NORDESTE
Paraíba:
fogos explodem aliançapor FRUTUOSO CHAVES
Correspondente
JOÃO
PESSOA - Uma explosão
de fogos maior para o governador
José Maranhão (PMDB) do que
para seu colega de partido, o
senador Ronaldo Cunha Lima, na
festa de aniversário do segundo,
voltou a agravar, no sábado à
noite, em Campina Grande, o
precário relacionamento entre
ambos. Dono do último discurso
da noite, no Clube Campestre de
Campina Grande, Ronaldo
recomendou que Maranhão
controlasse a própria
assessoria, formada, segundo
disse, por
"bajuladores", sob pena
de redefinir em junho, data da
convenção peemedebista, sua
posição quanto à sucessão
estadual.
Indignado, o
governador abandonou o local,
antes que fosse servido um jantar
preparado para duas mil pessoas,
dormiu na casa de um sobrinho e
deixou Campina Grande, ontem pela
manhã, com destino à cidade de
Picuí, na Zona do Cariri
paraibano.
Em setembro
passado, líderes estaduais do
PMDB empenhados em acabar com os
desentendimentos entre os dois
convocaram uma pré-convenção
que levou três mil pessoas ao
lançamento de uma chapa composta
por Maranhão (que pretende
reeleger-se), pelo deputado
Ivandro Cunha Lima (irmão de
Ronaldo, para vice-governador) e
pelo senador Ney Suassuna. A
farta explosão dos fogos de
artifícios, entretanto, tinha
promoção conjunta e favorecia
os discursos pela unidade.
Os mesmos
líderes voltaram a se reunir no
último dia 4, na casa do
prefeito de João Pessoa, Cícero
Lucena, para decidir sobre o
apoio, ou não, à tese da
reeleição do presidente
Fernando Henrique Cardoso, tema
que também separou Maranhão
(favorável) e Ronaldo
(contrário à idéia). Ambos
conseguiram demonstrar
prestígio. O projeto da
reeleição presidencial foi
rejeitado por 30 votos a 13, como
pretendia o senador, mas o
governador assegurou a
liberação do seu grupo para
apoiar FHC.
A nova crise -
testemunhada pelo senador Geraldo
Melo (RN), presidente em
exercício do Senado - ocorre num
momento em que o maior
"bombeiro" do PMDB, o
senador Humberto Lucena, está
fora de combate, hospitalizado em
São Paulo vítima de uma crise
renal aguda que preocupa os
médicos, parentes e amigos. Na
pré-convenção de setembro,
Lucena teve o papel de
conciliador enaltecido por quase
todos os oradores.
"Jamais vi
um homem com tamanha
paciência", testemunha Ney
Suassuna, que hoje enfrenta, com
desvantagem nas pesquisas
eleitorais, a indicação para o
Senado do ex-governador Tarcísio
Burity (PPB), a quem Ronaldo
sucedeu e em quem deu dois tiros
à queima-roupa, há cerca de
quatro anos, no interior do
Restaurante Gulliver, em João
Pessoa.
Mais afeito à
poesia do que à pistola (integra
a Academia Paraibana de Letras e
tem livros publicados), Ronaldo
não chegou a ferir de morte o
desafeto político que hoje
também se recupera num quarto de
hospital, a exemplo de Lucena, de
um infarto do miocárdio. Mas
Burity já disse que está pronto
para enfrentar Suassuna, o
candidato do PMDB, na próxima
campanha ao Senado.
Em nota
distribuída no final da tarde de
ontem, o governador José
Maranhão diz que foi agredido
pelo senador Ronaldo Cunha Lima e
que mantém, em relação ao
incidente, dois tipos de
sentimento: "Um como
cidadão, como qualquer pessoa do
povo, e outro como governador do
Estado". Ronaldo, em
discurso, chamou Maranhão de
"fraco", pediu-lhe para
se livrar de determinados
assessores e para governar a
Paraíba, porque do contrário
trataria de fazê-lo.
"A
Paraíba tem um governador. Sou
prudente e tolerante, mais
rejeito com altivez rompantes de
retórica, porque meu compromisso
administrativo é com o
Estado", diz Maranhão, para
quem Ronaldo "deve explicar
à Paraíba, pois sua atitude
não revela e não traduz a
tradição histórica da família
campinense e dos nosso
povo".
E continua a
nota: "Como cidadão,
lamento porque fui à festa de
aniversário para levar o abraço
de companheiro de partido. Não
entendo, não aceito, até porque
ninguém aprova uma agressão a
quem estava de coração aberto e
foi duramente atacado por
palavras. Como governador, e com
a responsabilidade de dirigir os
destinos administrativos de todos
os paraibanos, devo afirmar que
não aceito imposições nem
faço transigências para agradar
a quem quer que seja".
Reafirma, por
fim, o propósito de continuar a
obra de Governo "com
serenidade, sem medo e sem
arrogância" e o desejo de
buscar, para a reeleição,
"o julgamento popular,
autorizado pela deliberação
unânime da pré-convenção
realizada pelo PMDB".