- - - - - - -- - - - - - - -- - - - -- - - ---Jornal do Commercio - Recife, 23 de agosto de 1998

ENTREVISTA/Gercina Primo

Jornalista contrai verme ao comer carne de porco

A importância de um serviço eficiente de fiscalização sanitária pode ser medida a partir de episódios como o que ocorreu com a jornalista Gercina Primo. Após consumir carne de porco de um restaurante que supunha fiscalizado, a jornalista acabou contraindo um verme (cisticerco) que se alojou no cérebro. Gercina não morreu, conforme ocorre com a maioria das vítimas desse mal, mas passou a ter problemas neurológicos gravíssimos e sua vida tornou-se, desde então, num calvário. Veja a entrevista.

Jornal do Commercio - Como tudo aconteceu?

Gercina Primo - Passei mais de um ano consumindo carne de porco todas as sextas-feiras, pois era uma das poucas opções oferecidas pela empresa onde trabalhava. Oito meses depois, comecei a ter dores de cabeça, náuseas, tonturas e vomitava muito. Os médicos achavam que era estresse, hipertensão, enxaqueca ou problema na vesícula.

JC - Como descobriu que era cisticercose?

GP - Tive desmaios e um deles foi quase fatal. Fiquei com um braço dormente, sem fala, sem andar, sem memória, totalmente confusa e sem saber quem eu era. Nem percebi que tinha me urinado toda. Foi aí que minha filha, que é biomédica, desconfiou de problemas neurológicos.

JC - O que os médicos disseram sobre o seu problema?

GP - A princípio os médicos pensaram que fosse isquemia ou aneurisma. Somente após sofrer muito, fazer milhares de exames, inclusive uma ressonância magnética (que não desejo a ninguém), é que um especialista em cisticercose descobriu que os sintomas eram os da doença. O verme tinha se alojado no lado esquerdo do meu cérebro.

JC - Como foi sua vida a partir de então?

GP - Tudo se transformou num inferno. Fiquei desestruturada física e emocionalmente. Gastei o dinheiro que tinha e o que não tinha. Tive seqüelas físicas graves (ela recuperou o andar e a fala, mas ainda tem o braço direito endurecido e não fecha a mão). Além disso, me tornei uma doente neurológica crônica, pois até morrer terei de tomar remédios controlados e anticonvulsivantes. São de seis a oito tipos diariamente.

JC - Você entrou com algum processo na Justiça?

GP - Não. Isso tudo já faz mais de um ano. Nesse período minha vida tem sido a de me cuidar primeiro. Escapei da morte, mas ainda não estou curada. Hoje freqüento um neurologista, um traumato-ortopedista, um clínico, um cardiologista, um fisioterapeuta e um terapeuta ocupacional e não tenho tempo para nada. Além disso, tenho quatro processos abertos contra o Estado, há anos, e até agora nada. Mas vou tomar providências, sim.


     

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