SUCESSÃO
Itamar
vai depor contra FHC no TSERIO - O
ex-presidente Itamar Franco disse
ontem que vai testemunhar, a
convite do PT, contra o
presidente Fernando Henrique e o
ministro Eliseu Padilha
(Transportes), no processo no
Tribunal Superior Eleitoral que
investiga o uso da máquina
administrativa por parte do
Governo federal para influenciar
os resultados da convenção do
PMDB, realizada há 15 dias. A
exemplo do senador Roberto
Requião (PMDB-PR), Itamar
decidiu aceitar o pedido feito
pelo senador Eduardo Suplicy
(PT-SP), um dos autores da
representação no TSE, para
depor contra FHC.
"O que
aconteceu na convenção do PMDB
foi uma coisa muito grave",
declarou Itamar, depois do
encontro com o candidato do PT à
Presidência da República, Luiz
Inácio Lula da Silva, com o
presidente nacional do PDT, o
ex-governador Leonel Brizola,
virtual candidato a
vice-presidente na chapa
encabeçada por Lula, e com
parlamentares e líderes do PT,
PDT, PSB e PCdoB, no Hotel
Glória, zona central do Rio. No
encontro, Itamar aceitou também
fazer viagens pelo País com
Brizola e Lula, a partir de
abril, em manifestações de
oposição a Fernando Henrique.
Vai ser uma
espécie de caravana da
oposição e a primeira viagem
será para o Rio Grande do Sul,
em abril. Itamar pretende,
naquele Estado, apresentar o
governador Antônio Britto (PMDB)
como um "traidor" e um
"desleal". "No Rio
Grande do Sul, não há força
que me faça apoiar o
Britto", declarou Itamar,
que se considera traído por
Britto, ministro da Previdência
no seu Governo.
"Eu já
sei que ele (Britto) vai me trair
novamente. Agora me enfiaram a
faca nas costas, não podem mais
enfiar outra", disse Itamar,
deixando claro que é um
compromisso político e pessoal
fazer uma ofensiva contra FHC e
os governistas do PMDB, em
virtude dos atos que considerou
"fascistas" e
"paramilitares" na
convenção do partido.
Novamente, ele não poupou
críticas aos aliados
peemedebistas do Governo federal,
aos quais chamou de
"bandidos".
A reunião de
ontem não selou nenhum acordo de
apoio de Itamar à chapa de Lula
e Brizola, mas serviu para
aproximá-los para um futuro
acordo eleitoral. O ex-presidente
ainda vai tentar, no encontro
nacional do PMDB em junho,
aprovar a tese da candidatura
própria do partido para poder
concorrer à Presidência. Ele
garantiu, no entanto, que sua
disposição em disputar a
convenção não inviabiliza a
união com setores da oposição.
Também já estão praticamente
definidas as viagens de Itamar ao
Paraná, a pedido de Requião, a
Pernambuco, acompanhando o
governador Miguel Arraes (PSB), e
a São Paulo.