoje
poderá refletir numa maior
produção futura de açúcar, e
já houve uma queda de 25% nos
preços", disse Robério,
assegurando que pode haver uma
perda de divisas nas
exportações do produto de até
R$ 400 milhões. A queda de
preços do açúcar pode ser
atribuída também à saída da
Ásia deste mercado.