EDUCAÇÃO
Professoras
lutam por salários justosCALUMBI -
Professoras deste município que
estavam entusiasmadas com a
possibilidade de receber mais que
um vereador, graças a
aplicação do Fundo de
Valorização do Magistério,
desconfiam de que as contas de
somar e dividir, aplicadas para a
definição de seus salários,
não abatem com o que elas
ensinam nas salas de aulas.
Apesar do temor de acusar ou
denunciar, muito comum entre os
sertanejos, algumas professoras
não estão convencidas de que
só têm direito a receber alguma
coisa em torno de R$ 220,00,
quando o Governo anuncia,
através da imprensa, que a menor
remuneração no Ensino
Fundamental ficaria em R$ 315,00.
A pergunta que
professoras de Calumbi estão
fazendo é: para onde vai a parte
do dinheiro que não receberam?
Não importa que recebessem pouco
mais de metade de um salário
mínimo para andar longas
distâncias pelo mato e enfrentar
manhãs e tardes quentes para
alfabetizar a meninada dos
sítios. O que vale é que estão
se sentindo vítimas de uma conta
de diminuir mal explicada.
A secretária
de Educação de Calumbi,
professora Inalda Gomes, admite
que esse é o principal problema
que deve expor no Fórum
Itinerante de Educação, que
está sendo realizado no Sertão
do Pajeú. "A TV - diz a
secretária - divulga e o
professorado estava pensando que
iria receber R$ 315,00, mas não
é. Esse é o valor previsto para
cada aluno, por ano. Por isso,
quanto maior o número de alunos,
melhor para o professor".
Ela admite que
uma professora rural de seu
município está mesmo recebendo
apenas pouco mais de R$ 200,00 e
explica os cálculos: dos R$ 36
mil que a Prefeitura recebe do
Fundo, 12% são para encargos -
como 13º salário, férias,
licença-prêmio, 40% são para
serventes, agentes
administrativos, transporte e
manutenção da escola. O que
sobra é dividido com o
professorado, "mas ainda é
preciso deixar dinheiro em caixa
para eventualidades".
Essa
explicação não está
convencendo as professoras. No
Sítio Barra, por exemplo,
Edlamar Queiroz Leite conta o
drama que era sobreviver com R$
60,00 por mês. Era um
malabarismo para fazer a feira e
sobrar uns trocados para
necessidades inadiáveis, como
medicação. Por isso, receber R$
227,00 em fevereiro foi uma
revolução em sua vida. Só não
foi mais porque ela assiste a
televisão e estava certa de que
iria receber R$ 315,00. Só a
diferença seria superior a sua
remuneração até janeiro, e
isso dá idéia das mudanças na
vida dela.
Assim como
Edlamar, Marineide Leite de Souza
fez magistério e concurso para
ensinar na escola do Sítio
Barra. "A gente recebe pouco
mais de R$ 200. Eu recebi R$
225,00 e esperava receber mais.
Por enquanto a gente espera uma
solução do prefeito. Não sei
se realmente é esse o
valor", diz Marineide.
Edlamar vai um pouco adiante e
admite que há um movimento para
a ação em bloco de todas as
professoras rurais do município
- 44 - para saber o que estão
fazendo com quase R$ 100,00 que
não chegaram a suas mãos.
A diferença de
remuneração que está sendo
contestada, de quase R$ 100,00,
corresponde a uma vez e meia a
remuneração da professora até
janeiro, e a cinco meses da
remuneração de serventes. Em
Calumbi a questão dos
vencimentos dos servidores é
extremamente importante porque
são mais de 500 para uma
população de 7 mil habitantes,
para um Fundo de Participação
do Município, FPM, que é
festejado quando chega aos R$ 70
mil.