ALCOOLISMO
(II)
Vício
assusta pelas doenças que
provoca"Um homem só
atinge seu estado natural após a
quarta ou quinta dose". A
enfática e famosa frase de Henry
Miller, um dos maiores escritores
americanos, é um bom exemplo da
boa relação entre a sociedade e
o álcool. Beber é um ato
intensamente vendido pela mídia,
que usa ícones como Ronaldinho,
com apenas 20 anos, para vender
cerveja. Este fato, segundo o
médico Evaldo Melo de Oliveira,
presidente da Associação
Brasileira de Estudo do Álcool e
Outras Drogas (Abad), resulta na
gestação de grande parte dos
alcoolistas, que começam a beber
dentro de casa.
Existem cinco
diferentes tipos de consumidores
de álcool. O primeiro deles é o
experimentador, que, como diz o
nome, tem apenas curiosidade a
respeito das bebidas. Depois, vem
o bebedor social, aquele que bebe
mas não apresenta problemas com
o álcool. O abusador social
surge após esta etapa. Nas
poucas vezes em que ele se
confronta com o álcool, ingere-o
em grande quantidade e termina
ficando bêbado. Já o bebedor
problema apresenta distúrbio
todas as vezes em que bebe, não
importando a quantidade. Por
último, existe o alcoolista, uma
pessoa já dependente da droga.
Um recente
levantamento realizado em duas
grandes empresas pernambucanas,
constatou que 75% das pessoas
bebem socialmente. São os
denominados
"referidos", que,
apesar de não serem alcoolistas,
consomem álcool periodicamente.
"Nessa fase que surgem os
bebedores problema, que
apresentam algum tipo de reação
negativa quando ingerem
álcool", explica.
Segundo
especialistas, é nesta etapa,
quando é mais fácil detectar
que tipo de problema está
ocorrendo, que as pessoas devem
procurar ajuda médica. "Se
forem tratados no início, 80%
dos pacientes têm chances de se
recuperar completamente. Caso se
tratem após adquirir a doença,
apenas 30% consegue se
curar", admite Evaldo de
Oliveira.
NA
CLASSE MÉDIA - O
alcoolismo está cada dia mais
presente na vida das pessoas de
classe média: a maioria dos
internados em centros de
reabilitação são empresários,
advogados, políticos e médicos.
Este último grupo, de acordo com
Evaldo Oliveira, é um dos mais
propensos a desenvolver relação
negativa com o álcool. "A
convivência com o estresse, a
correria e a dor leva estes
profissionais a desenvolverem
este hábito", diz.
O vício da
bebida assusta principalmente
pelo número de doenças que
provoca. Os aparelhos digestivo,
neurológico e circulatório são
seriamente comprometidos após a
ingestão crônica de álcool.
"A pancreatite é um dos
grandes sintomas do alcoolismo.
Outros problemas são as crises
de amnésia, que atingem
principalmente os bebedores
problema", continua
Oliveira.
Os danos
causados pelos fermentados
possuem o mesmo efeito que os
provocados pelos destilados,
outra informação ainda pouco
esclarecida entre a população.
"Criou-se um mito que apenas
os destilados levam à
dependência, mas o uso crônico
de fermentados também é
extremamente prejudicial".