-- - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 22 de março de 1998

EDUCAÇÃO
Professoras lutam por salários justos

CALUMBI - Professoras deste município que estavam entusiasmadas com a possibilidade de receber mais que um vereador, graças a aplicação do Fundo de Valorização do Magistério, desconfiam de que as contas de somar e dividir, aplicadas para a definição de seus salários, não abatem com o que elas ensinam nas salas de aulas. Apesar do temor de acusar ou denunciar, muito comum entre os sertanejos, algumas professoras não estão convencidas de que só têm direito a receber alguma coisa em torno de R$ 220,00, quando o Governo anuncia, através da imprensa, que a menor remuneração no Ensino Fundamental ficaria em R$ 315,00.

A pergunta que professoras de Calumbi estão fazendo é: para onde vai a parte do dinheiro que não receberam? Não importa que recebessem pouco mais de metade de um salário mínimo para andar longas distâncias pelo mato e enfrentar manhãs e tardes quentes para alfabetizar a meninada dos sítios. O que vale é que estão se sentindo vítimas de uma conta de diminuir mal explicada.

A secretária de Educação de Calumbi, professora Inalda Gomes, admite que esse é o principal problema que deve expor no Fórum Itinerante de Educação, que está sendo realizado no Sertão do Pajeú. "A TV - diz a secretária - divulga e o professorado estava pensando que iria receber R$ 315,00, mas não é. Esse é o valor previsto para cada aluno, por ano. Por isso, quanto maior o número de alunos, melhor para o professor".

Ela admite que uma professora rural de seu município está mesmo recebendo apenas pouco mais de R$ 200,00 e explica os cálculos: dos R$ 36 mil que a Prefeitura recebe do Fundo, 12% são para encargos - como 13º salário, férias, licença-prêmio, 40% são para serventes, agentes administrativos, transporte e manutenção da escola. O que sobra é dividido com o professorado, "mas ainda é preciso deixar dinheiro em caixa para eventualidades".

Essa explicação não está convencendo as professoras. No Sítio Barra, por exemplo, Edlamar Queiroz Leite conta o drama que era sobreviver com R$ 60,00 por mês. Era um malabarismo para fazer a feira e sobrar uns trocados para necessidades inadiáveis, como medicação. Por isso, receber R$ 227,00 em fevereiro foi uma revolução em sua vida. Só não foi mais porque ela assiste a televisão e estava certa de que iria receber R$ 315,00. Só a diferença seria superior a sua remuneração até janeiro, e isso dá idéia das mudanças na vida dela.

Assim como Edlamar, Marineide Leite de Souza fez magistério e concurso para ensinar na escola do Sítio Barra. "A gente recebe pouco mais de R$ 200. Eu recebi R$ 225,00 e esperava receber mais. Por enquanto a gente espera uma solução do prefeito. Não sei se realmente é esse o valor", diz Marineide. Edlamar vai um pouco adiante e admite que há um movimento para a ação em bloco de todas as professoras rurais do município - 44 - para saber o que estão fazendo com quase R$ 100,00 que não chegaram a suas mãos.

A diferença de remuneração que está sendo contestada, de quase R$ 100,00, corresponde a uma vez e meia a remuneração da professora até janeiro, e a cinco meses da remuneração de serventes. Em Calumbi a questão dos vencimentos dos servidores é extremamente importante porque são mais de 500 para uma população de 7 mil habitantes, para um Fundo de Participação do Município, FPM, que é festejado quando chega aos R$ 70 mil.


 

 

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