- - - - - - - - -- - - - - -- - - - - - - - -- --Jornal do Commercio - Recife, 23 de março de 1998 - -

IGREJA
João Paulo II condena o abuso de poder durante visita à Nigéria

NIGÉRIA - O papa João Paulo II pediu ontem novamente aos nigerianos que busquem a reconciliação nacional e denunciou mais uma vez de forma enérgica o "abuso de poder", a injustiça e "as violações dos direitos humanos", no segundo dia de sua visita pastoral a Nigéria. Esta foi a segunda vez, desde sua chegada à Nigéria, no sábado, que João Paulo II se declarou publicamente a favor da defesa dos direitos humanos neste país.

"Os nigerianos devem libertar a sociedade de tudo que ofende a dignidade da pessoa humana e viola os direitos humanos", declarou o Santo Padre durante a missa, que foi realizada em Oba, perto de Onitsha (leste) pela beatificação do padre Michael Cyprian Iwene Tansi, monge nigeriano cistercense, ante uma multidão exaltada de cerca de dois milhões de fiéis.

Abordando diretamente o contexto político nigeriano, o papa estimou que no momento em que a "nação nigeriana prossegue numa transição pacífica para um governo democrático e civil, há necessidade de pessoal político - homens e mulheres - que amem profundamente seu povo e desejem servi-lo mais do que serem servidos".

O chefe de Estado nigeriano, general Sani Abacha, comprometeu-se solenemente em ceder o poder, no dia 1º de outubro, a um presidente civil eleito democraticamente. As eleições presidenciais estão marcada para 1º de agosto.

João Paulo II pediu às autoridades nigerianas, ao chegar no sábado a Abuja, medidas de clemência em favor de sessenta presos nigerianos. O regime militar do general Abacha foi condenado pela comunidade internacional e submetido a sanções européias.

A missa de beatificação do padre Tansi desenvolveu-se sob um calor excepcional na pista de um aeródromo de Onitsha, o maior mercado da África Ocidental, que nunca chegou a ser construído.

O papa elogiou a vida exemplar do padre Tansi, que ontem se converteu no primeiro "bem-aventurado" da África Ocidental. Durante a missa, o pontífice deu pessoalmente a comunhão a vários fiéis, entre eles Philomena Nnana, que, em 1986, foi curada de um câncer terminal supostamente graças ao fato de ter beijado o ataúde do padre Tansi. Esse milagre, reconhecido pela Igreja de Roma, permitiu ao padre Tansi ser beatificado ontem.

Antes de embarcar no avião que o levou de Abuja a Enugu (leste) e dali a Oba, a bordo de um helicóptero, o papa mostrou sinais de cansaço. Apoiado em bastão, parou quatro vezes na pista antes de chegar à passarela do avião, ao qual subiu ajudado pelo arcebispo de Abuja, monsenhor John Onaiyekan.

 
     

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