FERTILIZAÇÃO
(III)
Novas
técnicas diminuem os riscosDevido às gestações
múltiplas, a fecundação in
vitro com transferência de
embriões tornou-se o mais
conhecido tratamento contra a
infertilidade. A técnica era
indicada inicialmente apenas para
a infertilidade de mulheres cujas
trompas não podiam ser
reconstruídas cirurgicamente ou
casos de esterilidade
imunológica (em que os
espermatozóides são destruídos
no meio vaginal ou cervical). O
uso foi ampliado, porém, e hoje
a técnica é aplicada até em
esterilidade de causa
desconhecida (em que os dois
membros do casal apresentam
resultados normais nos testes,
mas a gravidez não acontece
depois de dois anos de relações
sexuais).
São quatro as
etapas dessa fecundação, que
custa entre R$ 5 mil e R$ 7 mil
no Brasil. Primeiro, acontece a
hiperestimulação dos ovários
através de doses elevadas de
hormônios, para que produzam
óvulos. Em seguida, vem a coleta
dos óvulos mediante punção (um
laparoscópio, introduzido perto
do umbigo, guia a agulha até o
folículo, cápsula ovariana que
libera os óvulos). Obtém-se
mais tarde o esperma do homem,
mediante masturbação. Os
óvulos são então colocados num
meio físico adequado, onde podem
ser fecundados e transformar-se
em embriões. A quarta etapa é a
transferência dos embriões para
o útero.
Os embriões
costumam ser implantados em, no
máximo, 72 horas. Nessa fase,
têm menos chances de se fixar na
parede do útero, dificultando a
concepção. Agora, graças a
meios de cultura de melhor
qualidade, pode-se fazer o
implante em atécinco dias, o que
aumenta o índice de sucesso da
fertilização e, como se
implantam menos embriões, reduz
o risco de gestações
múltiplas.
Uma técnica
complementar é o congelamento
dos embriões, que podem ser
transferidos para a mãe em
ciclos sucessivos, caso fracassem
as primeiras tentativas. Os
óvulos também podem ser doados
a outras mulheres.
É rápida a
evolução das técnicas para
conseguir a gravidez, mas usa-se
genericamente a expressão
"bebê de proveta" para
indicar que a fertlização
ocorreu em laboratório. Quando o
homem tem espermatozóides de má
qualidade ou em pouca quantidade
recorre-se, como fez Roger
Abdelmassih com Pelé e Assíria,
a uma técnica conhecida como
Pesa (sigla em inglês para
aspiração percutânea de
espermatozóides), seguida pela
ICSI (injeção
intracitoplasmática de
espermatozóides). Os
espermatozóides são aspirados
por uma seringa do epidídimo, a
parte dos testículos onde
amadurecem, e depois são
introduzidos nos óvulos para a
fertilização.
Outra técnica
que também começa a ser usada
no Brasil é a cirurgia de
transferência intratubária, em
que os óvulos fertilizados são
introduzidos diretamente nas
trompas de Falópio por
laparoscopia. Segundo o médico
Paulo Serafini, que trabalha na
Califórnia e dá assessoria ao
Centro Huntington de Medicina
Reprodutiva, em Vitória, o
método dá ao embrião maior
chance de sobrevivência, pois
leva cinco dias para chegar ao
útero. Em qualquer caso, a
estimulação para melhorar a
ovulação é delicada e deve ser
conduzida por profissionais
experientes.
Outro método
é o da inseminação artificial
com esperma de doador, que custa
cerca de R$ 1.000 no Brasil (mais
os honorários médicos). Os
candidatos que recorrem ao banco
de sêmen do Hospital Albert
Einstein, em São Paulo, são
informados de que os médicos
tentam distribuir
geograficamente, e com intervalos
prolongados, o sêmen de um mesmo
doador. A norma internacional
prevê que o material de um
único doador não permita mais
de 200 inseminações para cada
milhão de habitantes.
O Hospital
Albert Einstein estabelece que o
esperma de cada doador não seja
usado por mais de cinco mulheres.
E segue a regra da maioria dos
países de manterem sigilo a
identidade do doador.