- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 23 de março de 1998

SUCESSÃO
Itamar vai depor contra FHC no TSE

RIO - O ex-presidente Itamar Franco disse ontem que vai testemunhar, a convite do PT, contra o presidente Fernando Henrique e o ministro Eliseu Padilha (Transportes), no processo no Tribunal Superior Eleitoral que investiga o uso da máquina administrativa por parte do Governo federal para influenciar os resultados da convenção do PMDB, realizada há 15 dias. A exemplo do senador Roberto Requião (PMDB-PR), Itamar decidiu aceitar o pedido feito pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP), um dos autores da representação no TSE, para depor contra FHC.

"O que aconteceu na convenção do PMDB foi uma coisa muito grave", declarou Itamar, depois do encontro com o candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, com o presidente nacional do PDT, o ex-governador Leonel Brizola, virtual candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Lula, e com parlamentares e líderes do PT, PDT, PSB e PCdoB, no Hotel Glória, zona central do Rio. No encontro, Itamar aceitou também fazer viagens pelo País com Brizola e Lula, a partir de abril, em manifestações de oposição a Fernando Henrique.

Vai ser uma espécie de caravana da oposição e a primeira viagem será para o Rio Grande do Sul, em abril. Itamar pretende, naquele Estado, apresentar o governador Antônio Britto (PMDB) como um "traidor" e um "desleal". "No Rio Grande do Sul, não há força que me faça apoiar o Britto", declarou Itamar, que se considera traído por Britto, ministro da Previdência no seu Governo.

"Eu já sei que ele (Britto) vai me trair novamente. Agora me enfiaram a faca nas costas, não podem mais enfiar outra", disse Itamar, deixando claro que é um compromisso político e pessoal fazer uma ofensiva contra FHC e os governistas do PMDB, em virtude dos atos que considerou "fascistas" e "paramilitares" na convenção do partido. Novamente, ele não poupou críticas aos aliados peemedebistas do Governo federal, aos quais chamou de "bandidos".

A reunião de ontem não selou nenhum acordo de apoio de Itamar à chapa de Lula e Brizola, mas serviu para aproximá-los para um futuro acordo eleitoral. O ex-presidente ainda vai tentar, no encontro nacional do PMDB em junho, aprovar a tese da candidatura própria do partido para poder concorrer à Presidência. Ele garantiu, no entanto, que sua disposição em disputar a convenção não inviabiliza a união com setores da oposição. Também já estão praticamente definidas as viagens de Itamar ao Paraná, a pedido de Requião, a Pernambuco, acompanhando o governador Miguel Arraes (PSB), e a São Paulo.


     

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